Alexandre, da EMA Brasil, fala da equipe no Raid Gauloises Vietnã

Tema:Adventure Race
Autor: Cristina Degani
Data: 18/4/2002

Adventure Race - Alexandre em corrida de aventura no Petar<br>Foto: Cris Degani

Alexandre em corrida de aventura no Petar
Foto: Cris Degani



“Pai” das corridas de aventura no Brasil e colunista do 360 Graus, o empresário Alexandre Freitas, que trouxe a modalidade para o país, conversou com a reportagem do 360 Graus antes de partir para a nova aventura de sua vida, a corrida de aventura Raid Gauloises no Vietnã, que começa em 27/4. Serão mil quilômetros em modalidades esportivas não-motorizadas, uma previsão de 8 a 13 dias para terminar.

Organizador da EMA – Expedição Mata Atlântica – e de outras corridas do Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura, Alexandre avalia nessa entrevista o potencial de sua equipe, as dificuldades da prova e as surpresas no continente asiático. E bate o pé quando o assunto é resquícios da guerra: “não vai ter mina explosiva no meio da prova”. Todos esperamos o mesmo.


360 – Alê, pensava em conhecer o Vietnã na sua vida? Ou melhor, nessas circunstâncias?

Alexandre – Sim , eu pensava em conhecer o país, visto que já fui em lugares exóticos fazer viagens também exóticas. Mas não numa corrida de aventura! Na Ásia, já visitei China, Paquistão, Ucrânia, Turquia, Índia. Fiz a Rota da Seda, cruzando o Pasquistão até a China, foi demais. Mas era uma outra viagem.

360 – Qual será a maior dificuldade da prova?

Alexandre – Ah, é muito tempo e muita gente. Ou seja, tudo pode dar errado. Em cinco pessoas, a probabilidade que algo dê errado é grande. De um quebrar, de outro passar mal, desidratar, a problema é maior.

360 – A prova é muito extensa, mil quilômetros. Não houve exagero na distância, como aconteceu aqui na corrida Elf Authentique Aventure, em 2000?

Alexandre – O Elf teve 800 quilômetros no Nordeste brasileiro, mas não podemos esquecer que progressão é mais rápida. O que quero dizer, até como diretor de provas, é que a transposição dos obstáculos não pode ser difícil como fazemos em provas curtas. Não dá para ter vara-mato no trekking, empurra-bike, single trek, remar contra correnteza ou no mar tempestuoso. É tudo a favor. O terreno que a prova passará terá de ser de progressão rápida. Acho que o mountain biking terá trilhas fáceis, estradinhas, trechos de asfalto. A orientação deve ser fácil também. Podemos levar GPS.

360 – Qual o objetivo da equipe EMA Brasil no Raid Gauloises?

Alexandre – O grande objetivo da equipe é completar o percurso ter mais experiência. As melhores equipes do mundo estão na prova queremos aprender. Mas, pessoalmente como organizador, é saber o quanto posso aprender com ele, com o Alain Gaimard, que faz o Gauloises desde 97. Sabe, eu não sei se é mais organizado que a EMA. O Eco Challenge eu acho que deve ser melhor, mas quero entender mais. A Salomon agora estava investindo muito no Gauloises, faz seis meses. Isso deve levantar a prova.

360 – Como organizador, como você vê a logística dessa prova, que terá cinco pessoas na equipe e dois apoios? Não é muita gente?

Alexandre – Sim, é muita gente. Hoje, apoio de equipe é retrocesso. O cara tem de ter uma logística muito boa para lidar com esse monte de gente, porque é custo a mais para todo mundo. Mas já sabemos que a prova em 2003 será com quatro pessoas, sem apoio, nos moldes atuais das grandes provas.

360 – A composição de sua equipe são dois homens e três mulheres. Vai ter equipe mais forte, com quatro homens e uma mulher apenas. Como vocês vão equilibrar isso?

Alexandre – A sintonia da equipe vai ser muito mais importante nesse prova. É muito tempo juntos. A equipe sou eu, o Zé Pupo como capitão, um grande atleta e canoísta e as meninas da equipe Atenah, que já correram o Eco Challenge na Nova Zelândia e muitas outras provas duras aqui, como as EMAs.

Elas sabem que tem gente mais forte fisicamente que elas, mas eu as escolhi porque temos sintonia, respeito na equipe, entendimento no desenvolvimento da prova. Tenho convicção de que uma equipe com quatro homens e uma mulher vai abrir no início, mas depois, acredito que a resistência e psicológico vão prevalecer. Aliás, se fosse pela força física eu não estaria mais fazendo corridas, tendo de disputar com triatletas. Esse é o segredo.

360 – Estão levando alimento do Brasil?

Alexandre – Vamos comprar muita coisa lá, do tipo macarrão, molho, água, refrigerante, suco, e outras comidas que devem ser similares. Lá tem muito arroz. Mas na bagagem vão as peculiaridades nossas, como frutas secas, banana-passa, goiabada e barras energéticas.

360 – É meio chato, mas necessário perguntar: com a Guerra do Vietnã, há 30 anos, ficaram as minas explosivas sob o solo do país. Vocês pensaram na possibilidade de explosões durante a prova?

Alexandre – Não, nem passa pela nossa cabeça. A região por onde passa a prova não tem chance de ter isso. Não existe essa preocupação mesmo.

Nesta reportagem:

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