
Nora Audrá é a atleta que representará o Brasil no G4
Foto: Divulgação

Nora Audrá em momento de concentração total na seletiva brasileira do G4 em Brotas (SP)
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Nora audrá de bike na seletiva brasileira em Brotas (SP)
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Nora Audrá na seletiva brasileira em Brotas (SP)
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Nora Audrá é atleta de corrida de aventura
Foto: Arquivo Pessoal
A largada do Land Rover G4 Challenge será hoje (23). Estou em Bangkok, na Tailândia. Daqui vamos para Laos, a segunda etapa do desafio, de 24 de abril a 4 de maio. A terceira etapa é brasileira e acontece no dia 7 de maio no Rio de Janeiro, na praia de Copacabana.
Do Rio seguiremos para a Bolívia, em 9 de maio, para a quarta e última etapa do desafio. Serão 12 dias de prova, incluindo a travessia de cenários inesquecíveis como o Salar de Uyuni, antes de a aventura chegar a quatro mil metros acima do nível do mar, na temida Cordilheira dos Andes.
Ontem tivemos a seleção das duplas, quando finalmente soube quem será meu companheiro de equipe durante esta primeira semana, primeiro estágio da competição. O processo de seleção das duplas aconteceu da seguinte
forma: nas Seletivas Internacionais tivemos uma competição onde foi determinado um ranking por países.
A partir deste ranking foram formados dois grupos, os dez primeiros e os oito restantes. O segundo grupo teve o direito de escolher alguém do primeiro grupo, ou seja, o 11º colocado foi o primeiro a escolher seu parceiro de equipe. Eu, tendo a 17ª colocação, fui a penúltima a escolher minha dupla.
Durante os últimos dias tivemos todas as instruções sobre a competição, nos pasaram o regulamento e recebemos nossos kits - uma Range Rover, um caiaque, uma
mountain bike, remos, GPS, equipamentos de escalada, mapas e tudo o que será necessário para a competição.
Tivemos a oportunidade de passar alguns dias com nossos futuros adversários e alguns, quem sabe, futuros
companheiros de equipe. É impressionante o nível desta competição, uma verdadeira Olimpíada da Aventura, é uma honra representar o Brasil nesta competição.
Esta noite tivemos a seleção das duplas, amanhã o desafio começa...a tensão foi enerome, todos os competidores passaram os últimos dias decidindo quem iriam escolher e quais seriam as estratégias para o primeiro estágio.
Eu como a penúltima a escolher, tive poucas opções: Marco, o número 1 do momento, pois a Itália, país que ele representa, foi a primeira no ranking da Seletivas Internacionais. Minha outra opção, Alina Smith da Austrália
(a terceira mulher da competição, seu marido Tom teve
que abandonar a competição hoje, devido um corte no pé e quinze pontos mau cicatrizados).
Duas ótimas opções, um dos caras mais fortes do evento e uma mulher, corredora de aventura que eu admiro desde o início das minha corridas. Alina é considerada uma das melhores corredoras de aventura do mundo, tendo participado de diversas competições importantes no mundo todo.
Meu coração de Atenah bateu mais forte....optei pela força e a estratégia feminina, formando assim a primeira dupla feminina da história do Land Rover G4 Challenge. A estratégia e inteligência serão os principais fatores desta competição, e com certeza eu sei que encontrarei em Alina,
uma excelente e experiente companheira de equipe.
Amanhã daremos o ponta pé inicial da competição em um desafio urbano, uma arena montada em frente a um dos principais cartões postais de Bangkok, o Grand Palace. O templo e os deuses estarão iluminando nossos passos, ou melhor, estarão guiando nossas mãos, neste desafio off-road que promete ser muito emocionante. Nossas habilidades off-road serão testadas e eu acredito na sensibilidade feminina.
É isso, agora vou descansar e sonhar com o tão esperado momento, o início do Land Rover G4 Challenge. Meu sonho está prestes a se tornar realidade, vou representar o Brasil e
vou com toda garra, vou acreditar e lutar. Torçam por mim! Vejo vocês no Rio de Janeiro!
A Seletiva Sul Americana
Em novembro do ano passado, eu estava trabalhando em um treinamento coorporativo quando recebi um e-mail confirmando minha participação na Seletiva Sul Americana do Land Rover G4 Challenge. Foi um final de semana em Brotas, onde três brasileiros seriam selecionados para ir à Inglaterra e participar da Seletiva Internacional, a última etapa classificatória do G4.
