
Toda equipe da Goodyear antes de iniciar os preparativos para decolagem.
Foto: Roberto P. Fernandes

Preparativos para decolagem
Foto: Roberto P. Fernandes

Marginal do Rio Pinheiros. Bela visão da diferença de cor das águas negras e sujas do rio, contrastando com a cor verde povoada de algas da Raia de remo da USP.
Foto: Roberto P. Fernandes

Comandante Wagner Miggiorin (Coronel Aviador da FAB)
Foto: Roberto P. Fernandes

Sombra do Blimp na Raia do Joquey Club de São Paulo
Foto: Roberto P. Fernandes

Cruzando o Aeroporto de Congonhas
Foto: Roberto P. Fernandes

Mansão num bairro nobre de Barueri - SP
Foto: Roberto P. Fernandes
Não posso dizer que tenho paixão por aeronaves, principalmente pelos grandes jatos comerciais. Tenho uma certa apreensão quando entro numa cabine com mais de 100 pessoas juntas. Sou trancado, pressurizado e logo em seguida obrigado a assistir as regras de segurança caso algo de errado aconteça.
O fato é que “se” ocorrer algo de errado, as chances de sair andando são menores que a previsão de tempo acertar se fará chuva ou sol no dia de amanhã, então, o melhor é relaxar e curtir os escassos recursos gastronômicos e de conforto da classe econômica.
O mais estranho disso tudo é que com aeronaves de pequeno porte, minha apreensão praticamente não existe. Talvez pelo gosto que tenho pela altura, em helicópteros, monomotores ou bimotores, o contato mais direto com o exterior das mesmas, dá uma falsa impressão de maior controle da situação.
Diante disso sempre cultivei um sonho de voar em um dirigível. Sim, aquele mesmo, o dirigível da Goodyear, que suavemente vemos navegando sob o céu de São Paulo e de várias outras cidades e capitais do Brasil.
Na sexta-feira do dia 26 de agosto, tive a grande oportunidade de sobrevoar a capital paulista a bordo desta aeronave, junto com o editor da Revista 360 Graus, Roberto Fernandes. Ao chegar no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (Pama), no Campo de Marte, em São Paulo, fomos convidados a visitar o hangar, onde conhecemos o trabalho de manutenção dos caças F5 da Força Aérea Brasileira (FAB).
Antes do vôo no Blimp, nome comercial do dirigível, da Goodyear, batizado de Ventura, tivemos uma boa aula sobre o funcionamento e procedimentos para o vôo com o Chefe de operações, Maurici Tadeu.
É incrível a estrutura e logística necessárias para a manutenção e vôo do Ventura. São 16 profissionais que o seguem para qualquer ponto quando em viagem. Também são usados dois caminhões e duas vans, contendo tudo o que a aeronave precisa ou pode precisar. Mecânica , manutenção, peças, conserto, gás hélio, e muito mais.
O tamanho do envelope, nome técnico da estrutura inflada, impressiona. Diferente dos imensos dirigíveis alemães, como o Zeppelin, que inclusive tinham vôos regulares para o Rio de Janeiro, os atuais dirigíveis são inflados com o hélio, mais seguro que o hidrogênio, usado pelos alemães. O hélio não é inflamável, entre outras qualidades físicas. O dirigível Ventura é impulsionado por duas hélices com motores de 180 hp cada um.
Mas voltando ao vôo, ao entrar na cabine do Blimp Ventura, que acomoda até oito passageiros confortavelmente, além do piloto, fomos recebidos pelo comandante Wagner Miggiorin, que pacientemente nos explicou os procedimentos de vôo, instrumentos e possível rota que seguiríamos. Junto a nós mais dois passageiros.
Após se soltar de um mastro metálico, que tem a função de prender o Blimp e ao mesmo tempo deixá-lo livre ao vento, igual a uma biruta de aeroporto (funil inflado que mostra a direção do vento), o Ventura é conduzido até o ponto ideal para levantar vôo. Diferente de um balão, que é liberado e sobe dirigido pelo vento, o Blimp, é ajudado pelos motores, decola como um avião, mas de maneira muito suave.
