Como a grande maioria dos esportes do gênero, as corridas de aventura têm uma história bastante recente. As primeiras competições multiesportivas das quais se tem notícia foram as de triatlon, que viraram mania no final dos anos 70, como uma evolução natural da maratona. Depois disso, vieram os primeiros ralis, como o Baja 1000 e o Paris Dakar, que também tinham como objetivo proporcionar aventura em meio à paisagens inóspitas.
Mas quem não tinha especial gosto em navegar e dirigir tentou achar outras formas de juntar a atividade esportiva a uma expedição. Em meados da década de 80, o francês Patrick Bauer criou a Marathon des Sables, a Maratona das Areias, que acontece até hoje no Marrocos. Bauer realizou a competição após fazer um trekking de 300 quilômetros pelo deserto do Saara.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, mais precisamente na Nova Zelândia, aventureiros locais tentavam criar uma competição em que se pudesse romper barreiras pessoais e físicas e estar junto a belas paisagens, antes que os norte-americanos o fizessem. Surgia a Coast to Cost, cuja primeira edição aconteceu em 1983. Três anos depois, os tão temidos norte-americanos criariam o Alaska Moutain Wilderness Classic, que não teria o mesmo prestígio de sua rival neo-zelandesa.
Mas o formato de corrida de aventura que temos hoje, que tem como modalidades básicas trekking, a canoagem, mountain bike e técnicas verticais, surgiria apenas oito anos depois. Foi o jornalista francês Gèrard Fusil a primeira pessoa a questionar o que seria das pessoas que buscavam conhecer lugares e paisagens novos, usando formas de progressão que não agredissem o meio ambiente.
Foi durante uma viagem à Terra do Fogo, no extremo da Argentina, que Fusil ficou impressionado com a grandiosidade do local e com as dificuldades de acesso aos recantos mais belos da região. Pensou que as formas ideais de se movimentar por aquela região seriam através de barco, a pé, a cavalo ou mesmo em um caiaque. Era 1986 e o começo de uma grande idéia.
Dois anos depois da forte impressão vivida na Argentina, Fusil criaria o Raid Gauloises. O objetivo da competição era usar apenas meios não motorizados de progressão por paisagens cada vez mais inóspitas, desafiando o equilíbrio físico e mental e testando a união de uma equipe de cinco pessoas. A primeira edição do Gauloises aconteceu na Nova Zelândia, em 1989.
A partir daí, ficaria definido que a competição aconteceria durante dez dias, num local diferente a cada ano. No ano seguinte, a competição aconteceria nas florestas da Costa Rica; em 1991, na Nova Caledônia; em 1992, atravessaria os desertos de Omã; em 1993, em Madagascar, a quarta maior ilha do mundo; em 1994, na Malásia; em 1995, nas montanhas da Patagônia argentina. Na seqüência viriam África do Sul (96), Equator (97) e Tibet-Nepal (2001). Em 2002, a corrida aconteceu no Vietnã.
Dois anos depois da primeira edição do Gauloises, é criada a Southern Traverse, competição concebida dentro dos mesmos moldes do da competição francesa, mas com uma duração um pouco mais enxuta, de quatro a cinco dias. Ao contrário da adventure race de Fusil, a Southern fincou raízes e acontece desde 91 em terras kiwis.
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