A história de Santos Dumont e suas incríveis máquinas voadoras

Tema:Expedições
Autor: Chris Bueno
Data: 23/10/2008

Falta ainda um ano para o centenário da aviação, mas as preparações para as comemorações já começaram aqui no Brasil e na França, onde o brasileiro Alberto Santos Dumont realizou o primeiro vôo motorizado da história. A bordo de seu avião 14-Bis, o aviador sobrevoou por 220m o Campo de Bagatelle, em Paris, a 6m de altura, no dia 23 de outubro de 1906. A façanha conferiu ao aviador brasileiro o honroso título de “pai da aviação”, mas também criou uma polêmica ao ser questionada pelos irmãos norte-americanos Orville e Wilbur Wright, que reivindicaram para si o pioneirismo do vôo.

O Brasil e a França – as duas pátrias do grande inventor e aviador – estão preparando uma série de eventos para comemorar a conquista dos céus por Santos Dumont. No começo do ano o governo federal criou a Comissão Interministerial do Centenário do Vôo do 14-Bis, um grupo de trabalho encarregado de planejar as comemorações em homenagem ao aviador. Enquanto isso, a mostra “J'ai navigué dans l'air” (“Eu Naveguei pelo Ar”) antecipa as comemorações do centenário realizando uma exposição que conta a trajetória do aviador, que nasceu em 1873, em Cabangu (MG) e, aos 19 anos, foi morar em Paris (FR). O evento é organizado pelo Brasil, mas está sendo realizado na França. Em junho, painéis fotográficos e parte do acervo do inventor estarão em exposição no Museu do Ar e do Espaço de Le Bourget (FR), com uma réplica do 14-Bis, que será doada pelo governo brasileiro ao governo francês.

Mas as estrelas das comemorações serão as réplicas do 14-Bis e do Demoiselle, duas aeronaves planejadas, construídas e voadas por Santos Dumont. Só do 14-Bis serão duas ou três réplicas. Uma já está na França. Outra réplica exata está sendo construída pela Universidade de Uberaba (MG). Outra terá a missão de repetir o feito do aviador brasileiro e sobrevoar o Campo de Bagatelle em 2006. As réplicas do Demoiselle (segundo avião desenvolvido por Santos Dumont, com o qual realizava grandes viagens e ia visitar amigos pela Europa) também estão dando o que falar. Uma já construída, esteve em exposição no Broa Fly-In, uma feira de aviação do país, e a outra está sendo construída pelo piloto José Haas de Azevedo, um dos mais respeitados empresários que constrói aeronaves experimentais do Brasil, em Americana, no interior do Estado de São Paulo.

Centenário
Santos Dumont foi o primeiro aeronauta a alcançar a dirigibilidade dos balões e a voar num aparelho mais pesado que o ar com propulsão própria (sem catapulta). Seu sonho de voar começou cedo e cedo o levou à Paris (FR), em 1891, para estudar. Já em 1897 começou a colocar em prática seu aprendizado e empenhou-se em construir uma máquina que voasse de forma controlada.

Mas Santos Dumont não estava sozinho na busca por conseguir realizar um vôo controlado. Vários inventores, engenheiros e cientistas quebravam a cabeça para tentar tornar possível essa façanha, e todos acreditavam que o vôo motorizado estava muito próximo de ser conseguido. Isso acabou se tornando uma verdadeira febre mundial, com inúmeros cientistas testando – sem sucesso – suas engenhocas voadoras e tentando abocanhar o título de “pai da aviação”.

Para incentivar ainda mais as pesquisas neste sentido, o magnata do petróleo Deutsch de la Meurthe ofereceu um prêmio de 100 mil francos para quem realizasse o primeiro vôo controlado em um balão dirigível. Quem estabeleceu os critérios para determinar o que poderia ser considerado “vôo controlado” foi o Aeroclube da França - uma associação que agregava inventores e incentivadores do vôo mecânico. O aeroclube determinou que para considerar um vôo como sendo controlado os aparelhos deveriam realizar um vôo saindo de Saint Cloud, contornando a Torre Eiffel e retornando em um período de 30 minutos. Além disso, o vôo deveria ser anunciado com antecedência e uma comissão designada pelo aeroclube deveria estar presente para elaborar a ata.

