
Amanhecer no Pantanal
Foto: Marcelo de Paula

Equipe Expedição Karajá na última etapa de estrada de ida
Foto: Marcelo de Paula

Zona de transição entre Cerrado e Amazônia
Foto: Marcelo de Paula
Como já sabíamos que o próximo trecho da expedição era o mais difícil de completar, devido à longa distância a ser percorrida em estrada de terra, levantamos antes do sol brilhar e partimos rumo a São Félix do Araguaia (MT), nossa última cidade antes de entrar na aldeia dos índios Carajás.
O reconhecimento do percurso se deu na viagem de pré-produção do filme, realizada em janeiro de 2006. Por sorte, atualmente o período é de seca na região, o que faz com que o barro de atoleiro seque facilitando o acesso. Mas, em compensação, pedras, lombadas e poeira aumentam consideravelmente. A ponto da Maria Albina sumir em nuvens de pó a cada passagem de caminhões na contra-mão da estrada. Isso sem contar as vezes que ela, praticamente, saiu do chão nos quatro pneus, na péssima rodovia a caminho de São Félix.
Não podemos deixar de citar a quantidade de pinguelas que a Maria Albina teve de atravessar. Parece uma rota sem fim. Iniciamos o percurso com o frio matinal nos encolhendo na Kombi e depois fomos despindo agasalhos, bebendo muita água e até parando para refrescar a cabeça num dos muitos riachos que deixamos para trás junto à poeira. De alimentação apenas uns pastéis do Gaúcho, de um pequeno restaurante na pacata cidade de Serra Nova Dourada (MT).
Quando, enfim, avistamos o cais da cidade de São Félix do Araguaia estávamos exaustos. O estado empoeirado da Maria Albina (por dentro e por fora), nossos cabelos duros, óculos sujos e semblantes arrasados pelo cansaço expressavam mais que qualquer palavra. Buscamos nossos contatos e nos dirigimos diretamente para o modesto Hotel Karaja, nossa próxima morada. A proposta da equipe foi tomar banho e encontrar um bom local para apreciar algumas cervas geladas relaxantes.
Como dirigi todo o percurso, posso descrever meu estado: os braços doloridos de tanta força para segurar a Maria Albina na estrada, as mãos calejadas pela firmeza com que segurei o volante e as costelas doloridas de tanto sacolejo. Eu essa estrada temos uma história de vida. Basta lembrar que em 1991 atravessei a mesma no “lombo” dos antigos ônibus da Viação Xavante. As condições de tráfego eram bem piores na época. Demorava quase vinte horas para completar o percurso, numa escuridão e isolamento de dar medo. Ao menos, desta vez, conseguimos completar em aproximadamente doze horas. Mais essa travessia não tem fim. Se contar a ida e volta da viagem de pré-produção, a ida em 91 e a ida e a volta, que ainda vamos fazer, são cinco vezes a mesma rota empoeirada.
Faço aqui uma ressalva. Apesar do barro, o visual da estrada é um dos mais lindos da Expedição. Deixamos para trás em definitivo o Pantanal, percorremos o cerrado e ainda começamos a perceber a transição do Cerrado para a região Amazônica. A quantidade de aves que avistamos é absurda. Araras, gaviões, garças, martin-pescador, corujas e outras espécies que até desconheço o nome.
Aproveitamos para gravar muitas cenas da Maria Albina na rodovia. Em pontes de madeira, riachos, longos trechos e até o sumiço no pó ao cruzar com ônibus e caminhões.
As peculiaridades do povo e da cidade e a história de São Félix do Araguaia ficam para o próximo boletim.
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