Conversamos com a atleta Nora Audra da Equipe Atenah que fala sobre sua preparação para 2006

Tema:Adventure Race
Autor: Marisa Abel
Data: 28/11/2005

Eleonora Defilippi Audrá é uma jovem de 27 anos que desde 1998 participa de corridas de aventuras. Praticante de atividades como outdoor, mountain bike, escalada em rocha, montanhismo, wakeboard, canoa havaiana, caiaque oceânico, trekking e guia de rafting, ela também já jogou futebol, onde conquistou diversos títulos nacionais e internacionais.

Membro da equipe Atenah, Nora foi uma das nove pessoas, entre os quarenta participantes, selecionadas na Seletiva Latino-americana do Land Rover G4 Challenge que aconteceu em Brotas, interior de São Paulo, entre os dias 18 e 20 de novembro. Esse ano ela também participou da Expedição Chauás, 220 Km/Serra da Canastra (MG), ficando com o 2º lugar.

Em entrevista para a nossa redação ela fala sobre o G4 e suas expectativas de vida e deixa um recado para os atletas. “Eu só queria deixar uma mensagem para as pessoas correrem atrás de seus sonhos e correrem seus riscos. A vida tem muito a nos ensinar, mas cabe a nós querer aprender e pedir muita energia para realizarmos nossas metas”.


360 Graus - Nora conte como foi o processo de seleção para participar da seletiva latino-americana do G4 e quais foram suas impressões?

Nora Audra - Foi um evento muito bem organizado, o Jean Claude e toda equipe Alaya estão de parabéns pela excelência do evento. Foi um final de semana repleto de atividades outdoor, o que para mim foi um grande divertimento já que atualmente tenho me dedicado 100% ao outdoor e a estar em contato com a natureza.

360 Graus - Como foi receber a notícia que iria participar do evento em Brotas?

Nora Audra - Eu estava em Campinas, trabalhando em um treinamento outdoor quando chequei minha caixa postal e havia o agradável e-mail do Jean confirmando minha participação. Na hora veio aquela satisfação. Passaram tantas coisas na minha cabeça, mas a principal foi a felicidade de ter sido selecionada.

360 Graus - Houve inscrição de mais algum atleta da Atenah?

Nora Audra - Sim, a Shubi também se inscreveu, mas devido a muitos aspectos, e acho que entre outros, focos diferentes, ela acabou não participando da seletiva.

360 Graus - Durante a realização das provas, em algum momento, você chegou a pensar que não conseguiria?

Nora Audra - Não, sempre fui uma pessoa que batalha pelo o que, mas principalmente que acredita até o último momento. Eu sempre estive confiante, mas claro que tudo pode acontecer, mas não sei porque, eu estava sentindo uma energia muito positiva dentro de mim e acho que foi fundamental, porque em todos os testes eu me esforcei para dar o máximo.

360 Graus - Você comentou que é a realização de um sonho. Como você encara o fato de ser escolhida entre os dez candidatos brasileiros?

Nora Audra - Um privilégio, todos os dez selecionados tinham suas qualidades, cada um a sua. Para mim, ter sido escolhida me fez perceber que eu também tenho minhas qualidades e eu acho que uma das principais foi ser constante. A constância nos testes, ou seja, minha regularidade em todas as atividades contribui para eu ter uma pontuação tão alta. Eu encaro como uma grande honra ser uma escolhida para representar uma marca tão conceituada e o sonho de consumo de tantas pessoas ao redor do mundo, principalmente os amantes do esporte outdoor como eu.

360 Graus - Passado a seletiva do G4 qual quais são seus planos?

Nora Audra - Seguir minha rotina de treinos como atleta de aventura, estou embarcando para a Nova Zelândia onde farei uma pré temporada de treinos com o melhores atletas de corrida de aventura do mundo. Além disto, vou me dedicar a melhorar pontos que não são tão fortes em mim. Vou fazer curso de mecânica (já localizei um concessionária na Nova Zelândia para fazer um estágio de mecânica, o melhor de tudo é que será em inglês, o idioma oficial do evento), vou fazer também um curso específico de direção off road, tentar arrumar um Defender e dirigir muito em terrenos irregulares. Acho que o ser humano sempre busca a evolução, por isso eu quero aprender o que é novo para mim e vou me dedicar estes meses que antecedem a seletiva mundial na Inglaterra para evoluir.

