Rumo à proa ideal

Autor: Laert Gouvêa
Data: 22/5/2001

Com toda certeza, muita coisa deve mudar na aviação esportiva brasileira com a criação da ANAC. Para quem não sabe, ANAC significa Agência Nacional de Aviação Civil, um órgão em fase avançada de criação que vem para assumir as atribuições do DAC - Departamento de Aviação Civil, hoje regido pela Força Aérea Brasileira. A mudança mais esperada é na agilização e desburocratização do sistema, uma necessidade premente que há muito vem impedindo o crescimento do aerodesporto nacional.

A implantação efetiva da ANAC ainda depende de aprovação do Congresso Nacional, entretanto, como hoje passou a ser interesse de todos os setores da aviação brasileira, as previsões apontam para que isso ocorra no máximo em meados de 2002. Até lá veremos pouca ação do atual sistema, essa é uma postura já sentida nas filas e esperas nos serviços de alguns SERACs.

A mudança básica que espero que aconteça é na filosofia do sistema. Que deixe de ser unicamente um órgão normatizador e fiscalizador e passe a ser um órgão prestador de serviços, como deveria ser e fundamentalmente incentivador. Atualmente, apesar de ser chamado de serviço, o sistema nos toma dois dias em filas para uma simples revalidação de licença, leva em média trinta dias para uma vistoria de aeronave, enfim, quem presta o serviço para que possa voar regulamentado é o usuário, e não o serviço. Isso tem que mudar, não se pode continuar desmotivando o aerodesportista que voa por prazer ou abusando dos poucos empresários que ainda continuam investindo no crescimento de nossa aviação.

Nos moldes atuais não existem culpados, a Força Aérea herdou este fardo e delega a oficiais treinados para serem pilotos militares responsáveis por nossa soberania aérea, a função burocrática de administrar a aviação civil. Estes se esforçam em uma área em que nunca atuaram, dando o melhor de si, para manter ao menos o controle de uma função que entre dois a quatro anos estará passando a um sucessor igualmente estranho a área. Vale lembrar que estes oficiais não ganham um centavo por serem mais, ou menos, eficientes ou criativos em seus cargos.

Com a ANAC isto vai mudar e para que seja para melhor, temos que acompanhar, participar e exigir pessoas certas nas cadeiras certas. Homens que nos conduzam à proa ideal, com conhecimentos suficientes para serem cobrados por isso, que tenham entre suas responsabilidades a excelência de qualidade do serviço e um compromisso com desenvolvimento da atividade. Com uma aviação madura como a nossa, não nos faltarão nomes com experiência para nos ajudar a tomar o rumo certo. O importante é que as mudanças chegaram, são inevitáveis e depende exclusivamente de nós a proa em que iremos navegar.

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