
Edivando em ação
Foto: Fábio Piva/PPPress

Edivando comemora conquista do bicampeonato da Copa Internacional de MTB
Foto: Fábio Piva/PPPress

Jaque e Edivando no pódio
Foto: Fábio Piva/PPPress 2

Bikers durante a largada da última etapa da Copa Internacional de MTB
Foto: Fábio Piva/PPPress
EXCLUSIVO - No último dia 22, o biker paulista Edivando de Souza Cruz se tornou o primeiro bicampeão da categoria Super Elite da Copa Internacional Powerbar Reebok de Mountain Bike 2006, em Congonhas (MG). Ao contrário da modalidade cross country, adotada nas três primeiras etapas, a final foi uma maratona de aproximadamente 60 km e com pontuação dobrada.
Vando completou a prova em duas horas, 17 minutos, 17 segundos e 50 centésimo e ficou com o sexto lugar da disputa. A marca deu 108 pontos ao atleta que, somados aos 287 pontos anteriores, o levaram ao título do circuito com 395 pontos. O biker brasiliense Abraão Azevedo foi o primeiro colocado da competição e acabou conquistando o vice-campeonato da copa.
Para Edivando, a vitória marcou, mais uma vez, seus 13 anos de carreira no mountain bike. “Antes, eu possuía um título de Copa Internacional, que já me dava peso. Me tornar o primeiro bicampeão, me dá um status melhor como um atleta brasileiro”, explica. O ciclista venceu o circuito pela primeira vez em 2003.
No entanto, o triunfo não foi tão fácil. Segundo o biker, até o terceiro quilômetro, o competidor Ricardo Pscheidt (Scott/Manitou/Joel) estava na primeira posição e ele, na segunda colocação. “Eu sabia que ele era o adversário principal a ser marcado. Logo, não podia deixar que fizesse uma fuga. Por conta disso, colei nele”, lembra.
O pneu furado e o “Todos contra um”
Graças a um pneu furado, a boa posição do início da prova foi perdida. “Isso é uma coisa comum no mountain bike e, nessa etapa, muita gente teve problema com o pneu”, esclarece.
No momento em que o problema mecânico ocorreu, o ciclista ficou preocupado. “Na hora pensei que a pontuação dobrada iria dificultar o meu desempenho. Contudo, o título ficou mais disputado e a vitória, mais valorizada”, analisa.
Porém, esse não foi o único empecilho que o atleta enfrentou. “Quando tentei me recuperar, percebi que os competidores não queriam que eu alcançasse o Pscheidt. Como a competição tinha a pontuação dobrada, abriu-se uma chance para que todos pudessem buscar o campeonato. Dessa forma, houve um momento em que todos estavam contra mim”, diz. “Nesse instante, tive de colocar a cabeça no lugar e fazer uma prova de recuperação”, completa.
O circuito de 2006
De acordo com o biker, 2006 foi o ano em que ele deu mais ênfase ao treinamento do cross country. “Optei por isso porque estou visando os Jogos Pan-Americanos (em 2007, no Rio de Janeiro) pois é provável que as disputas de cross country sejam usadas como seletivas”, afirma. “Além disso, as prova brasileiras do gênero já estão somando pontos para o ranking das Olimpíadas de 2008 (Pequim). Então, esse resultado foi muito importante para a minha carreira e minha equipe”, declara.
Vando avalia a sua atuação no circuito como ótima. “No campeonato, tive dois primeiros e um segundo lugares. Então, eu tive uma performance excelente e muito regular”, crê.
Questionado sobre a matemática que a organização da Copa Internacional de MTB usou para definir o campeonato, o ciclista descordou do conceito pontuação dobrada “Para mim, fazer todas as provas sem a pontuação dobrada, é a forma mais correta. Tive uma performance excelente nas etapas de cross country e, de repente, uma maratona poderia desmerecer todo o trabalho que fiz”, dispara. “O cross country é o que levantou a Copa Internacional de MTB e fez dela o que ela é hoje”, lembra.
Apesar da posição, Vando afirma ter gostado da prova. “Foi excelente. Não reparei no percurso porque estava muito concentrado, mas as trilhas foram muito legais de andar, velozes e perfeitas para uma competição de maratona”, analisa. “Na verdade, Minas Gerais não tem o que falar, é um local excelente, é um paraíso para o mountain bike”, conclui.
Planos para 2006 e 2007
Nos últimos dias desse ano, Vando disputará mais provas como o Desafio de Paraibuna e outras competições no estado de São Paulo. Uma outra possibilidade é correr nos Jogos Sul-Americanos, em Buenos Aires. “A minha participação ainda não é oficial, mas há uma chance de 99%. Depois disso, irei descansar da metade de novembro até a metade de dezembro”, adianta.
No entanto, o biker não irá parar totalmente durante o seu recesso. O atleta participará da primeira edição do Desafio Ilhabela Cross Marathon de Mountain Bike 2006 e de um biatlon. “Nesse período, irei praticar o esporte de forma mais descontraída, sem aquela pressão. Além disso, descansarei mais do que o normal, isto é, ficarei dois ou três dias sem pegar na bicicleta”, comenta. “Essa fase de transição é importante para o atleta recarregar as forças para as próximas temporadas”, defende.
Vando retornará ao treinamento em dezembro porque em julho acontecerá o Pan-Americano. No mesmo período, o biker começará a correr e priorizar as provas de cross country estrangeiras e nacionais válidas, respectivamente, pelos rankings da União Ciclística Internacional (UCI) e Brasileiro.
O competidor fez essa opção por conta das possibilidades que a modalidade traz à sua carreira. “Escolhi o cross country porque a disputa se torna olímpica e, para competições desse gênero, o ranking da UCI é separado. Meu objetivo são os Jogos Pan-Americanos, as Olimpíadas e os Campeonatos Mundiais de cross country”, justifica.
A maturidade e a Copa Internacional de MTB 2007
Depois do bicampeonato, Vando admite que está maduro. “Atualmente, estou visando a prova. Há atletas que não sabem programar uma temporada e saem dando tiro para todos os lados”, ressalta. “Eu sou diferente. Sei qual é a competição que tenho de andar e sei entrar tranqüilo na prova sem colocar pressão sobre mim mesmo. E isso demonstrar maturidade”, reconhece.
O campeão adianta que participará da Copa Internacional de 2007 e, timidamente, anuncia que brigará pelo tricampeonato. “No ano que vem, vou entrar em outra fase e se conseguir o tri, será melhor ainda”, diz.
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