Mortes no canyoning preocupam entidades oficiais de esportes de aventura

Tema:canyoning
Autor: Redação 360 Graus
Data: 27/2/2004

Mortes durante a prática de canyoning preocupam entidades oficiais de esportes de aventura. Devido aos acidentes fatais, a Associação Brasileira de Parapente, a Confederação Brasileira de Pára-Quedismo, a Associação Brasileira de Canionismo e o Núcleo de Formação da Confederação Brasileira de Montanhismo (representado pela Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo e pela Federação de Montanhismo do Rio de Janeiro) divulgaram uma carta de apoio à Câmara Temática de Turismo de Aventura do Ministério do Turismo, que visa ajudar as entidades na regulamentação e supervisão desta atividade turística.

Na carta, as entidades afirmam que, “somente através de esportistas com formação técnica e equipamentos adequados é que nossas atividades esportivas podem ser praticadas com segurança, independente se dentro de uma atividade comercial ou não”.

Este ano duas pessoas morreram durante a prática de canyoning. No último domingo (22), o empresário Sérgio de Mello, de 25 anos, sofreu um acidente fatal quando praticava canyoning em Santa Rita do Passa Quatro (MG). Mello descia uma cachoeira de 80 metros sem ajuda de instrutores. A corda enroscou-se em uma pedra e acabou arrebentando antes que os bombeiros conseguissem fazer o resgate. Mello caiu no rio e foi levado pela correnteza. O corpo do empresário só foi encontrado no final da tarde de terça-feira (24). Em janeiro, a bancária Andréia Cristina da Silva, de 27 anos, participava da atividade com colegas em Brotas, no interior de São Paulo, quando se acidentou. O acidente ocorreu por uma falha de comunicação, um dos instrutores pediu para que Andréia soltasse a corda muito cedo e outro, que fazia a segurança na base, acabou confundindo as cordas, permitindo que Andréia caísse livremente sobre as pedras, machucando-se gravemente e falecendo no hospital.

Leia na íntegra a carta das entidades

As entidades abaixo relacionadas manifestam através deste documento apoio a Câmara Temática de Turismo de Aventura do Ministério do Turismo.

Nossas práticas desportivas, em maior ou menor extensão, possibilitam que turistas sejam levados em passeios, desta forma, recebemos com satisfação o interesse do Ministério do Turismo no desenvolvimento das vertentes comerciais de nossos esportes.

Tradicionalmente esta atividade turística vem sendo regulamentada por nossas entidades, pois há anos nossos esportistas as exploram comercialmente. Algumas, conforme suas características, são realizadas quase que exclusivamente dentro de clubes, como por exemplo o Pára-quedismo e o Parapente, outras em diversas áreas como o Montanhismo e Canionismo. Enquanto a exploração comercial era realizada quase que exclusivamente por esportistas com formação adequada em clubes ou áreas conhecidas, eram muito difíceis relatos de mortes ou acidentes com turistas.

Recentemente, com o desenvolvimento do chamado Turismo de Aventura e a possibilidade de lucros fáceis em uma atividade esportiva prazerosa, pessoas desprovidas de formação técnica, muitas vezes utilizando equipamentos inadequados, passaram a explorar abusivamente nossas práticas esportivas.

Com isto, começaram a aparecer na mídia notícias de mortes e acidentes com turistas que poderiam ter sido evitadas se houvessem mecanismos efetivos de regulamentação desta atividade comercial, que utiliza nossas técnicas esportivas.

Somente através de esportistas com formação técnica e equipamentos adequados é que nossas atividades esportivas podem ser praticadas com segurança, independente se dentro de uma atividade comercial ou não. Por isso, na qualidade de Entidades Nacionais de Administração Desportivas, nos termos do artigo 217 da Constituição Federal e da Lei 9.615/98, sendo tradicionalmente responsáveis pela formação de nossos praticantes, colocamos nossos departamentos técnicos e estrutura de clubes e federações a disposição do Ministério do Turismo, para juntos, estabelecermos efetivos mecanismos de regulamentação das nossas vertentes turísticas, em prol do desenvolvimento desta importante atividade econômica e da segurança dos consumidores.

Assinado:
Associação Brasileira de Parapente
Confederação Brasileira de Para-Quedismo
Associação Brasileira de Canionismo

Núcleo de Formação da Confederação Brasileira de Montanhismo representado pelas:
Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo
Federação de Montanhismo do Rio de Janeiro



© Copyright 1998 - 2009 - 360 GRAUS MULTIMÍDIA
Proibida a reprodução integral ou parcial, para uso comercial, editorial ou republicação na Internet, sem autorização mesmo que citada a fonte.