
Vocês já imaginaram o que seria comprar um Formula 1 e o entregar na mão de
um piloto da década de trinta, campeão na época das "baratinhas"? Talvez com muita ousadia, treinamento e malhação, nosso ex-campeão conseguisse extrair algo próximo a metade do potencial que uma máquina evoluída destas pode
oferecer.
Mande uma mensagem para o autor: Laert Gouvêa
Quando começamos com as primeiras atividades de pára-quedismo e acrobacias aéreas no país, "cobertura radar", era coisa de ficção. Hoje em dia é uma realidade, que com a conclusão do projeto SIVAM, cobrirá todo o Brasil. Para que esta ficção se tornasse realidade, alguns milhões de dólares foram gastos sob o pretexto de que estaríamos modernizando o sistema, ganhando em eficiência e aumentando nossa segurança. Compramos nosso Formula 1!
O problema é que nosso piloto, o sistema, não é capaz de aproveitar as vantagens deste investimento e opera nosso espaço aéreo exatamente como se operava na época das "baratinhas".
Naquela época era fundamental que os NOTANS (aviso aos aeronavegantes), pedidos com quinze dias de antecedência para a prática do pára-quedismo e da acrobacia, fossem expedidos. Essa era a forma mais eficiente na época em que as aeronaves eram desprovidas de rádios e transponders, de alertar a todos sobre a ocupação de um determinado espaço aéreo. Com a implantação dos
controles de área, dos radares e da obrigatoriedade dos rádios à bordo, estes NOTANS tornaram-se desnecessários e obsoletos, sendo hoje umas das maiores barreiras para a prática destes esportes.
Chega a ser patético o fato de investirmos tantos dólares e continuarmos obrigados a ter que adivinhar as condições meteorológicas dos próximos quinze dias, e nos programarmos com tanta antecedência para um simples salto de pára-quedas ou
um mero vôo acrobático em área controlada. Na verdade, com tamanho investimento, não se justifica nem mais o preenchimento de planos de vôo visuais, quanto mais a expedição destes ultrapassados NOTANS.
Vamos lutar pela modernização, afinal, não queremos nada a mais do que já é feito com segurança há anos nos países mais desenvolvidos. Vamos aprender a pilotar nosso Formula 1, vamos evoluir!
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Nota do editor: o texto desta coluna não reflete necessariamente a opinião do site 360 Graus, sendo de única e exclusiva responsabilidade de seu autor.
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