Adventure Camp – a escola

Tema:Adventure Race
Autor: Érica Takenouchi
Data: 20/8/2003

Mais de 100 pessoas estreando em um esporte que só tem crescido: a corrida de aventura. Para começar não precisa muito. Um pouco de condicionamento físico é necessário, mas o mais importante é ter muita vontade de explorar um novo mundo e isso todos tinham de sobra! Gente das mais diversas profissões e idades estavam lá no Parque do Lago para aprender um pouco mais sobre orientação, mountain bike, rafting e técnicas verticais. E, entre um módulo e outro, frutas à vontade, suco, isotônico e muita água para repor a energia de forma saudável.

Começamos com uma aula sobre técnicas verticais. Primeiro entender para que serve cada um dos equipamentos, o que fazer com aquele monte de fivelas e mosquetões... Cadeirinha, primeiro acertar a cintura, depois as pernas, bem perto da virilha, para não machucar durante a descida. Mosquetão, nosso elo com os equipamentos. ATC (aerial trafic control), um tipo de freio, também pode ser usado o 8, mais comum. Cabo solteiro, faz parte do esquema de segurança. Depois é hora de ver como isso tudo funciona junto...

Primeira coisa, fixar o cabo solteiro (que está preso à cadeirinha) na ancoragem (através de um mosquetão, é claro!), depois colocar a corda no ATC (que está preso ao mosquetão da cadeirinha). Pronto! É só esquecer o medo de altura, verificar se a pessoa que faz a segurança lá embaixo está pronta, colocar os pés firmados na base e ir sentando, colocando o peso na corda e pluft! Você está fazendo rapel! A descida é uma delícia e a velocidade depende da vontade de quem desce. Chegando no chão, o primeiro impulso é subir tudo de novo para descer, desta vez um pouco mais rápido, e sentir o friozinho na barriga...

Depois, passamos para o mountain bike. Fácil, andar de bicicleta ninguém se esquece! Pelo menos bem que muita gente gostaria que fosse simples assim... O que nos esperava na prova do dia seguinte seria muita areia e subidas e descidas íngremes. Mas, antes de toda técnica, o primeiro passo é acertar a bike. Para cada pessoa há um tamanho que se encaixa melhor. Ajustar o banco na altura certa faz a diferença para pedalar confortavelmente e não prejudicar as articulações.

E se furar um pneu? Precisa ter um jogo de espátulas para soltar um lado do pneu e uma câmara sobressalente para substituir a furada, depois de ter certeza que o que furou o pneu não está mais grudado no pneu, senão mais uma câmara furada e aí, fim de prova... Depois de tudo feito, é só encher o pneu novinho e continuar rodando! E se, no meio da areia, foi necessário trocar de marcha e a corrente arrebentou? Não se desespere. É só colocar ela no lugar de novo, pegar a chave de corrente e apertar o elo quebrado. Ah, não tem chave de corrente? Fácil, pegue duas pedras, uma apóia e a outra faz as vezes de martelo. Não é o melhor, mas resolve o problema.

Rafting: remar, remar e remar. Mas existem remadas e mais remadas, frente, ré (todos ré, direita ré, esquerda ré), meia-lua (para mudar a direção)... Antes de remar, conhecer os tipos de bote, saber o que fazer quando o bote vira e como proceder em um resgate. Sabia que existem vários tipos de coletes salva-vidas? E que o de águas brancas (rios com corredeiras) tem a parte da frente com mais flutuação e ainda tem um travesseirinho fazendo com que a pessoa, mesmo estando inconsciente, bóie de barriga para cima e com a cabeça fora d´água?

Entendendo os procedimentos, é só seguir os comandos do guia na maior sincronia possível. No bote, todos têm que estar antenados no curso do rio e nos companheiros. Não dá para ficar desperdiçando energia remando fora de sincronia! Além disso, tem horas em que um comando pode fazer a diferença entre entrar bem em uma corredeira e virar o bote.

Por fim, a orientação. Não adianta nada estar em boa forma, saber tudo de técnicas verticais, mountain bike e rafting se não sabe para onde ir. Bússolas, mapas... Ah, mapa todo mundo sabe ler, na escola a gente viu, tem aquele rodoviário que sempre está no porta luvas do carro... É, não é tão fácil assim quando não se tem as vias a seguir marcadinhas no papel. E o que fazer com a bússola? Ah, bússola é para saber onde está o norte. Tá, e daí? O norte é lá e pra que serve isso? Serve para você saber orientar o mapa, depois de calcular o desvio magnético e coisa e tal.

Aprender a ler um mapa, suas curvas de nível, se posicionar nele e escolher o melhor caminho é uma das coisas mais importantes numa corrida de aventura. Nem sempre o caminho mais curto é o melhor. Há vários fatores a serem considerados, como grandes desníveis, terrenos alagados, vegetação muito densa... E são essas escolhas que fazem a diferença entre uma equipe campeã e aquela que vai ser resgatada no meio da noite, depois de ter passado muito frio, sem ter a menor idéia de onde foi parar!

E assim termina um dia de intensa atividade, depois de uma enxurrada de novos conhecimentos, que não serão esquecidos, pois entrarão pelos poros depois de aplicados para sobreviver à prova do dia seguinte!

Nesta reportagem:

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