
Wilbur Wright se preparando para seu primeiro vôo em 1903
Foto: Arquivo/ Museu Wright Bros.Aeroplane Co.

Vôo dos irmãos Wright em 1903
Foto: Arquivo/ Museu Wright Bros. Aeroplane Co.

Primeiro vôo de Santos Dummont no 14bis, realizado em 1906
Foto: Arquivo
"Estou convencido que o vôo humano é possível e prático”. Essas foram as palavras de Wilbur Wright em 1899, poucos anos antes de mostrar para o mundo, junto com seu irmão Orville, que seu sonho era possível. No dia 17 de dezembro de 1903, na cidade de Kitty Hawk, na Carolina do Norte (EUA), os irmãos Wright conseguiram voar 36,5 metros durante 12 segundos com sua aeronave Flyer 1 – fato considerado em parte do mundo, especialmente nos Estados Unidos, como o primeiro vôo motorizado da história.
Nesta quarta-feira (17), completam-se exatamente 100 anos que os irmãos Wright realizaram seu primeiro vôo em uma aeronave motorizada. Um século depois, e a polêmica continua: quem é o verdadeiro pai da aviação, os americanos Walbur e Orville Wright, ou o brasileiro Santos Dummont?
Santos Dummont realizou seu primeiro vôo no dia 12 de novembro de 1906, quando a bordo do aeronave 14bis sobrevoou 220 m do Campo de Bagatelle, em Paris (FR), a seis metros de altura, com uma velocidade média de 41 km/h. Por cumprir todos as normas da Federação Aeronáutica Internacional (FAI) para a realização de um vôo, Santos Dummont recebeu o título de pai da aviação. Os critérios, válidos ainda hoje, são anunciá-lo previamente, efetuar a decolagem da máquina com meios próprios, pousá-la, além de fazer a demonstração em público e diante de uma comissão previamente escolhida.
No vôo pioneiro de Santos-Dumont, milhares de pessoas encontravam-se no Campo de Bagatelle, que correram ao local devido às notícias divulgadas pela imprensa local. Esse vôo foi filmado por uma empresa cinematográfica (“Companhia Pathé”), todos os preparativos do vôo foram fotografados e a grande vitória alcançada por Santos-Dumont foi noticiada pelos mais importantes jornais do mundo. O Aeroclube da França registrou o acontecimento em ata especial.
Em 1908, os irmãos norte-americanos levaram sua aeronave Flyer à Europa e contestaram a paternidade da aviação, alegando que tinham realizado o primeiro vôo motorizado em 1903. No vôo dos Wright, estavam presente cinco testemunhas. Nada foi filmado nem noticiado na imprensa norte-americana. A única prova que os irmãos tinham de sua façanha era uma foto – que, segundo estudiosos, poderia ter sido tirada poucos dias antes.
Segundo o estudioso Henrique Lins de Barros, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), em palestra na Agência Espacial Brasileira, o fato dos aviões dos Wright necessitarem de vento ou de meios externos para alçarem vôo explica a razão deles não terem se apresentado perante uma comissão. Aliás, decolar era o grande desafio. O Flyer dos irmãos Wright tinha potência de 1 cv para cada 28, 5 kg, enquanto o 14-Bis de Dummont tinha 1 cv para cada 6 kg.
Além disso, o motor usado no Flyer, quando este foi levado à Europa, era de fabricação francesa, desenvolvia 50 HP e havia sido fabricado somente em 1907 (quatro anos após o primeiro vôo dos irmãos). Os irmãos afirmaram que antes de adotar o motor francês, utilizaram um motor feito por eles próprios, que desenvolvia 12 HP e fazia o Flyer pesar 340 kg. Lins de Barros declara que o fato torna, senão impossível, muito difícil o vôo com tal aeronave. Colocando lenha na fogueira, no começo deste ano, foi construída uma réplica da aeronave utilizada pelos irmãos Wright em 1903, com o mesmo peso e o mesmo motor - um réplica idêntica. Na hora do teste, a aeronave não conseguiu alçar vôo, aumentando a polêmica a respeito da façanha dos irmãos norte-americanos.
Cem anos depois...
Como ápice da comemoração do centenário da façanha dos irmãos Wright, os Estados Unidos promoveram uma reconstituição do fato histórico nesta quarta-feira (17), numa praia da Carolina do Norte. Apesar da chuva, o evento reuniu 30 mil pessoas e contou com a presença do presidente norte-americano, George W. Bush. Porém, a tentativa de repetir o vôo de Orville e Wilbur falhou: a aeronave apresentou problemas já no momento de acionar as hélices, e, quando finalmente isso foi possível, a réplica deslizou por uma plataforma e, em vez de decolar, ficou na lama. Outras réplicas do Flyer 1 (avião com o qual os irmãos Wright realizaram o alegado primeiro vôo) falharam em outras tentativas da reconstituição da façanha. O piloto da última tentativa admitido o risco de a máquina de 274 kg, feita de madeira e pano e que pode alcançar no máximo 48 km/h, não levantar vôo.
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