
Nas últimas colunas falei muito sobre evolução e eficiência. Quando falo sobre estes aspectos do sistema não é pejorativamente, já provei em outras ocasiões que são críticas construtivas de quem tem um pouco mais de experiência e vivência na aviação para alertar aqueles que herdam as responsabilidades dos cargos administrativos.
Mande uma mensagem para o autor: Laert Gouvêa
O que me deixa perplexo são os repetitivos erros do sistema, que apesar de alertado para os fatos, impõe regularmente infundadas regras que quando não são revogadas causando grandes alvoroços, acabam provando por si só sua ineficiência. Vou citar aqui alguns exemplos recentes destes atropelos.
O primeiro foi a obrigatoriedade dos cursos teóricos homologados para pilotos, justificado pelo DAC como uma forma de melhorar o nível de conhecimento dos candidatos. Mas esta medida, como já era previsto, passou longe de seu objetivo. Observando os índices de aprovação dos "Pilotos Privados" na última banca do DAC, onde a média de aprovação não passou dos pobres 20%, fica provado que ou não temos escolas sérias e capazes (que não acredito ser o caso), ou não temos um processo sério e eficiente de provas para habilitação. Mas com certeza não podemos ficar calados achando que os culpados são os 80% de reprovados que pagaram e comprovaram presença nestes cursos homologados obrigatórios; temos, sim, é de continuar aspirando pela relutante modernização deste arcaico processo de habilitação de pilotos no Brasil.
Outra medida que causou espanto foi a recente implantação de um novo modelo impresso de "notificação de vôo". Quando já se não justificativa nem mais os "planos de vôo visual" no país, com a implantação de cobertura radar em todo território nacional, implantam uma notificação de vôo ainda mais burocrática com informações semelhantes a de um plano. Será que alguém conseguiria explicar de que forma este novo modelo, mais trabalhoso e caro, agilizou o trafego aéreo nacional?
Para terminar, vamos falar de mais uma estranha medida referente aos planos de vôo. Tornando-se provavelmente insuficientes, os trinta minutos de antecedência para a apresentação dos planos de vôo foram aumentados para 45 minutos. Até aí podemos entender perfeitamente que o acúmulo de tráfego por instrumentos tenha levado a uma medida destas. Mas a pergunta é: O que o tráfego visual tem a ver com isso? O que justifica um avião que vai voar sobre as regras de vôo visual ter que esperar por uma aprovação de plano? Até agora as operações só não se tornaram impraticáveis devido ao bom senso dos operadores das salas AIS e das Torres de Controle, porque no que depende do regulamento, um vôo de São Paulo a Jundiaí, por exemplo, levaria mais de uma hora entre a aprovação e o tempo de vôo, sendo o Brasil o primeiro pais no mundo a ter as viagens de automóvel (em curtas distâncias) mais rápidas do que as de avião.
Qualquer país que aspira uma grande aviação, sabe que terá grandes desafios pela frente. As sugestões e críticas se bem observadas podem se tornar um forte recurso, uma arma eficaz aos legisladores do sistema. Vamos evoluir!
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Nota do editor: o texto desta coluna não reflete necessariamente a opinião do site 360 Graus, sendo de única e exclusiva responsabilidade de seu autor.
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