
Chegada da expedição
Foto: Maristela Colucci

Igor Bely e Beto Pandiani
Foto: Maristela Colucci

Travessia do Pacífico
Foto: Maristela Colucci
A Travessia do Pacífico chegou ao fim. Um ano e dois meses depois de partirem de Viña Del Mar, no Chile, Beto Pandiani e Igor Bely desembarcaram na noite desta quinta-feira em Bundaberg, na Austrália, concluindo a aventura que atravessou o Oceano Pacífico Sul a bordo do Bye Bye Brasil, um catamarã sem cabine de apenas 7,6 metros, num total de 17.400 quilômetros, enfrentando extremas dificuldades num clima de superação constante.
“O final da expedição foi muito cansativo, pois tivemos pouco vento. Mas estamos muito felizes por termos concluído esta aventura fantástica. Foi a viagem mais difícil que fiz, com várias quebras do barco e momentos de tensão, em que achei que não iríamos concluir o projeto. Foi sensacional fecharmos a expedição ao fazer mais de 17 mil quilômetros, um terço da volta ao mundo, em um barco sem cabine”, comentou Pandiani.
Ao contrário de outras etapas da viagem, a calmaria marcou o trecho entre a Nova Caledônia e a Austrália. A falta de ventos e o sol forte da região do Pacífico Sul exigiram paciência da dupla, que lutou para controlar a ansiedade após superar diversas dificuldades durante toda a travessia.
“Como o mar estava calmo, o barco foi poupado e resistiu bem neste trecho final, depois da pequena reforma que fizemos em Vanuatu. As últimas 700 milhas, entre Nova Caledônia e Bundaberg, foram de sol fortíssimo, calmaria e muita ansiedade. A gente ficava olhando para o GPS o tempo inteiro”, disse Pandiani.
No total, a expedição teve quatro etapas, divididas em nove pernas. Beto e Igor ficaram 71 dias no mar, em que consumiram 420 litros de água e 210 pacotes de comida liofilizada. A dupla enfrentou nove dias de temporal, avistou baleias e golfinhos, e precisou superar nove quebras no leme e duas na barra transversal.
Com o fim da aventura, o Bye Bye Brasil passará por uma nova manutenção na Austrália, onde deve ser vendido. Beto Pandiani retorna em duas semanas ao Brasil para finalizar os projetos ligados à Travessia. Já Igor Bely viaja direto à França, para retomar os estudos em seu curso de engenharia.
Os velejadores
Beto Pandiani - brasileiro, 51 anos
Há 13 anos realiza expedições de alta performance pelos mais temidos mares do mundo. Foi o primeiro velejador a unir a Antártica ao Ártico a bordo de catamarãs sem cabine.
Igor Bely - francês, 24 anos
Viveu 18 anos a bordo do veleiro dos pais. Com mais de 200 mil milhas (quase 400 mil km) navegadas, já fez mais de 20 expedições à Antártica e regiões polares.
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