
Jaque comemora vitória da terceira etapa
Foto: Fábio Piva/PPPress 2

Jaque concede entrevista aos jornalistas
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O vencedor da maratona, Abraão Azevedo
Foto: Fábio Piva/PPPress 2

Jaque corre na última etapa da Copa Internacional de MTB
Foto: Fábio Piva/PPPress 2

Bikers durante a largada da última etapa da Copa Internacional de MTB
Foto: Fábio Piva/PPPress
EXCLUSIVO - Sim, as mulheres também detonam na mountain bike. Em 22 de outubro, com 80 pontos, Jaqueline Mourão levou para casa o tricampeonato da Copa Internacional Powerbar Reebok 2006, em Congonhas (MG). Jaque já havia conquistado o título máximo em 2001 e 2002.
A biker mineira terminou a última etapa, uma maratona de 60 km com pontuação dobrada, em duas horas, 41 minutos, 50 segundos e 84 centésimos. A diferença de seu tempo para o primeiro colocado entre os homens, o atleta Abraão Azevedo, foi de aproximadamente 30 minutos. Azevedo completou o circuito em duas horas, 11 minutos, 54 segundos e 94 centésimos.
Durante a competição, a atleta liderou praticamente a prova inteira e chegou a correr no primeiro pelotão masculino. “Alguns homens, que estavam na frente, tentaram me atacar todo o tempo. Foi muito difícil pois a cada momento havia um atrás de mim, mas quando isso aconteceu, pensei: ‘Se segura, pense na sua corrida’”, conta. No entanto, a ciclista reconhece o “cavalheirismo” dos colegas de esporte. “A maioria me incentivou, mas alguns não queriam perder para a Jaque ou para uma outra mulher. Existe a competitividade entre homem e mulher no mountain bike”, afirma.
Apesar de não ter enfrentado problemas técnicos, a atleta levou um tombo no percurso. “Não me machuquei, contudo molhei as minhas mãos na queda. Dessa forma, tive de correr com guidão umedecido”, diz.
O famoso soca tudo
A competidora conhecida pelo estilo “soca tudo” manteve o costume e, desde a largada, imprimiu um ritmo forte, mas ao mesmo tempo ponderado. “Fui consciente, me poupei e cuidei do meu equipamento. Tive de me hidratar bastante, a cada uma hora abri um sachê de gel para repor as energias e prestei muita atenção para não errar o caminho.”, admite. “Evitei cair em buracos e encarei cambiagens muito perigosas. Mas, mesmo com o tombo, avalio a minha performance com nota 10”, completa.
Das três etapas de cross country da Copa Internacional de MTB, Jaque participou apenas da primeira e da terceira e revelou que a final do campeonato foi a sua primeira maratona do ano. “Nessa modalidade, depois de duas horas e meia de competição, tenho um tipo de clique e começo a andar muito rápido”, conclui.
Mesmo com o elemento surpresa, a ciclista confessou que temeu ser superada pelas adversárias. “Como não consegui fazer muitas preparações para provas longas, fiquei um pouco preocupada no início da disputa. As meninas estavam bem perto, mas depois comecei a abrir vantagem”, declara.
Segundo a biker, o percurso foi dinâmico, bem sinalizado e com trilhas técnicas. “Em nenhum momento duvidei se estava no caminho certo”, afirma.
Para Jaque, o conceito pontuação dupla interferiu positivamente no circuito. “Independente dos problemas enfrentados, essa nova pontuação dá oportunidade para todo mundo se tornar campeão”, dispara. “A última etapa é a mais importante, dá um peso maior e mostra quem é o atleta mais completo”, acredita.
“Estou realizada!”
Aos 31 anos de idade e com dezenas de títulos nacionais e internacionais como o campeonato dos Jogos Sul-Americanos de 2002, Jaque se sente realizada e amadurecida. “Já são quinze anos. Comecei a olhar e vi o quando conquistei. Atualmente, muita gente fala: ‘Você abriu portas para nós’”, conta. “Agora vejo uma nova geração. Acho que os fiz acreditar que é possível, e isso me deixa muito feliz”, completa.
Antes da entrevista exclusiva ao 360 graus, a atleta foi cercada por fãs que pediam fotos e autógrafos, entre eles, um havia um grande número de garotas de aproximadamente nove anos de idade.
A primeira brasileira a se classificar para provas de MTB nas Olimpíadas, vive hoje no exterior e, com a sua experiência, crê que, no Brasil, o esporte entre as mulheres está crescendo. “As brasileiras estão cada vez mais potentes no cross country. O nível técnico e a competitividade entre as atletas estão cada vez maiores”, resume.
A Copa Internacional de MTB 2007 e a solidão de Jaque
A biker não sabe se poderá correr a nona edição da Copa Internacional no ano que vem e com um “se Deus quiser” entrega a participação nas mãos divinas. “O calendário internacional ainda não está pronto, mas, se eu tiver uma brechinha, virei pois é sempre muito bom correr no meu país”, justifica.
A ciclista gosta de competir no Brasil porque ganha afagos de seus admiradores. “Aqui, vejo o pessoal e recebo carinho, o que me motiva e recarrega as minhas energias para as próximas provas”, diz. Num momento mais íntimo confessa: “A minha rotina tornou a minha vida, de certa forma, bastante solitária. Abri mão de muitas coisas. São 24 horas pensando em performance, em alimentação e no sono”.
Como uma típica mineirinha, Jaque desconversa sobre a busca do tetracampeonato e, mais uma vez, joga a possibilidade para os céus.
E a vida continua...
No dia 17 de novembro, junto com a delegação brasileira de MTB, Jaqueline Mourão representará o país nos Jogos Sul-Americanos, na Argentina. Após a disputa, a atleta planeja descansar por três semanas e, em fevereiro de 2007, esquiará no Campeonato Mundial do Japão.
Mas, as meninas dos olhos da biker são os Jogos Pan-Americanos de 2007 e Olímpicos de 2008. “Vou focar no Pan-Americano e nas Olimpíadas. Para o primeiro, preciso me classificar, pois ainda não sei quais serão os critérios para conseguir uma vaga. Também quero buscar a classificação olímpica e, com isso, abrir espaço para o Brasil em Pequim”, anuncia.
Para saber mais sobre a carreira de Jaqueline Mourão, acesse www.jaquemtb.com.
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