História do Mountain biking

Tema:Biking
Autor: Cristina Degani
Data: 23/5/2001

Meados dos anos 70, rock n' roll com sabor de descoberta, jovens com cabelos longos, corpos esbeltos pela alimentação natural, muita paz e amor, e ciclistas descendo as montanhas da Califórnia em alta velocidade. Foi assim que surgiu o mountain biking, da necessidade de jovens viverem a liberdade em cima de duas rodas, pedalando, junto da natureza e desafiando os limites com sua força e persistência. Além de voarem num downhill.

A subida nem era tão aclamada (ainda mais em se tratando de praticantes nem tão esportistas assim...), mas eles carregavam as bikes nas costas, persistindo, até o topo da descida e despencavam de lá. Adrenalina total. Depois, veteranos do ciclismo olímpico, que tinham como diversão propor desafios cada vez maiores, adotaram como passatempo a subida de um monte ao norte da baía de São Francisco, na Califórnia. Suas bicicletas eram apelidadas de "clunkers" (tranqueiras) e "trashmobiles" (lixomóvel).

Com isso, ciclistas como Tom Ritchey passaram a desenvolver equipamentos e acessórios para um tipo de ciclismo que viraria febre nos EUA dos anos 80. Os percursos eram trilhas e estradas de terra, encaradas com bikes speed e que acabaram sendo tomadas por bicicletas montadas com quadros tipos cruisers. Outros componentes foram acrescentados como câmbios para pedalar força, pneus maiores e freios que respondiam com maior rapidez.

Os grupos de mountain bikers foram aumentando e a vontade de competir entre eles também. Na mesma Califórnia foi organizado então o Repack Downhill, uma primeira prova de descida em Mt. Tamalpais, em que a velocidade na descida mandava. Assim como Ritchey (é, aquele dos quadros e componentes de bike...), Gary Fischer era um desses bikers das "antigas". Tanto um quanto outro se desenvolveram no mercado do ciclismo e têm empresas na área.

E a mountain bike chega no Brasil

Final da década de 80, as bikes do tipo BMX dominam o cenário nacional. Com sua performance radical em circuito artificiais de Bicicross, o aro 20 era tudo de mais adrenalizante que os ciclistas conheciam. Lá pelos idos de 1986 chegava tímida a modalidade no país, com uma filosofia de percorrer caminhos alternativos, usando algumas manobras do BMX para transpor obstáculos naturais e, principalmente, para viver o contato com a natureza. Surgia no vocabulário brasileiro o “single trek”.

Os primeiros mountain bikers vieram do aro 20, até pela familiaridade com o esporte e agilidade nas manobras. O esporte sobre duas rodas se popularizou com empresas como a Caloi e a Monark, que investiram na fabricação das mountain bikes e incentivavam os passeios.

O primeiro campeonato oficial foi o Cruiser das Montanhas, em 1988, em Campos do Jordão (SP), point idolatrado por ciclistas. Em 1996, o mountain biking estreou nos Jogos Olímpicos de Atlanta, na modalidade Cross Country. Atualmente, diversos campeonatos com Mundial, Panamericano, Sul Americano, Brasileiro, Estaduais e Intermunicipais dão o tom do esporte, que tem como base os muitos ciclistas amadores.

Com a abertura do mercado brasileiro em 1992, várias marcas de difícil acesso e muito cobiçadas entraram no país, como Scott, Specialized, Trek, Cannondale, Ritchey, Giant e outras. O melhor quadro passou a ser de cromo molibdênio, que depois foi superado pelo alumínio e, depois, pelo titânio. Os freios e câmbios mecânicos passaram usar outras tecnologias, como hidráulica e a disco. As suspensões (ou amortecedores) estão entre os componentes da bike de cross country, mais ainda, de uma biker de downhill, que pode ser tipo full-suspension.

O esporte movimenta um bom mercado. Nos passeios ciclísticos nas principais capitais brasileiras, nota-se a preferência por mountain bikes e muitos ciclistas de final de semana já se passeiam com segurança há um bom tempo por estradas de terra. Os single trek são muito procurados por aqueles que desejam um bom mais de aventura e de estar mais dentro da natureza.

Atletas brasileiros têm se destacado em eventos mundiais, (Edu Ramires, campeão mundial de Cross Country), provas bem estruturadas e conhecidas no país (Iron Biker e MTB 12 Horas), indústria de ciclismo investindo (Caloi e Sundown) e as mais diversas lojas especializadas no mundo bike.



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