
Véscio, Karim e Toinho
Foto: Divulgação

Organizadores da Expedição Carcará
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Muitas histórias acontecem nos bastidores das corridas de aventura. Sejam com os organizadores, colaboradores, repórteres ou espectadores. O diretor da Expedição Carcará, Karim Salha, que também é atleta da equipe Rosa dos Ventos, relata um poucos dessas histórias que transforma o esporte numa caixa de experiência de vida e aprendizado:
"Alguns momentos vão permanecer na lembrança de todos que organizaram e participaram deste evento. Desde o momento mágico de presenciar um pôr do sol no alto das serras de Acarí, o nascer do mesmo sol às margens do açude Gargalheiras ou o carinho acolhedor da população de Acarí.
Mas um deles será inesquecível, como o que aconteceu quando organizávamos a etapa de trekking. Eu e Antônio fomos apresentados a um guia local e caçador para ajudar na identificação de uma trilha. O guia era um cidadão conhecido como Nego Madeira, com seus 1m90 de verdadeira brutalidade.
No início do trekking presenciamos o Nego tirando as botinas para começar a andar e perguntamos porque ele fazia aquilo. Ele respondeu: “tirando as botinas novas, ou vocês acham que vou molhar elas neste açude? Depois a caminhada eu já tô acostumado, eu vou descalço mesmo”.
Não acreditávamos, pois o percurso era de muita jurema, cactos, pedras, espinhos e bichos peçonhentos. Ele sempre repetindo aos berros: “estão arrependidos? Remédio pra doido é outro doido!”
O mais incrível foi quando eu entrei em uma gruta e sem querer bati numa casa de marimbondo. No mesmo instante me joguei no chão e gritei para os dois também se deitarem. Então o Nego veio lá de trás e deu um tapão na casa do marimbondo. Colocou-se entre eles e gritou: “bora, bora! Aproveitem pra passar enquanto estes bichos estão me picando!”
Eu e Toinho tivemos uma crise de riso e quase não conseguíamos levantar. Foi incrível e inacreditável. Depois, enquanto um marimbondo ainda picava o seu braço, ele olhou para gente e disse: “óia...sai até sangue!” E espremeu o bicho no braço. Fizemos um trekking de cinco horas com o Nego descalço e o pior de tudo, embriagado.
O PC no fim do mundo
Outro história engraçada aconteceu quando fui deixar o fiscal do PC 9 no local indicado no mapa. Para chegar lá não havia condições de ir de carro, moto ou burrico. O negócio era levar o fiscal caminhando mesmo, na mesma trilha que os atletas iriam fazer.
Eu fui o responsável em levá-lo até o ponto. Ele não imaginava o percurso que tinha pela frente. Eu sei que durante a prova fomos muito xingados pelos atletas - na próxima vez deixem escapar pelo menos nossas mães- mas o que ouvi de desaforo do fiscal foi muito engraçado. A todo momento me perguntava se estava perto, e pedia para descansar, que não continuaria mais e quase chegou a chorar.
Realmente o trecho era longo e difícil, além de perigos de cobras e insetos. Mas ao chegar no local o fiscal ficou maravilhado com a paisagem e acabou agradecendo.
No PC 8 o fiscal estava tão cansado que adormeceu em cima de uma mesa, na casinha de um caçador. Ele caiu da mesa e continuou dormindo na areia. Os outros dois fiscais acordaram com o barulho, saíram da barraca e foram ajudá-lo. O dorminhoco acordou, levantou, arrumou a mesa e depois voltou a dormir nela mesmo. O mais engraçado é que no outro dia ele não lembrou de nada!
Essas histórias são para mostrar que não são apenas os atletas que sofrem numa corrida de aventura.”
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