Um vôo que vai ficar na história

Tema:Esportes aéreos
Autor: Roberto Fernandes
Data: 18/6/2003

Tudo começou meio que por acaso. E por acaso, acabou acontecendo um dos melhores momentos da aviação no Brasil. O convite veio da Extreme Demonstrações Aéreas e da Revista Freqüência Livre, especializada em aviação. O resultado? Conseguimos registrar um vôo que vai ficar na história.

Segunda-feira de manhã - 9 de junho - Aeroporto de Araras, interior de São Paulo. Um dia depois do término da 7ª feira Internacional de Aviação – Expo Aero Brasil 2003. Enquanto os expositores desmontam seus estandes, seis pilotos planejam detalhe por detalhe todos os momentos do vôo que irão fazer logo mais.

Pela Esquadrilha Oi, os comandantes Carlos Edo, Gustavo Albrechet e Hernani Dipólito com seu instrutor, o Coronel Wylton Silva, vão voar três aeronaves North American T-6, fabricadas na década de 40. Monomotores de treinamento avançado da Segunda Guerra Mundial, estes aviões equiparam a FAB e fizeram parte da Esquadrilha da Fumaça até 1976. O comandante Machado e o co-piloto Paulo Colvara ocupam a cabine do clássico Douglas DC3. No Skyvan, avião utilizado para documentar o vôo, segue o comandante Rodrigo Lobo e seu co-piloto Adriano Eler.

O objetivo: realizar um vôo em formação com três T6s e um DC3, aproveitando o deslocamento para o Rio de Janeiro de um dos poucos DC3 em operação no mundo e o único no Brasil. O Douglas DC3 prefixo PP-VBN, foi o último dos DC-3 operados pela Varig, tendo sido retirado do serviço ativo no ano de 1973. Após voar em várias empresas, o atual VBN (ex-KZG) foi abandonado no aeroporto de Belém do Pará nos anos 80. Salvo de um desmanche quase inevitável, passou por longo período de recuperação, que só foi possível com a união de diversas empresas de aviação, preocupadas em preservar a história da aeronave.

12h30. As cinco aeronaves acionam simultaneamente seus motores fazendo um barulho ensurdecedor no aeroporto de Araras. Afinal, são cinco motores radiais (dois no DC3, cada um com 1.200 HP) além dos dois motores turbo-hélice do Skyvan. Para conseguir suportar o barulho, proteções de ouvido são obrigatórias...

Na decolagem, partem um em seguida do outro os três T6s, o DC3 e por último o Skyvan, onde eu e os dois fotógrafos da Frequência Livre, devidamente presos ao avião, vamos fazer as fotos. Um detalhe interessante da decolagem do Skyvan é que o avião parte com a porta traseira totalmente aberta, permitindo uma visão especial da pista.

Após alcançar a altitude de 5.500 pés, os aviões começam a se aproximar um dos outros. Uma imagem impressionante começa a surgir na traseira da aeronave. O DC3 lentamente vai se aproximando, enquanto nossas câmeras e corações disparam.

Um pouco longe, conseguimos ver a presença dos T6s, já em formação um pouco abaixo de nós. As aeronaves vão chegando perto, e quando estão todas próximas, sob o comando do líder – Carlos Edo, no T6 número 1 - iniciam a geração de fumaça. É impressionante poder assistir a isso de perto.

Um espetáculo de precisão e beleza acontece para uma pequena platéia de três pessoas dentro do Skyvan e, possivelmente, milhares em terra - que com certeza ficaram muito curiosos com o que viram. Dá vontade apenas de ficar apreciando o momento, sem se importar muito com o registro das fotos, de tão emocionante que é assistir a estes aviões com mais de 50 anos em tão perfeito estado de conservação.

As aeronaves ficam nesta posição por alguns minutos, quando então começam a efetuar uma série de diferentes formações. Diamante, escalonado e cobrinha são algumas das posições formadas a uma velocidade média de 270 Km/h.

O espetáculo prossegue, agora com um pouco de turbulência originada pela grande atividade térmica do horário. A esquadrilha muda novamente de posição e agora o show tem que ser visto das laterais do Skyvan, que tem uma janela removível para facilitar o trabalho de fotografia.

É incrível como tudo sai perfeito, conforme planejado no briefing de pré-vôo.

12h50. Final da formação. Após voarmos 30 minutos, despedimo-nos do DC3, que segue seu rumo em direção ao Campo dos Afonsos no Rio de Janeiro, onde o lendário Coronel Braga, integrante por 17 anos da Esquadrilha da Fumaça da FAB na época com os T6s, espera para dar as boas vindas a imponente aeronave.

Retornamos então ao Campo dos Amarais, em Campinas e os T6s seguem para o Hangar da Extreme Demonstrações.

Ao pousarmos, observo o sorriso no rosto de todos, principalmente do Comandante Edo, idealizador do Circo Aéreo (atual Extreme Demonstrações) e principal responsável por manter uma parte da história da aviação brasileira preservada.

Agradecimentos:

Extreme Demonstrações – www.circoaereo.com.br
Skylift Táxi Aéreo – www.skylift.com.br
Projeto Decola DC3 – www.dc-3.com.br
Revista Freqüência Livre

Matéria completa sobre o vôo você vai encontrar na próxima edição da Revista Freqüência Livre, nas bancas.

Nesta reportagem:

» Um vôo que vai ficar na história
» Galeria - Vôo em formação DC3 - 3 NA-T6s
» Wallpapers - DC3 - NA-T6s



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