360 Graus - Diariamente, como funciona seu processo de treinamento?

Nora Audra - Eu tenho uma técnica responsável pelo meu condicionamento, a Cris de Carvalho que me passa uma planilha semanal com todas as seções de treinos necessárias. Também tenho um técnico responsável pelo meu Treinamento Funcional, o Luciano D’Elia de academia e o Alessandro Matero que me passa os treinos de Canoa Havaiana na raia da USP. Basicamente eu procuro treinar duas modalidades por dia e completar com musculação, ioga ou uma massagem. Por exemplo:

Seg – Treino de canoa Havaiana + Pista de Corrida no Ibirapuera.

Ter - Giro de Bike na Usp + Natação + Treinamento Funcional

Qua – Havaiana + Longo de Corrida + Ioga

Qui – Treinos de subida de Bike + Remo + Treinamento Funcional

Sex – Corrida + Havaiana

Sab – Me dedico a treinos mais longos, mountain bike, remo dependendo de onde estou aos finais de semana.

Dom – É um dia que eu tiro para descansar e me recuperar para começar novamente na segunda.

360 Graus – Fale um pouco sobre sua experiência com esportes de aventura e quando você descobriu a aptidão para esse tipo de modalidades?

Nora Audra – Eu sempre fui uma garota outdoor, desde pequena me aventurava pelas trilhas da fazenda do meu pai, desaparecia o dia inteiro, saia com o cavalo pela manhã em busca de aventuras e só voltava a tarde. Felizmente minha mãe sempre foi uma pessoa tranqüila, caso contrário teria se desesperando nas inúmeras vezes que eu sumia. Dos 13 anos aos 15 eu competi de skate board freestyle, depois comecei a participar de enduros de mountain bike, adorava acampar, fazer trilhas, desafiar novos caminhos, buscar novas aventuras. Durante 6 anos eu joguei futebol e em 98 comecei a escalar, freqüentava a Casa de Pedra e ia para a rocha quando tinha a oportunidade. Junto com a escalada eu conheci a corrida de aventura e foi quando me apaixonei. Depois de participar do primeiro EMA e logo em seguida ir para a Nova Zelândia competir o Southern Traverse (em me lembro do Alexandre Freitas, pai da corrida de aventura no Brasil, me dizendo que eu levava jeito e que eu tinha que me dedicar, pois eu seria uma das melhores atletas do país), eu percebi que eu queria isto da minha vida, não havia nada que me desse mais prazer e me deixava mais feliz. E como eu acredito que temos que lutar pelos nossos sonhos e fazer o que amamos, eu decidi largar tudo e tentar virar um atleta profissional de corrida de aventura.

360 Graus – Você já sofreu algum acidente que a impossibilitasse de praticar esportes durante algum período?

Nora Audra – Sim, em 95 eu sofri uma artroscopia no joelho, o que me deixou dois meses sem poder jogar futebol. E no ano passado eu sofri uma lesão no calcanhar e tive que ficar 4 meses longe das corridas de aventura para me recuperar para o Ecomotion Pro e poder voltar a competir. Foram dois períodos muito difíceis, pois eu sou uma pessoa muito ativa, mas foram importantes também para eu evoluir outros pontos dentro de mim. Acho que foi um treino psicológico essencial. Durante este período eu fiz apoio para minha equipe nas prova e quase enlouqueci no começo, queria sair com eles em toda transição, mas depois percebi que poderia ser importante de outra maneira e acabei tirando muitos aprendizados da situação.

360 Graus – Qual sua maior dificuldade? Terra, água ou ar? Por que?

Nora Audra – Ar, porque eu não tive muito tempo para me dedicar à alguma modalidade especifica. Requer muita dedicação por se tratar de uma atividade que nos coloca muito em risco. Claro que na terra e na água corremos nossos riscos, mas são elementos que estão no meu dia a dia. Eu sempre estive em contato com a água, sempre nadei, surfei. Mas no ar é diferente, um simples vacilo e pronto. Mas eu ainda quero ter tempo para me dedicar a um esporte aéreo, tenho o sonho de voar de parapente e tenho certeza que no futuro, o farei.

