Um carro silencioso, que não polui e é mais econômico do que os atuais. Parece sonho? Mas não é: os carros elétricos já são uma realidade em vários países do mundo, e até mesmo no Brasil. Ainda são poucos os exemplares em circulação, se comparado com os movido a álcool ou gasolina, mas a tendência é que esse número aumente exponencialmente nos próximos anos, justamente por causa das vantagens apontadas acima. Várias montadoras já estão investindo para expandir e popularizar essa tecnologia, e num futuro não muito distante, os carros elétrico já estarão competindo com os tradicionais.
Apesar de parecer futurista falar em carros elétricos, a verdade é que eles são anteriores aos carros movidos à gasolina. O primeiro carro elétrico foi construído em 1838, pelo inglês Robert Davidson. No final do Século 19 havia nas ruas mais carros elétricos do que carros à gasolina. No apogeu dos veículos elétricos, até o transporte coletivo utiliza este tipo de energia – especialmente na Europa, mas também no Brasil (em 1918, na cidade do Rio de Janeiro foi inaugurada a primeira linha de ônibus elétricos do país, pela antiga Light and Power Co. Ltd.).
Todos estes progressos se tornaram possíveis graças às pesquisas do francês G. Trouvé, que já em 1881 permitiam a recarga das baterias. Alguns carros se destacaram neste cenário, como o “Jamais Contente”, o primeiro carro a ultrapassar a barreira dos 100 km/h. E o Baker, que possuía teto e janelas e que rodava até 50 km com uma carga na bateria, atingindo 32 km/h de velocidade. Os carros elétricos eram práticos, silenciosos e charmosos, e ganhavam em disparada dos com motor à combustão.
Da eletricidade à gasolina
Apesar de tantas qualidades, havia algumas barreiras ainda a ser vencidas pela indústria de automóveis elétricos, como as limitações do tempo de recarga e autonomia. Antes que esses problemas pudessem ser resolvidos, no entanto, foi lançado em 1909 o Ford T, carro movido à gasolina que se tornou uma febre na época. No ano seguinte, em 1910, a Cadillac lançou a partida elétrica: agora não era mais preciso gastar tempo girando uma pesada e desengonçada manivela, bastava pressionar um pedal. Isso foi uma verdadeira revolução na indústria automobilística, e viabilizou de vez o carro à gasolina.
Some-se a isso o ingresso das grandes empresas de petróleo neste cenário, que perceberam que seria um ótimo negócio investir no ramo automobilístico e resolveram incentivar o desenvolvimento de tecnologias para o motor movido à gasolina. Um exemplo disso é a Texaco, que já em 1902, nos Estados Unidos, oferecia suporte de combustíveis para o desenvolvimento da indústria automobilística – isso porque em 1892 Rudolf Diesel havia inventado o famoso motor cujo ciclo receberia o seu próprio nome.
Um dos grandes marcos da transição dos motores elétricos para os movidos à gasolina ou diesel foi a 1ª Guerra Mundial. Foi durante o conflito que o motor à combustão se militarizou: ele movia tanques, aviões e barcos. Com o uso militar de veículos à combustão a transição se firmou e tornou-se definitiva, indicando o declínio dos veículos elétricos.
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