Amyr Klink comemora 20 anos da Travessia do Atlântico Sul a remo

Tema:Amyr Klink
Autor: Divulgação AKPP
Data: 23/9/2004

De acordo com a associação internacional “Ocean Rowing Society” a travessia solitária do Atlântico Sul em barco a remo permanece única. No último sábado (18), ao completar 20 anos de sua realização, o navegador Amyr Klink recebeu uma festa-surpresa dos amigos, com direito a uma revoada de balões verdes e amarelos na Raia Olímpica da Universidade de São Paulo – onde ele se preparou para a viagem, remando pelo Clube Espéria.

Na madrugada de 10 de junho de 1984, em Lüderitz, porto na costa da Namíbia, o barco a remo de um brasileiro desconhecido recebe autorização para zarpar rumo ao Brasil. Amyr Klink partiria para sua primeira grande viagem marítima, e, ao contrário do que possa parecer, essa aventura do jovem paulistano estava de certa forma acabada. O mais difícil já fora resolvido - previsto, estudado e cuidadosamente planejado. Após construir o barco IAT na baixada fluminense e decidir partir da costa africana, o navegador então com 29 anos de idade aportou solitariamente cem dias depois na Praia da Espera, no litoral baiano. Em 18 de setembro de 1984 nasceu para o Brasil Amyr Klink, então chamado de “navegador solitário”.

Hoje o barco IAT faz parte do acervo do Museu Nacional do Mar - Embarcações Brasileiras, localizado em São Francisco do Sul, Santa Catarina. O museu é um dos mais visitados da região sul do país e foi idealizado também pelo próprio navegador. Sua mostra apresenta as tradições navais tipicamente nacionais. Conta com diversos modelos clássicos, inclusive alguns que já não são mais encontrados em nosso litoral, como as famosas jangadas de piúba.

A partir da travessia a remo, Amyr Klink teve quatro livros publicados pela Companhia das Letras - todos figuraram em lista de mais vendidos - Cem dias entre Céu e Mar; Paratii -Entre dois Pólos; As janelas do Paratii e Mar Sem Fim. Em seus livros ele relata de forma simples as dificuldades superadas e a beleza dos espaços naturais só possível de contemplação quando se entende a sutil relação que une o ser humano à natureza.

Trecho do livro “100 Dias entre Céu e Mar”:

“Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão... solidão foi a única coisa que não senti depois de partir. Nunca. Em momento algum. Estava, sim atacado por uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias. Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudade, mas nunca estará só”.

Dados técnicos da viagem:

I.A.T.
Travessia do Atlântico Sul a remo
Comprimento: 5,94 m
Deslocamento: 1.190 Kg
100 dias de viagem
3.500 milhas navegadas

A "ATA" por José C.B. Furia

Além da oportuna menção à conclusão da Travessia a Remo do Atlantico Sul, ilustrada pela foto em preto-e-branco do jornal "A Tarde", de Salvador, existem outros dados interessantes para velejadores de cruzeiro e aficcionados do mar em geral que coloquei naquela mensagem do próprio dia 18: a "Ata" de chegada à Praia da Espera e a folha de anotação das posições "tais como recebidas via radio-amadores".

Digo "radio-amadores", no plural, pois formou-se uma rede bastante solidária com nomes proeminentes como o do Alvaro Ricardo de Souza (PY2-ARS, o "pai" da antena e instalador do equipamento de rádio a bordo do IAT, já falecido) o Henrique Lüderitz (PY2-EZP, um dos primeiros contactos do Amyr com esse meio de comunicação), o Henrique R. Dantas (PY6-NX, de Salvador, que ofereceu um belo suporte para o pessoal que foi a Salvador para receber o Amyr), o João Ayres da Silva (PY1-ASI, radio-operador do VLCC- "Felipe Camarão" que, junto com o Cmte. Wangler, comandante do próprio, acompanhou toda a travessia, mandando boletins de tempo e conselhos de navegação), Donald Cutrim de Souza (PY1-WO, que levou as informações "fresquinhas" ao alunado da Escola de Marinha Mercante (PY1-EMM) reforçando o entusiasmo desse pessoal pelas coisas do mar, ambiente de trabalho de sua escolha ...

Chegou então o dia 18/09, aniversário da conclusão da travessia do Atlântico Sul pelo Amyr, como se comprova pela "ata" da chegada à Praia da Espera, que vai acompanhada da folha onde marcamos, a cada 3 ou 4 dias, as posições assumidas pelo IAT e informadas "via radio-amadores" à torcida que ficou por aqui.

A propósito, uma das "torcedoras" que esteve lá na Praia da Espera no dia 18 foi D. Asa Frieberg Klink (lê-se Ôssa) a progenitora do navegante...

Ainda tenho o original, que foi escrito e assinado na minha cópia (cinza) do "Dossiê Amarelo" ao qual o Amyr se refere em mais de uma oportunidade.



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