Cerrado e mata atlântica: ecossistemas brasileiros em perigo de extinção

Tema:Ecoturismo
Autor: Thiago Romero/Agência Fapesp
Data: 6/2/2005

Da mata atlântica, que vem sendo destruída desde o descobrimento do Brasil, sobraram apenas 8% da cobertura original. Do cerrado, que começou a ser ocupado bem mais tarde, permanecem 22%.

Nos últimos anos, a situação ficou um pouco melhor na mata atlântica, em termos de pressão antrópica. No cerrado, entretanto, o risco continua alto. Os dois ecossistemas brasileiros são os únicos presentes em uma lista de 34 ambientes mundiais, ameaçados de extinção divulgada nesta quarta-feira (2/2) pela Conservação Internacional.

Desde 1999, a instituição não-governamental trabalha com o conceito de hotspots, termo concebido pelo ecólogo inglês Norman Myers, em 1988. Segundo ele, para uma área qualquer do mundo ser enquadrada nessa classificação ela precisa ter perdido 75% no mínimo de cobertura vegetal e contar com pelo menos 1.500 espécies de plantas endêmicas. Na lista de Myers, publicada em forma de livro, os dois biomas brasileiros também estavam presentes.

“Os hotspots foram revistos nos últimos anos e o cerrado permanece na lista. Não tem como ser retirado”, disse o pesquisador Mario Barroso, gerente da Conservação Internacional (CI) para o bioma cerrado, à Agência FAPESP. “Apesar de todos os esforços, as pressões continuam grandes. A ocupação é alta e o comprometimento dos recursos aquáticos também.”

As áreas geográficas mais ameaçadas, segundo a análise da CI, estão no sul do Maranhão e do Piauí e no oeste da Bahia. “Não apenas a soja, mas a agricultura mecanizada como um todo, algodão e milho também estão devastando o cerrado”, afirma Barroso.

Para o pesquisador, a solução é a proibição por completo da atividade agrícola na região. “Se fosse cumprido o código florestal, que prevê os 20% mínimos de área destinada para a reserva legal, seria perfeitamente possível conciliar preservação com produção”, explica. Em termos de áreas protegidas, o cerrado tem hoje apenas 6% de sua área. “Na prática isso é menor. Alguns parques estão sendo ocupados”, diz Barroso.

A lista divulgada nesta quarta-feira – um livro com o detalhamento da fauna e flora de cada uma das regiões será lançado ainda no primeiro semestre no Brasil – tem nove hotspots novos em relação à primeira, de 1999. A maioria dele está na Ásia e na África.

Nas Américas, a única zona que surge como novidade, segundo o estudo que reuniu mais de 400 especialistas e demorou quatro anos para ficar pronto, é a Floresta de Pinho-Encino de Sierra Madre, entre o México e os Estados Unidos.





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