Em 19 de outubro de 1901, Santos Dumont conquista o prêmio voando em seu dirigível N-6 projetado, construído e voado por ele apenas três anos após ter iniciado seus experimentos aeronáuticos. O brasileiro prova, assim, ser possível dirigir um aparelho mais leve que o ar. A conquista da façanha foi um incentivo a mais para que o aeronauta se dedicasse ao seu maior invento (e também sua maior conquista): realizar um vôo em um aparelho mais pesado que o ar.

Santos Dumont passou cinco anos estudando, projetando, construindo e testando suas incríveis máquinas de voar. Ele realizou vôos mal sucedidos com suas aeronaves SD-1, SD-5, SD-15. Depois de várias experiências, o brasileiro conseguiu aprimorar suas aeronaves e chegar ao 14-Bis. Este aparelho era uma engenhoca de bambu revestida de linho e recebeu esse nome porque, durante um teste – quatro meses antes do primeiro vôo – foi acoplado em um balão n°14 para avaliar se o avião (de 12 metros de envergadura por 10 de comprimento), teria equilíbrio para voar.

Vôo pioneiro
Santos Dumont realizou seu primeiro vôo no dia 23 de outubro de 1906 quando, a bordo da aeronave 14-Bis, sobrevoou 220m do Campo de Bagatelle, em Paris (FR), a dois metros de altura, com uma velocidade média de 41 km/h. Por cumprir todos as normas da Federação Aeronáutica Internacional (FAI) e do Aeroclube da França para a realização de um vôo, Santos Dummont recebeu o título de pai da aviação.

No vôo pioneiro de Santos-Dumont, milhares de pessoas encontravam-se no Campo de Bagatelle, que correram ao local devido às notícias divulgadas pela imprensa local. Esse vôo foi filmado por uma empresa cinematográfica (“Companhia Pathé”), todos os preparativos do vôo foram fotografados e a grande vitória alcançada por Santos-Dumont foi noticiada pelos mais importantes jornais do mundo. O Aeroclube da França registrou o acontecimento em ata especial.

Com o 14-Bis, Santos Dumont conseguiu realizar o primeiro "vôo mecânico" de mundo, arrebatando o título de “pai da aviação” e os 3.000 francos do prêmio Archdeacon, criado em julho de 1906 pelo norte-americano Ernest Archdeacon, para premiar o primeiro aeronauta que conseguisse voar por mais de 25 metros em um vôo nivelado.

Polêmica
A paternidade da aviação foi contestada em 1908 pelos irmãos norte-americanos Wilbur e Orville Wright. Eles alegaram que tinham realizado o primeiro vôo motorizado da história no dia 17 de dezembro de 1903, na cidade de Kitty Hawk, na Carolina do Norte (EUA), quando conseguiram voar 36,5 metros durante 12 segundos com sua aeronave Flyer 1. O fato é considerado em parte do mundo, especialmente nos Estados Unidos, como sendo o vôo pioneiro.

O problema é que os irmãos não cumpriram os critérios da FAI e do Aeroclube da França: nada foi filmado nem noticiado na imprensa norte-americana. A única prova que os irmãos tinham de sua façanha era uma foto – que, segundo estudiosos, poderia ter sido tirada poucos dias antes. Outro problema é que o avião dos Wright necessitava de vento ou de meios externos para alçar vôo.

Além disso, o motor usado no Flyer, quando este foi levado à Europa, era de fabricação francesa, desenvolvia 50 HP e havia sido fabricado somente em 1907 (quatro anos após o primeiro vôo dos irmãos). Os irmãos afirmaram que antes de adotar o motor francês, utilizaram um motor feito por eles próprios, que desenvolvia 12 HP e fazia o Flyer pesar 340 kg. Estudiosos e cientistas afirmam que o fato torna, senão impossível, muito difícil o vôo com tal aeronave. Para apimentar ainda mais a polêmica, uma réplica exata do Flyer 1 foi construída em 2003 para comemorar os 100 anos do vôo do Wright mas, em sua apresentação, a aeronave não conseguiu alçar vôo.

Nesta reportagem:

» A história de Santos Dumont e suas incríveis máquinas voadoras
» O Dia em que Santos Dumont realizou o primeiro vôo da história





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