
Cohen dirige a equipe médica do Eco Challenge desde 1997
Foto: Arquivo Pessoal/Adrian Cohen

Cohen considera que as altas temperaturas foram as maiores dificuldades da prova
Foto: Arquivo Pessoal/Adrian Cohen

Também participou do time médico do reality show "Survivor"
Foto: Arquivo Pessoal/Adrian Cohen

Equipe médica prestou serviço para cerca de 400 pessoas em Fiji
Foto: Arquivo Pessoal/Adrian Cohen
O médico australiano Adrian Cohen é testemunha de muitas das mais incríveis histórias do Eco-Challenge, a maior e mais dura corrida de aventura do mundo, cuja edição deste ano terminou no último domingo (20) nas Ilhas Fiji, no Pacífico Sul. Cohen, de 41 anos, dirige a equipe médica da competição deste 1997.
De acordo com Cohen e alguns competidores, esta foi a mais difícil edição da epopéia de aventura, devido às altas temperaturas e umidade da região. Das 81 equipes que largaram no dia 11, apenas 23 concluíram o trajeto de 500 quilômetros.
Entre os desafios, os atletas tiveram de montar sua própria embarcação numa das etapas de canoagem, as bilibilli, balsas de bambus usadas pelos nativos. A utilização de meios de transporte locais é uma tradição no Eco-Challenge. Na edição do Marrocos, em 1998, foram usados camelos, e em Bornéu, em 2000, foi a vez das canoas “sanpan”.
Cohen também esteve à frente do time médico do reality show "Survivor", outro grande empreendimento do empresário Mark Burnett , criador do Eco-Challenge. Ele também é diretor da Immediate Assistans, principal fornecedor de serviços médicos e cursos de treinamento na Austrália.
Esta entrevista foi concedida a partir de Fiji, por e-mail. Confira as impressões do médico sobre a corrida, o desempenho dos atletas, a geografia e o povo das mais belas ilhas do mundo.
360 Graus - Que diferenças você observou entre os cuidados médicos realizados em Fiji e nas edições anteriores?
Adrian Cohen - Comparando com as edições anteriores, houve um número muito maior de traumas e desidratação. Tudo isso graças ao clima de Fiji, muito quente, e à sua geografia, que alterna altas altitudes, bancos de corais, praias e muito mar.
360 Graus - Quais foram as ocorrências médicas mais comuns lá?
Adrian Cohen – As mais comuns, como sempre acontece na maioria das corridas, foram os problemas nos pés, como bolhas, ulcerações, cortes e arranhões. Além disso, registramos casos de gastroenterite e desidratação. O mais surpreendente foi a ocorrência de hipotermia, se levarmos em conta que o clima no Pacífico Sul é tropical. Mas as quedas na temperatura durante a noite, a chuva e os ventos intensos permitiram essa situação, que fez com que a maioria dos atletas tivesse dificuldades para se manter aquecida.
Vamos aos números. A liderança dos casos de atendimento ficou com os problemas nos pés: 468 casos, sendo 445 entre os atletas, 19 no staff e quatro entre as equipes de TV. Na seqüência vieram os ferimentos e cortes profundos, com 189 casos; traumas em tecidos, 48; tendinite, 44; desidratação, 15; hipotermia, 5. Houve também 87 casos que não se encaixam nestas categorias.
360 Graus - Quantas pessoas foram atendidas durante os dez dias de competição?
Adrian Cohen - Houve perto de mil consultas, 989, para ser mais exato. Destas, 841 foram de atletas; 83 de membros do staff; 59 de equipes de TV e 6 de outras mídias. Houve um caso grave em que precisamos repatriar o atleta e mais 11 internamentos.
360 Graus - Você acompanhou o caso da atleta brasileira Eleonora Audrá, da equipe AXN-Atenah, que abandonou a corrida devido a um ferimento no pulso?
Adrian Cohen - Sim, estive com ela. Nora sofreu um corte na mão que resultou em septicemia, que é infecção generalizada. Desta forma, ficou muito fraca e desidratada e não pode continuar. Ela foi levada para um hospital em Namaka, onde recebeu todos os cuidados.
360 Graus - Para você, quais foram as maiores dificuldades que a natureza impôs aos atletas?
Adrian Cohen - As altas temperaturas foram as grandes vilãs deste ano. O lado leste das montanhas era muito quente e úmido, e o oeste, tão quente quanto, mas seco. O calor era intenso em toda a região, cheia de altas montanhas e floresta densa. Para você ter uma idéia, a temperatura média foi de 40°, e a umidade relativa do ar sempre próxima a 100%.
360 Graus - Você notou alguma melhora no preparo físico e mental dos atletas?
Adrian Cohen - Sim. Os times de ponta estão cada vez melhor preparados em todos os quesitos. E fiquei surpreso com a excelência das duas novas equipes brasileiras, EMA Brazil e Canon Lontra Radical (Cohen conheceu a equipe AXN-Atenah Brasil na edição 2001 do Eco-Challenge, na Nova Zelândia).
360 Graus - O povo de Fiji tem fama de ser amistoso, ainda que muito tímido e com tradições rígidas. Que traço da sua cultura chamou mais sua atenção?
Adrian Cohen - Eles foram muito amigáveis! É um povo extremamente simpático, por onde andávamos por lá, sempre encontrávamos sorrisos, em todos os lugares.
360 Graus - E houve uma interação entre a equipe médica e a população de Fiji?
Adrian Cohen - Nós tratamos mais de 400 crianças e adultos de Fiji. Esse contato foi muito gratificante!
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