Energia via lixo

Tema:Ecologia
Autor: Chris Bueno
Data: 15/9/2008

Poucas pessoas sabem, mas o lixo produzido pelos centros urbanos pode se tornar energia. Isso seria uma solução duplamente ecológica, já que resolveria o problema do lixo (que se acumula em lixões e aterros, representando risco para a saúde e para o ambiente) e geraria uma fonte de energia limpa.

A energia elétrica via lixo pode ser obtida de duas formas: pela incineração ou pela compostagem. No processo de incineração, a energia é gerada através da queima completa dos resíduos secos (como madeira, papel, etc.). Esse processo produz monóxido de carbono (CO), que apresenta poder calorífico, isto é, pode ser queimado para gerar energia.

Já no processo de compostagem é feita a fermentação anaeróbica (decomposição da matéria orgânica, como restos de alimentos) do lixo por microorganismos, gerando um conjunto de gases denominado biogás. A fermentação é geralmente feita em biodigestores, ou em aterros sanitários munidos de sistema de dutos de coleta do biogás. O biogás possui entre 50% e 70% de metano (CH4), que tem poder calorífico.

As vantagens dessa técnica não são apenas ecológicas, mas também sociais e econômicas. Com a transformação do lixo em energia, os riscos à saúde humana - causados pelos lixões e aterros, pelos gases poluentes que produzem e pela poluição em geral – diminuiriam significativamente. Além disso, haveria a geração de empregos nos postos de coletas, nos postos de reciclagem e nas usinas, e o fornecimento de uma energia mais barata.

Economicamente falando, além dos cortes de gastos que a técnica traria, o aproveitamento de resíduos é considerado uma alternativa viável para substituir combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás), sendo uma boa opção para a redução da emissão de gases poluentes que provocam o efeito estufa. Com a venda de créditos de carbono, o Brasil poderia vir a arrecadar cerca de U$100 milhões por ano com essa alternativa, de acordo com pesquisadores do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Climáticas (IVIG).

Nos países europeus, nos Estados Unidos e no Japão, gerar energia a partir do lixo é uma realidade desde os anos 1980. Esses países processam 130 milhões de toneladas de lixo, gerando energia elétrica e térmica em 650 instalações. Somente a União Européia extrai mais de 10 mil MW de cerca de 60 milhões de toneladas de lixo por ano em 400 usinas, que são capazes de produzir eletricidade para atender 27 milhões de pessoas (o equivalente a soma da população da Dinamarca, da Finlândia e da Holanda).

Calcula-se que esse mercado movimente cerca de 9 milhões de euros nos 15 principais países da União Européia. Na América do Norte, existem hoje mais de 1.700 usinas de geração elétrica em funcionamento, aplicando cerca de 100 tecnologias diferentes.

Contudo, o potencial brasileiro para transformar lixo em energia permanece subutilizado – quase nada dos resíduos brasileiros é utilizado para gerar energia. São poucas as iniciativas no país que utilizam essa fonte de energia. Bons exemplos aqui são os aterros sanitários Novagerar, em Nova Iguaçu (zona metropolitana do Rio de Janeiro), Bandeirantes e São João, em São Paulo, que utilizam o gás metano resultante da decomposição natural da matéria orgânica para gerar energia.

O aterro Novagerar foi o primeiro do mundo a vender créditos pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), do Protocolo de Kyoto. A energia gerada no Bandeirantes (20 MW ou 160 mil casas) é usada pelo Unibanco e a do São João (24.8 MW ou 198,4 mil casas) é vendida para grandes consumidores, como shopping centers.

Nesta reportagem:

» Alternativas para a crise de energia
» Energia solar
» Energia Eólica
» Biomassa
» Energia via lixo
» Hidrogênio





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