Eram seis horas da matina, quando eu e a produtora Carla Mendes acabamos de colocar toda bagagem na Kombi alugada para a Expedição. Passamos na casa do operador de áudio Luiz Lima, que já nos esperava com sua mochila nas costas. Bay bay Rio! Até agosto! A Kombi engoliu os primeiros quilômetros sob muita chuva e frio daquela manhã do dia10 de maio.
Linha Vermelha, Via Dutra e seus intermináveis pedágios, Castelo Branco e Marechal Rondon. Assim foi nossa rota rumo a Bauru, interior de São Paulo, primeira cidade do roteiro da Expedição e também do filme.
No trecho entre a Serra das Araras e a cordilheira do Parque Nacional do Itatiaia o frio e a chuva intensificaram. Algumas paradas para beber café e/ou chocolate bem quentinho foram providenciais para segurar a friagem.
Devido ao tempo, deixamos algumas tomadas, ao longo da viagem entre Rio e Bauru, para serem realizadas na volta da Expedição. Pois a Kombi é um importante personagem do documentário. Ela vai retratar as mudanças de cenário do Sudeste para o Centro-Oeste, do Pantanal para o Cerrado, de um Estado para outro até a chegada à Ilha do Bananal, em Tocantins, onde se encontra a Aldeia de Santa Isabel do Morro, dos Índios Carajás. Os principais personagens do nosso documentário.
Da capital São Paulo em diante o sol firmou na estrada e melhorou o astral da viagem. Embora o frio permanecesse, conseguimos gravar de Sampa em diante. Sendo a primeira sonora para o Domingo Espetacular, parceiro televisivo da Expedição, junto ao Rio Tietê, para explicar que a colonização do pantanal iniciou por ali, via fluvial, por onde bandeirantes e monçoeiros subiam o Tietê e penetravam nos demais rios do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, em busca do ouro e na tentativa de escravizar os indígenas da região.
No Rio Tietê e outros trechos entre Sampa e Bauru foram gravadas as cenas inicias do documentário.
Com aproximadamente 750 quilômetros rodados, a Kombi entrou em Bauru ao cair da noite daquele dia. Embora cansados, a etapa inicial foi bem cumprida pela equipe e pela Kombi. Revezamos na direção e foi um ótimo teste para Carla e eu, que nunca havíamos dirigido uma “perua”, como a Kombi é chamada no interior do Estado de São Paulo em diante. Luiz Lima tirou de letra, porque passou mais de um ano pilotando uma Kombi em um outro projeto nas imediações do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, situado no Estado do Mato Grosso.
Assim que chegamos ao município, nos dirigimos para a Secretaria de Cultura de Bauru, parceira no filme, para saber das diretrizes da produção local. Nos foi passado o hotel para nos hospedarmos, o restaurante para alimentação e demais informações dos três dias de filmagens na cidade.
Uma rápida picanha na chapa no restaurante Baby Búfalo, um bom banho para tirar o pó da estrada e cama no simplório Hotel Saint Martin, de profissionais educados e atenciosos. Boa noite Bauru, que amanhã o trabalho começa cedo!
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