Canyoning - Impressões

Tema:canyoning
Autor: Meg Cotrim
Data: 1/8/2001

Era um feriadão de 5 dias, quando eu e um grupo de amigos traçamos a programação: Brotas, a capital paulista dos esportes radicais. Um local perfeito para quem gosta de emoções fortes: rafting, caminhadas, escaladas, cavalgadas, bóia-cross, canyoning ... De todas as práticas, a que causava mais ansiedade era o canyoning. Afinal, iríamos descer cachoeiras altas, bem altas, pendurados em cordas.

Como seria a sensação ao chegar no topo da cachoeira e olhar para baixo ?

Inicialmente, a chuva atrapalhou um pouco, a ponto da programação de rafting, marcada para o primeiro dia, ser adiada.

O rio Jacaré-Pepira estava assustador. Na ponte sobre o rio, pude sentir a força das corredeiras. Um espetáculo de águas descontroladas. Várias trocas de olhares preocupados, mas nenhuma troca de palavras … Porém, o astral do centro nem tão pacato da pequena Brotas, onde se localizam todas as agências de lazer/aventura, fez a descontração voltar. Lá circulam muitos aventureiros, vestidos a caráter. Uns, prontos para o próximo desafio; outros, exultantes, após o retorno de um desafio superado.

Hora do canyoning. Destino: Cachoeira da Cassorova, com duas quedas (35m + 12m), seguida pela Quatis (43m). Total do percurso: 300m, dos quais 90m em desnível. Exatamente os que iríamos descer em cordas. Nível de dificuldade: 3 ( o máximo é 6). Antes, instruções e treinamento em árvores com equipamentos, visando sentir num local controlado o mecanismo do manuseio das cordas e equipamentos. O instrutor, o experiente Carlos Zaith e sua equipe H2Omem garantiam que até velhinho já tinha descido a Cassorova.

Não tinha o menor risco. Tudo pronto, todos devidamente equipados – luvas, capacete, cadeirinha, mosquetões, segurança - fomos para a cabeceira da Cassorova. A equipe fez a ancoragem (instalação das cordas para descida), dois instrutores da H2Omem desceram para fazer a segurança lá embaixo, e Zaith dava o "embarque" ao grupo.

O "embarque" é o momento mais crítico, quando se entra no canyon. Deve ser feito de costas para a queda, tateando com os pés degraus em pedra até conseguir a estabilização, num ângulo de 120 graus, controlando a corda que vai presa na cadeirinha através de mosquetões e um descensor do tipo oito. A seguir é só soltar os pés (você estará pendurado na corda) para iniciar o rapel (ato de deslizar pela corda ). Tudo muito molhado e escorregadio.

Depois, é pura diversão. A técnica de manuseio da corda durante a descida é fácil, não exige força, é pegar o jeito e curtir o visual, interagir com a natureza tendo o privilégio de olhar a cachoeira de ângulos inusitados – por baixo, pelo lado, por dentro… Se molhar a 30m de altura… Bater umas fotos… Sempre tomando cuidado para não tomar uma "tijolada" (termo usado quando a água bate em cheio na cabeça).

No caso da primeira queda da Cassorova, com cerca de 30m, o rapel é negativo, ou seja, a barriga da cachoeira é côncava, o que possibilita deslizar reto pela corda. A segunda queda, de 12m, é convexa, tem uma barriga inicial que precisa ser escalada, com aquele monte de água descendo pelas pedras – e você junto -, para depois deslizar pela corda, de costas, rápido e sem controle, até cair numa piscina natural . Chama-se tirolesa. A sensação é estranha !!! Mas é bem divertido. Claro, depois que termina !.

Próxima descida: Quatis, a maior (43m) e mais esperada. Mas nessa altura todos já estavam bem mais confiantes. Descemos uma trilha pela própria corredeira, dentro d’água, em alguns momentos deslizando de costas pela corredeira, em outros escalando em descida as pedras. Na verdade é uma caminhada dentro do rio. Próximo à Quatis, o grau de dificuldade aumenta, fica bem mais escorregadio. Finalmente chegamos na plataforma no topo da cachoeira. Toda aquela confiança adquirida antes foi embora. Nossa !! É bem alto, alto mesmo. O jeito é descer ou retornar toda a trilha pelo rio e pegar outra trilha íngreme por terra.

A principal dificuldade da Quatis é a entrada. Apesar de ser um rapel negativo, como na primeira queda, a entrada é pelo meio da água da cachoeira (um funil) e a parede é reta no início, tornando-se côncava na seqüência.

Tem de ficar em pé num ângulo de 90 graus, de costas, com o abismo embaixo. Por ser muito escorregadio, quando a entrada não é perfeita, corre-se o risco de ficar de cabeça para baixo, pendurado na corda. Mas nada que não dê para consertar. O problema é controlar o pânico.

Desafio cumprido, a sensação é a de ser o super homem. Enorme prazer pela superação pessoal e dos obstáculos. Amigos para partilhar. E a melhor parte: as histórias pra contar !!!.

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