Sua velocidade de cruzeiro fica em torno de 40 nós, mais ou menos 70 km/h. A sensação é de tranqüilidade total. O balanço é para frente ou para trás, dependendo da necessidade de aumentar a velocidade, subir ou descer. O barulho escutado surge dos motores, abafados pelos fones para comunicação entre o piloto e os passageiros.
Os dirigíveis atualmente são considerados como as aeronaves mais seguras existentes, mesmo que os motores parem, funcionará como um balão, aliás, o nome dirigível vem exatamente do fato de poder ser controlado por lemes e ter motores.
Nosso passeio saiu do Campo de Marte e seguiu em direção à rodovia Presidente Dutra. Neste ponto seguimos a estrada até a marginal Tietê que, incomum, estava com trânsito fluindo muito bem. O visual das margens do rio, com suas águas escuras, está melhor por conta das obras de contenção das margens.
Ao longo da margem esquerda do rio tivemos a oportunidade de visualizar a unidade da fábrica da Goodyear no bairro Belenzinho e da vila construída nos anos 40 para abrigar seus funcionários. Em seguida passamos pelo estádio do Canindé e voamos direto para a rodovia Castelo Branco, sempre com o visual da Serra da Cantareira até seu extremo onde fica o Pico do Jaraguá.
Tendo a rodovia como nossa principal referência, tínhamos como objetivo a nova unidade de fábrica da Goodyear, em Barueri. Neste caminho temos uma serra, que, dependendo das condições de vento, impossibilita o vôo no Blimp, o que não foi o caso, pois o clima já havia melhorado muito em relação a nossa saída.
As condições climáticas para um vôo com o Blimp, tem que obedecer certos padrões, principalmente para sobrevoar uma cidade como São Paulo. Teto baixo (nuvens muito próximas ao solo) e ventos muito fortes são fatores limitantes. Uma curiosidade é que o Blimp segue os mesmos corredores visuais dos helicópteros.
No retorno, após visualizar a fábrica, continuamos pela rodovia até chegar em Alphaville e depois, chegando em São Paulo, seguimos pela Marginal Pinheiros. Interessante ver de cima e tranqüilamente o percurso dos dois rios e o encontro do Tietê com o Pinheiros.
Saindo da Marginal pela sua margem direita, pegamos rumo direto para o aeroporto de Congonhas. Neste ponto, pedimos permissão à torre de controle para cruzar sobre o mesmo, o que foi diferente, devido ao grande tráfego aéreo ali e a oportunidade de visualizar grandes jatos comerciais pousarem aos nossos pés.
À frente passamos pelo Parque do Ibirapuera e rodamos duas vezes em cima da Bienal, onde ocorria a Feira de Aventura. Deste ponto foi traçada a rota para chegar novamente ao Campo de Marte.
Cruzamos a Avenida Paulista e a imponência de seus prédios, o Pátio do Colégio, onde tudo começou, cruzamos novamente o Rio Tietê e pousamos suavemente.
Nesta hora mais um procedimento que depende de extrema precisão, experiência e técnica, que a equipe do Ventura “tirou de letra”. O percurso seguido pelo Blimp Ventura obedece rigidamente normas de sobrevôo na capital, devido ao extremo trânsito de helicópteros e aviões, cada tipo de aeronave tem suas rotas definidas e previamente autorizadas.
Além disso existem acordos para que o dirigível não sobrevoe certas áreas, como o o campus da USP, o Zoológico e a Serra da Cantareira, para não causar estresse aos animais.
Realmente gostei muito dessa experiência. Voar em um aparelho, que tem muita história. É aventura, emoção e conhecimento, pois sobrevoar São Paulo com tanta calma faz com que vejamos a cidade com outros olhos, atentos a detalhes impossíveis de serem vistos de outra forma.
» Uma manhã sobrevoando a cidade de São Paulo à bordo do dirigivel da Goodyear
» Galeria - Voando no dirigivel Goodyear por São Paulo
» Memória Aeronáutica: A história do Zeppelin no Brasil
» Curiosidades do Zeppelin
» CICLISMO
» CAMINHADA





