
O empresário Alan Calassa voando uma réplica do 14 Bis na Esplanada dos Ministérios em Brasília. (22/10/2006)
Foto: Margi Moss

Foto histórica do 14 Bis sendo levado para decolagem.
Foto: Divulgação/Cabamgu
Em 1906 um brasileiro conseguiu realizar uma das maiores proezas até hoje alcançadas pelo homem: voar. Alberto Santos Dumont (1873-1932), o pai da aviação, deixou um imenso público nos campos de Bagatelle, em Paris, perplexo. Era 23 de outubro, e a comissão esperava o sinal.
Monsieur Albert deu os retoques finais em sua engenhoca e limpou as mãos. Sinalizou que iria começar e a multidão, que aguardava descrente, abriu caminho. A hélice do 14-Bis começou a girar. Depois de 100 metros percorridos pela máquina de bambu, Santos Dumont decolou para o primeiro vôo da história.
O público assistiu a façanha atônito. O conjunto de 160 quilos conseguiu percorrer 60 metros no ar, entre dois e três metros de altura – até desabar no chão. A façanha surpreendeu a comissão que, deslumbrada com o homem-pássaro, esqueceu de cronometrar o feito.
Mesmo assim, o acontecimento foi divulgado com grande entusiasmo em todo o mundo. Todos os jornais noticiaram, com fotografias autênticas, o vôo de Santos Dumont. Além de ter um monumento erguido no campo de Bagatelle em sua homenagem, o governo brasileiro instituiu o Dia do Aviador.
Engenhoca de bambu torna-se 14-Bis
Pela lei nº 218 o governo estabeleceu que 23 de outubro é Dia do Aviador. O objetivo é acentuar a “iniciativa do notável brasileiro Santos Dumont quanto à prioridade do vôo em aparelho mais pesado do que o ar”.
Este aparelho era uma engenhoca de bambu, revestida de linho. Foi chamado de 14-Bis porque, durante um teste – quatro meses antes do primeiro vôo -, foi acoplado em um balão nº 14. Era necessário avaliar se o avião, de 12 metros de envergadura por 10 de comprimento, tinha equilíbrio para voar.
O motor do 14-Bis era um Antoinette de 50 cavalos. A hélice era instalada na ré, seguindo o que aprendeu em suas experiências com balões. A partir de 1897 Santos Dumont passa a pesquisar uma forma de adaptar um motor de explosão ao balão, conduzindo o aparelho.
O sonho
O sonho de voar era antigo: na infância, leu “A volta ao mundo em oitenta dias” (de Júlio Verne). A partir desta leitura, Santos Dumont volta-se às suas experiências e invenções.
Depois de subir em um balão pela primeira vez, em 1897, empenha-se na tarefa de construir uma máquina que voasse de forma controlada. Começa a inventar o avião.
Em 1906 confirma o que seu pai teria escrito em uma carta: “O futuro do mundo está na mecânica”. Constrói a primeira máquina capaz de voar, em que o piloto escolhe a direção a ser tomada.
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