Escondida no Vale do Paraíba, Cunha reserva história e ecoturismo

Tema:Ecoturismo
Autor: Redação 360 Graus
Data: 14/5/2009

Com uma população de um pouco mais de 20 mil habitantes, a Estação Climática de Cunha, localizada a 220 km da capital paulista e a 45 km das cidades de Guaratinguetá (SP) e Paraty (RJ), reserva aos seus visitantes surpresas guardadas desde o século 18.

A cidade - última parada da Estrada Real no Caminho do Ouro, que leva ao porto de Paraty (RJ) -, reserva aos seus visitantes um mergulho na história. Além da arquitetura composta por calçamentos e muros intactos do século 18 em meio à mata fechada, Cunha foi palco de outra página importante da história, a Revolução de 32.

Neste ano houve uma grande batalha entre as tropas constitucionalistas e as tropas federais, onde morreu Paulo Virgínio, pracinha da revolução, que hoje tem um monumento localizado à margens da Estrada Cunha–Paraty.

Cachoeira do Desterro

Cidade dos fuscas (um para cada 13 cunhenses) e situada entre as Serras Quebra Cangalha, Bocaina e do Mar, Cunha é circundada por montanhas, araucárias, áreas preservadas de Mata Atlântica. Para os aventureiros, trilhas para caminhadas e moutain bike, cavalgadas, cachoeiras. O cultivo de shiitake e shimeji, criação de búfalos, caprinos e ovelhas, também caracterizam a cidade, um paraíso que encanta os olhos e a alma.

Duas reservas protegem a natureza caprichosa que emolduram a região - o Parque Estadual da Serra do Mar e o Parque Nacional da Serra da Bocaina, ambos com trilhas variadas e muitas cachoeiras. Há ainda a Pedra da Macela - pico mais alto de Cunha com 1.850 metros de altitude. Lá de cima a vista panorâmica é das baías de Angra dos Reis e Parati em meio a recortes formados por serras e valem que mais parecem pinturas.

Para os adeptos do trekking, as caminhadas costumam ter um charme a mais caso as opções sejam as históricas Trilha do Ouro e Estrada Real. Ambas foram abertas no século 18 e são apinhadas de cachoeiras e vista para o mar.

A primeira tem um percurso de 45 quilômetros - feito em três dias - que era usado como alternativa para levar o ouro extraído em Minas até o litoral sem pagar o imposto cobrado na via oficial. Já o trecho que ainda existe da Estrada Real era utilizado pelos escravos e pode ser percorrido em quatro horas.

Além do contato com a natureza, Cunha oferece ainda um belíssimo artesanato produzido nos vários ateliês de cerâmica espalhados pela cidade. Alguns utilizam a técnica oriental dos fornos noborigama, construídos com tijolos refratários e capazes de produzir um calor de até 1.400 graus.

Os efeitos coloridos e manchados nos vasos, pratos, luminárias e esculturas são produzidos por chamas que não são controladas pelos artesãos, o que torna o resultado do trabalho uma incógnita até mesmo para os artistas. A surpresa virou uma das atrações da cidade nas datas marcadas pelos ateliês para abrirem seus fornos.



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