Entrevista com Fábio Paiva, 15 vezes campeão brasileiro no esporte

Tema:Canoagem
Autor: Tatiana Gerasimenko
Data: 18/4/2005

Poucas pessoas podem exibir um currículo como o do atleta Fábio Paiva, com os seus mais de 500 prêmios e títulos conquistado no Brasil e no exterior. Foi 15 vezes consecutivas campeão brasileiro, sete em canoagem olímpica e oito em canoagem oceânica. Além disso, é tricampeão brasileiro de rafting e de canoas havaianas. Fora daqui, conquistou a medalha de bronze em rafting nos Jogos Mundias da Natureza e Maratona Internacional de Canoagem Oceânica de 1998. Em 2001 ele aprimorou o histórico com o título do primeiro Campeonato de Canoa Havaiana da América do Sul.

A sua paixão pelo esporte e pela natureza ultrapassou as águas e desembocou na fabricação da primeira canoa havaiana brasileira. Projetou mais de 40 modelos de caiaques e canoas utilizados hoje em todas as competições nacionais. Como diretor da Associação Brasileira de Canoa Havaiana (ABRACHA), foi responsável pela introdução do esporte em mais de 10 cidades espalhadas pelo país. Confira a entrevista e saiba como este atleta e empreendedor encara o esporte e planeja os próximos projetos:


360 Graus - Como você começou a praticar canoagem?

Eu treinava karatê e tive uma distensão na perna. Justamente nesse momento vi o caiaque (1983) como uma forma de exercitar poupando a minha dor na perna, aliando a sensação de liberdade de remar para qualquer lugar, com a força do próprio corpo e, logicamente, em contato muito próximo da natureza. Isso se tornou uma paixão crescente; fui sentindo uma troca muito grande de energia com a natureza e bem estar, proporcionando um grande equilíbrio entre corpo e mente.

360 Graus - Por que tomou o "rumo" das canoas havaianas? O que a canoagem havaiana tem de especial em relação às demais modalidades e outros esportes de aventura?

Não tomei o rumo – como se abandonasse a canoagem. Pelo contrário, a canoagem sempre se fortaleceu em todos os momentos da minha vida. A canoa havaiana apenas foi uma forma de aproximar mais as pessoas para este tipo de atividade, já que, por ser de fácil adaptação, possibilita uma aceitação imediata dos praticantes. É o que mostra o meu site www.canoahavaiana.com.br.

360 Graus - Qual a diferença entre a categoria remo a vela e categoria remo na canoagem havaiana? Qual delas é a sua favorita e por quê?

A categoria remo e vela ainda não se consolidou no Brasil e, particularmente, acho que não pega. Adicionar vela a uma embarcação a remo não dá muito certo; acho que vela é vela, e remo é remo. Quem quer velejar acaba adquirido uma embarcação mais confortável, própria para este esporte. E quem quer remar, não consegue ficar sentando vendo o vento carregar.

360 Graus - Como surgiu a idéia de fundar o Clube Canoa Havaiana?

Fui me sentindo responsável pelo crescimento do esporte no Brasil. Em um determinado momento, senti que não era apenas o desejo de ter uma embarcação destas para remar e compartilhar com os amigos. O interesse das pessoas começava a crescer e a vontade de fomentar o esporte no país começou a tomar força. Tanto é que formei vários núcleos no país, entre eles: Guarujá (1), Santos (2), São Vicente (1), Bertioga (1), São Sebastião (2), Ilha Bela (1), São Paulo-USP (2), Paraná (1), Santa Catarina (1), Distrito Federal (1), Pará (1).

360 Graus - Como o esporte pode ajudar no relacionamento humano?

Temos utilizado esta “ferramenta” (canoa havaiana) como um grande trabalho de relacionamento humano, tanto empresarial, como familiar – entre amigos, etc. Estamos no mesmo barco literalmente. A canoa, para se locomover, precisa: que os componentes se respeitem, que haja sinergia, que haja sincronismo e que haja força. Portanto, como os próprios havaianos falam, ela só anda com astral e muito respeito! Tenho obtido grandes resultados com este trabalho. A pessoa entre para aprender, bem humilde, sem saber de nada, e logo desponta aquele nosso instinto de que só “eu” estou fazendo a canoa se deslocar, só “eu” estou colocando força, e logo depois a pessoa vê que tem que torcer por todos, pois se o emocional não estiver equilibrado, a sua força não conseguirá ajudar a fazer a canoa se deslocar, e porque sozinho a gente não faz nada!

360 Graus - Você acha que a prática tem se tornado mais popular nos últimos anos?

Sim, pois antigamente só tinha o meu núcleo em Santos. Hoje, com a inclusão das canoas nos pontos que falei anteriormente, com seus diretores, já temos muitas pessoas com iniciativa para fazer acontecer também. É um trabalho difícil, mas progressivo!

360 Graus - Como é a sua preparação?

Treino sempre de madrugada, às 5h30, pois o resto do dia me dedico à fabricação de caiaques e canoas (temos 86 modelos diferentes), ajudando a fomentar a canoagem oceânica e havaiana em trabalhos esportivos, ambientais, em expedições, etc.

360 Graus - Qual foi a conquista mais importante da sua vida?

Sem falsa demagogia, foram os amigos que conquistei no esporte, imagina só! Fui o primeiro campeão brasileiro de canoagem de nosso país, e perdurei invicto por 15 anos, viajando para competir, conquistando 582 peças entre troféus e medalhas, sendo que cada um marca uma competição em um lindo lugar, com pessoas maravilhosas que sempre me recebiam muito bem. Agora, se me perguntam sobre o maior desafio da minha vida, com certeza foi o “Desafio Mundial de Rafting”, no Rio Orange (divisa entre a Namíbia e a África do Sul), onde as comportas de uma represa foram abertas para a competição, a 60 quilômetros de distância. Com certeza a coisa era bem perigosa, e obtivemos o sétimo lugar e “com vida”, que é o mais importante. Naquele momento tive uma reflexão embaixo d’água que valeu muito: “Quero desafiar apenas os meus limites, mas nunca os da natureza!”.

360 Graus - O que você tem em mente para os próximos anos?

Continuar desenvolvendo os novos modelos de caiaques e canoas e fomentar o esporte: canoagem e canoa havaiana. Organizar as provas de bombeiros, que é um desafio com canoagem, natação e paddle board (prancha de remada), e trazer para o Brasil o dragon boat, uma canoa chinesa para 22 pessoas, sendo 20 remadores, um leme e um dando o ritmo em um tambor. Estas são as novidades para este ano!



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