Tenho um sonho de criança que é representar o Brasil em uma grande competição internacional. Já participei de muitas provas internacionais, mas em nenhuma delas, tive que passar por uma classificatória e ser escolhida. Quando recebi aquele e-mail, eu percebi que poderia realizar este sonho.
A Seletiva Sul Americana foi uma competição excelente, de alto nível técnico e contou com a participação de 40 competidores da Argentina, Chile, Costa Rica e Brasil. Somente três de cada país seriam escolhidos.
Tivemos diversas competições, uma pequena corrida de aventura bem diferente das que estou acostumada a participar. Em alguns momentos ela era individual, em outros em quarteto ou dupla, dependendo da modalidade.
Também fizemos uma prova sobre mecânica e primeiros socorros, além de um teste off-road onde tivemos a oportunidade de dirigir uma Defender 110 em uma pista com diversos obstáculos. Ainda rolou uma prova de orientação noturna e no dia seguinte uma competição de caiaque.
Eu estava muito concentrada e me esforcei para conquistar a vaga para a Inglaterra. Esforço recompensado. Ao final de toda esta bateria de competições, os três selecionados brasileiros foram anunciados.
Dentro de mim eu tinha a confiança de que conseguiria, e ao ouvir meu nome sendo anunciado, aquele sonho de criança se aproximou de mim, e eu só tinha um pensamento: “Consegui! Vou para a Inglaterra e vou conquistar esta vaga, vou ser a brasileira que representará o Brasil no G4”. Eu não me continha de tanta felicidade, além de ser selecionada, eu fui a atleta com a maior pontuação entre todos os competidores, eu venci a Seletiva Sul Americana!
Seletiva Internacional, Castelo de Eastnor - Inglaterra
Esta era a última etapa antes do G4 - a seletiva final, onde um competidor de cada país seria o escolhido para representar sua nação. Chegamos no Castelo de Eastnor no domingo de tarde e ao chegar, já percebi o nível da competição que estávamos prestes a enfrentar.
A organização do evento foi impecável, montaram uma grande arena na área do estacionamento do castelo - diversos carros expostos, uma grande torre de escalada e uma recepção de tirar o chapéu. Tivemos um briefing com toda a organização, jantamos no castelo e fomos levados para nossa primeira área de acampamento. Dividi a barraca com a Carol e o Erik, os outros brasileiros que tentavam a vaga.
Assim como em Brotas, na Seletiva Sul Americana, tivemos diversas atividades e modalidades. Foi uma semana cheia de testes e avaliações. O objetivo principal da organização era preparar todos para a competição. Enquanto éramos testados, tínhamos a chance de aprender o que não sabíamos. Todos os dias, tivemos a oportunidade de dirigir aquelas máquinas na floresta do castelo, onde a Land Rover testa a capacidade de todos seus veículos. Nossa agenda era muito cheia de atividades físicas e psicológicas.
Tivemos testes físicos de mountain bike, natação, caiaque, escalada, orientação. A estratégia também foi muito importante em todos os aspectos, um exercício na escolha de rotas e dinâmicas de iniciativa. Tivemos alguns testes de navegação noturna, direção em comboio, simulados de primeiros socorros, mecânica, workshops de comunicação e conscientização ambiental. Foi uma semana repleta de emoções. A temperatura estava abaixo de zero, cada dia acampamos em um lugar diferente e comemos comidas liofilizadas.
Foi uma semana inesquecível onde criamos um laço especial. Fizemos parte de uma família e em alguns momentos era difícil competir contra nossa família. A Carol, o Erik e eu representávamos o Brasil - dávamos risadas juntos, competíamos juntos e aprendemos tanto um com o outro. Acordamos que daríamos o nosso máximo para ser uma boa equipe. Porém apenas um seria escolhido. E no final da semana chegou o tão esperado momento.
O anúncio dos vencedores foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Todos os competidores foram convidados a sentar no palco. O vencedor de cada país foi sendo anunciado em ordem alfabética e tinha que subir no palco superior para pegar a bandeira de seu país. Chegou a hora do Brasil… Ao ouvir meu nome, não aguentei de emoção. Meu sonho estava se realizando e eu chorava de tanta alegria, segurava a bandeira do Brasil como estivesse segurando meu coração no ar. Eu consegui!!!
Felicidade - esta é a palavra que define o que eu senti naquele momento. Concentração e determinação foram decisivos para minha conquista. Eu acreditei no meu sonho e o persegui. Fica aqui o meu recado para aqueles que sonham. Acreditem em seus sonhos, corram atrás de seus sonhos! Nossa mente é muito poderosa. Se você achar que é capaz ou que você não é capaz, você sempre estará certo. Todos nós podemos, basta só acreditar.
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