Entrevista com Adriana Nascimento, campeã brasileira de mountain bike

Tema:Biking
Autor: Chris Bueno
Data: 16/7/2003

Ela tem 27 anos, 12 dos quais passou pedalando. Já conquistou oito vezes o Campeonato Brasileiro de MTB cross-country e é tetra-campeã do Iron Biker. Em 1997, foi campeã Pan-americana e, em 1994, 4ª colocada no Mundial Júnior. Considerada um dos maiores nomes do ciclismo nacional, Adriana Nascimento é sempre uma das favoritas em qualquer competição que participe. Formada em Educação Física, divide seu tempo com treinamentos, competições e projetos de trabalho voluntário em escolas públicas com crianças e adolescentes carentes. Com garra típica de ariana, conquistou lugar de destaque entre as mulheres e o respeito dos homens no ciclismo nacional. Nesta entrevista, ela fala sobre seu início no ciclismo, sua rotina, a participação feminina em grandes competições e planos futuros. Confira!

360 Graus - Como foi seu início nas competições de ciclismo?
Adriana Nascimento - Sempre fui toda atleta, meu sonho era ser atleta. Comecei correndo a pé, e já corria a São Silvestre com 14 anos. Com 15, comecei a correr de bicicleta. Meu pai corria de bicicleta e minha avó me deu minha primeira bicicleta. Acho que já estava no sangue! E desde o comecinho eu pensei em competir profissionalmente. Como eu me destaquei desde cedo, e consegui bons patrocinadores logo, fui levando esse meu sonho adiante.

360 Graus - O ciclismo foi sempre um sonho, mas você imaginava que fosse chegar tão longe?
Adriana Nascimento - Quando eu comecei eu queria chegar longe, ser uma grande atleta, mas nunca imaginei que pudesse ser tudo isso, que eu fosse chegar tão longe. Os 12 anos que passei competido valeram 120. Esse esporte é muito rico.

360 Graus - Atualmente, como é sua rotina?
Adriana Nascimento - Treino cerca de três horas todos os dias e faço musculação três vezes por semana. Além disso, estou sempre tentando trabalhar. Minha profissão é professora de Educação Física, mas eu não consigo manter um emprego fixo por causa da minha rotina de competições, então tenho sempre que trabalhar como voluntária.

360 Graus - E como é esse trabalho?
Adriana Nascimento - Eu trabalho com crianças carentes e também com adolescentes de rua. Gosto de desenvolver projetos diferentes nas escolas, ligados a projetos de esportes de aventura. Geralmente eu levo as crianças para fora da escola para praticar algo novo, diferente. Faço atividades como caminhada, ciclismo, rapel, etc.

360 Graus - Nessa rotina apertada, como fica sua vida pessoal?
Adriana Nascimento - Eu moro em Campos do Jordão durante a semana e, nos finais de semana, vou para São Paulo, porque meu marido mora lá. Ele também pratica ciclismo, mas não profissionalmente, e sempre que dá ele me acompanha nas competições, porque ele gosta muito. Aliás, a gente se conheceu durante uma corrida de aventura.

360 Graus - Falando em corrida de aventura, você pretende voltar a participar?
Adriana Nascimento - Adoro corrida de aventura, é fascinante. De 1999 a 2001 eu participei de muitas competições. Mas tive que dar uma parada para dar preferência aos campeonatos de bike, esse ano eu decidi me dedicar mais ao mountain bike. Mas quero voltar a fazer sim, já no ano que vem, se tudo der certo.

360 Graus - Como você vê a participação feminina nos campeonatos de ciclismo?
Adriana Nascimento - Eu acho que a participação feminina cresceu, mas ainda é pequena. As meninas que estão participando tem que ser um exemplo para as outras, para elas verem que não é impossível disputar grandes competições. As meninas tem que vir mais, pra ver o quanto é bom. Tem que arriscar, tem que se aventurar.

360 Graus - E como é a reação dos homens?
Adriana Nascimento - Quando comecei a competir, os homens não admitiam ser ultrapassados por uma mulher. Mas agora já melhorou. Eles vêem que estou fazendo um trabalho sério, então começaram a me respeitar mais.

360 Graus - Para terminar, quais são seus planos futuros?
Adriana Nascimento - No MTB eu tenho todos os títulos que queria ter. Hoje não estou muito correndo atrás de títulos, estou mais querendo vencer competições, vencer obstáculos e desafios. Porque o MTB sempre muda, cada hora é um obstáculo diferente, um novo desafio - e é isso que sempre me leva a competir. Quero desenvolver esse meu lado profissional nos esportes e também minha outra profissão (de professora de Educação Física). Sempre consegui conciliar os dois, vou continuar tentando. Parar de competir, nunca vou parar.



© Copyright 1998 - 2009 - 360 GRAUS MULTIMÍDIA
Proibida a reprodução integral ou parcial, para uso comercial, editorial ou republicação na Internet, sem autorização mesmo que citada a fonte.