
Canyoning Encontro das Águas
Foto: Roberto Fernandes/ Equipe 360 Graus

Canyoning Encontro das Águas
Foto: Roberto Fernandes/ Equipe 360 Graus

Canyoning Encontro das Águas
Foto: Roberto Fernandes/ Equipe 360 Graus

Canyoning Encontro das Águas
Foto: Roberto Fernandes/ Equipe 360 Graus
Descer uma cachoeira de 80 metros. Meu medo de altura nunca me permitiu sequer imaginar uma cosia dessas. No entanto lá estava eu, sentada numa pedra, a próxima da fila para realizar o canyoning Encontro das Águas, em Brotas (SP). Naquela fria manhã de domingo já tínhamos descido uma cachoeira menor, de 14 metros, que serviu de treinamento. Mas isso não servia de consolo: 80 metros era muito alto!
O instrutor pediu para que me aproximasse para me preparar para a descida. Com a paciência que só um instrutor de canyoning teria, ele tentava me acalmar, lembrando-me da segurança dos equipamentos e da experiência de todos os instrutores. Meu cérebro registrava todas essas informações: eu sabia que estava segura, que podia confiar. Mas meu coração batia forte, aquele medo irracional incontrolável que deixava minhas pernas moles e minhas mãos tremendo.
Apesar do medo, em nenhum momento pensei em voltar para trás. Uma força, também irracional e inexplicável, me empurrava pra frente, forçava meus limites, incentivava-me a continuar. Eu tinha que tentar. Assim, fui até a beirada da cachoeira. Segurei a corda com a mão direta nas costas, a mão esquerda prendendo a corda por dentro do mosquetão e dando espaço aos poucos. O instrutor, sorridente e paciente, repetia: “vai mais pra trás, mais pra trás!”. “Ele só pode estar brincando!”, pensava, enquanto lentamente obedecia e inclinava meu corpo cada vez mais pra trás.
Dei o primeiro passo, o segundo e pronto: agora era só eu e a cachoeira. Fui descendo enquanto a água gelada me dava um verdadeiro banho. Era muito bom sentir aquela água toda me fazendo companhia durante a descida e formando um lindo arco-íris de 360 graus.
Comecei a dar corda para descer mais rapidamente. Descer, descer, descer! “Meu Deus, essa cachoeira não acaba nunca!”. Não tinha noção do quanto já tinha descido, nem do quanto faltava. De repente, ouvi alguém chamar meu nome. Já tinha chegado ao final! Os instrutores me disseram para segurar na cadeirinha, para me tirarem da cachoeira. Quando dei por mim, já estava no chão.
Com o coração disparado, sentei numa pedra, debaixo de um gostoso sol de inverno, e olhei para a cachoeira, imensa. Não acreditava que tinha feito aquilo! Foi uma sensação muito boa, de vencer o medo, de ultrapassar os limites, de tentar algo completamente diferente. Uma verdadeira conquista para mim. É justamente essa sensação que faz querer repetir a atividade e ir ainda mais longe. Agora eu entendia!