360 Graus – Quais são suas atividades extras além de praticar esportes de aventura?

Nora Audra – Sou instrutora da Outward Bound Brasil (ong que trabalha com atividades outdoor e aprendizado experiencial), fazemos cursos em formatos de expedição e trabalho com treinamentos empresariais. Também trabalho em uma empresa organizando cursos de orientação, com treinamentos empresarias e montando corridas de aventura.

360 Graus – Como funciona sua rotina de trabalho?

Nora Audra – Como eu falei acima trabalho com expedições, treinamentos empresarias, dou cursos de orientação, ou seja, não é muito possível manter uma rotina. Eu tento intercalar períodos com mais trabalhos, geralmente logo após uma competição grande, que é quando os treinos estão mais leves. Caso contrário a seqüência de trabalhos pode acabar prejudicando meus treinos e acima de tudo eu sou uma atleta. Atualmente tenho priorizado meu lado atleta e me dedicado mais às competições.

360 Graus – Nas horas de lazer quais são suas atividades preferidas? E quais são seus gostos particulares?

Nora Audra – Eu sou louca por música, ainda tenho um desafio para o futuro que é poder tocar violão, poder fazer um roda ao redor de uma fogueira e cantar para os amigos. Eu gosto muito de meditar, trabalhar minha cabeça e meu espírito, concentração é muito importante em tudo o que fazemos. Também gosto de ler um livro e ficar com a perna para cima, relaxando. Gosto muito de estar com os amigos, ir a praia, jogar frescobol.

360 Graus – Defina Eleonora por Eleonora.

Nora Audra – Eu sou uma pessoa muito batalhadora, desde pequena sempre lutei pelos meus sonhos, sempre corri atrás do que eu acreditava independente da opinião de outras pessoas. Andei de skate, joguei futebol, faço corrida de aventura. Muitas pessoas dizem que eu sou louca e sou sim, louca pelo o que eu faço. Eu não sou do tipo de pessoa que espera acontecer, mas sim que faz acontecer. Sou uma eterna criança, procuro sempre tirar um sorriso das pessoas que estão ao meu redor, mas também uma pessoa muito focada em meus objetivos. Estou sempre querendo evoluir e sempre aprendendo com as pessoas ao meu redor, tenho diversos ídolos, em quem me espelho para correr atrás dos meus sonhos. Eu acredito muito em energia e acho que quando estamos bem com nós mesmos, a natureza e os astros conspiram para que o melhor acontece. Eu sou uma pessoa feliz, feliz pelo o que faço, feliz pelo venho a fazer.

360 Graus – Como você analisa o crescimento dos esportes de aventura no país?

Nora Audra – Eu acho que o esporte, em geral, vem crescendo no país. As pessoas estão se conscientizando sobre a importância do esporte na nossa vida. A nossa qualidade de vida está totalmente relacionada à nossa saúde e quando praticamos esporte, estamos nos prevenindo de possíveis doenças. A maioria das pessoas está tentando incluir um pouco de esporte em sua vida. Esporte é vida. Mas infelizmente ainda falta investimento para poder dar a oportunidade a todos de praticá-lo, é muito importante que todos pratiquem.

360 Graus – Na sua opinião o que falta para impulsionar ainda mais os atletas brasileiros?

Nora Audra – A oportunidade de poder se dedicar exclusivamente ao esporte, poder ter a tranqüilidade para treinar sem ter que se preocupar com o tempo, voltar ao trabalho. Para um atleta ter uma boa performance, é importante que ele treine, descanse e se recupere, se alimente direito. A maioria doa atletas brasileiros tem que dividir seu dia entre os treinos e o trabalho, muitas vezes deixam de comer para treinar ou trabalhar, e isto prejudica o treinamento e o impede de obter o melhor rendimento. Assim como o esporte, o atleta brasileiro precisa de investimento para poder se dedicar. Eu tenho que certeza que teríamos muito mais brasileiros no topo, tornando-se referência no mundo.



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