Estudo aponta que espécies de aves estão desaparecendo muito rápido

Tema:Ecologia
Autor: Eduardo Geraque/Agência Fapesp
Data: 4/7/2006

Desde o fim do século 15, quando europeus começaram a ter contato com um continente que não conheciam, 1,3% das 10 mil espécies de aves atualmente descritas foram extintas. Estima-se que a taxa de extinção era de uma espécie a cada século. Hoje, estimativas apontam para o desaparecimento de uma espécie a cada quatro anos.

Segundo um novo estudo feito nos Estados Unidos, a situação é ainda pior. Para os autores da pesquisa, publicada nesta segunda-feira (3/7) na edição on-line da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), as taxas atuais estão muito subestimadas.

“Ao lado de ilhas no oceano Pacífico, ou países como Colômbia, Equador e Bolívia, regiões como a Mata Atlântica brasileira também apresentam problemas”, disse Peter Raven, diretor do Jardim Botânico de Missouri e um dos autores do trabalho, à Agência FAPESP. Para o pesquisador norte-americano, na costa brasileira há muitas espécies raras de aves vivendo em pequenos grupos, o que dificulta bastante a manutenção desse grupo taxonômico.

“Há situações críticas em outros pontos do mundo. Em linhas gerais, o problema é maior em áreas onde os grupos de aves são muito pequenos e a população humana ou o uso da terra crescem em um nível muito rápido”, disse.

Por conta de todos esses problemas, e do maior conhecimento científico existente hoje em relação aos séculos passados (a maioria das espécies foi descrita pelos cientistas a partir de 1850), os pesquisadores defendem uma atualização na taxa de extinção das aves. Pelo novo cálculo, ela estaria em aproximadamente uma espécie extinta por ano.

Diante desse diagnóstico, e da estimativa de que a taxa possa crescer até dez vezes até o fim do século, o que significaria o fim de todas as espécies de aves, o próprio Raven indica o caminho para que tais animais, principalmente os raros, sejam preservados. E isso apenas poderá ser feito por quem, nos últimos 1,5 mil anos, destruiu as florestas tropicais do mundo: o homem.

“Preservar os habitats das aves é fundamental. Precisamos trabalhar pela coexistência entre animais, plantas e humanos, principalmente nas cidades e em seus entornos”, resume o pesquisador.

Em um processo de ocupação do Cerrado pela soja, por exemplo, como o que ocorre no Brasil, há espaço para ações diferentes das que estão sendo feitas. “Fragmentos da mata poderiam ser deixados intactos. Parques naturais poderiam ser criados. Pesticidas e fertilizantes deveriam ser utilizados de forma mais espaçada, e assim por diante”, disse Raven.





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