
Desmatamento Ilegal
Foto: ©2003 Greenpeace/Daniel Beltra

O Brasil já é o quarto maior emissor mundial de gases de efeito estufa, principalmente em função do desmatamento e das queimadas
Foto: Greenpeace/Araquém Alcântara

Ativistas do Greenpeace em protesto contra o desmatamento da Amazonia
Foto: ©Greenpeace/Ricardo Beliel

Queimadas
Foto: Margi Moss
Diminuir o desmatamento de florestas tropicais pode ser a maneira mais barata para reduzir os gases de efeito estufa e estabilizar o aquecimento global, de acordo com artigo escrito por um grupo internacional de cientistas e divulgado nesta quinta-feira (10/5) no site da revista Science.
Segundo o texto – publicado na seção Policy Forum, que recomenda estudos que podem ser utilizados em políticas públicas –, se as taxas de desmatamento forem reduzidas pela metade até 2050 e mantiverem o nível até 2100 será possível eliminar 50 bilhões de toneladas de carbono, o que equivale a mais de 10% dos cortes necessários para manter as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono em 450 partes por milhão (ppm).
Uma concentração maior do que essa, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), levaria o aquecimento para uma margem acima de 2ºC, causando uma catástrofe ambiental em escala global.
No artigo, os pesquisadores utilizaram dados reunidos pelo IPCC para avaliar o projeto Reduzindo Emissões do Desmatamento (RED), lançado pelas Nações Unidas para investigar durante dois anos políticas e incentivos que os países em desenvolvimento possam adotar de modo a frear o desmatamento de florestas tropicais.
Os pesquisadores lembram que o desmatamento de florestas tropicais causou cerca de 20% das emissões de gases estufa de origem humana na década de 1990. Além disso, com o desmatamento, perde-se a capacidade de seqüestro de carbono, o que aumentaria ainda mais as concentrações atmosféricas.
Para um dos autores do artigo, Carlos Nobre, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o texto resume o que tem sido afirmado nos últimos anos pelos cientistas que estudam mudanças climáticas.
“É evidente que a solução de longo prazo é a descarbonização. Mas, no intervalo das próximas décadas, a redução de emissões tem que ser considerada. O artigo mostra que, graças ao IPCC, a revista entendeu o recado que temos passado nos últimos anos”, disse Nobre à Agência FAPESP.
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