
Expedição francesa sob o comando de Dumont Q-Urville. Navio L-astrolabe
Foto: NOAA Library Collection

Foto: Nasa

Foto de 1935 - Mergulhadores exploram restos do navio Lusitania, afundado a 93 m de profundidade
Foto: OAR/National Research

Não existe mais lugar na superfície da Terra onde o homem não pôs os pés - afirma Júlio Fiadi
Foto: Júlio Fiadi
Assim que os ciganos chegaram ao vilarejo de Macondo, o pequeno Aureliano pôs-se a observar as fantásticas demonstrações do grupo. A novidade da vez era um enorme bloco transparente. O gelo. Então ele deu um passo a frente,
encostou a mão e, deslumbrado, afirmou: "Está fervendo". Foram Cem Anos de Solidão relatados no livro de Gabriel Garcia Marques, ilustrando parte da essência humana: o desejo de ir além, conhecer novas possibilidades de vida,
refugiar-se em algum sonho bom, onde a limitação dos homens fosse superada pela descoberta.
Desde os primórdios, façanhas humanas driblaram a natureza. Exercícios de criatividade e perspicácia ajudaram aqueles desconhecidos exploradores na procura de alimentos. Depois, a descoberta do fogo. Investidas em solos
virgens foram aprimoradas e o tédio crescente em relação aos territórios já conhecidos era, enfim, amenizado com a promessa do novo. A partir daí, a exploração assumia um significado diferente. Descobrir não era apenas uma
forma de lutar pela sobrevivência, mas de superar os próprios limites com coragem e conhecimentos.
De fogo ou de bússola, o novo explorador estaria apto a desvendar os mistérios das florestas cerradas e dos mares. Cada conhecimento seria incorporado na aventura, e as estrelas passariam a servir como um complexo e
eficiente guia para os desbravadores. O sonho de cada história imaginada se tornaria realidade, e as especulações a respeito do mundo seriam colocadas à prova. Daí por diante, nem o céu seria o limite.
O homem mostrou que realmente podia muito mais do que imaginava. Terras desconhecidas apresentaram novos povos, diferentes formas de viver e se relacionar com a natureza. Deste intercâmbio de conhecimentos surgiram
outras vontades e diferentes maneiras de explorar cada espaço existente. Chegava a hora de inverter a situação: se num primeiro momento as expedições pretendiam desvendar o mundo, agora era necessário descobrir os próprios
limites do corpo humano. O físico e o mental deveriam passar pelos testes da própria natureza.
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