Rogerio Ribeiro lança livro sobre mercado de esporte outdoor

Tema:Diversos
Autor: Chris Bueno
Data: 4/9/2008

Por nove anos ele foi o responsável pela direção comercial da Adventure Sports Fair, evento pioneiro no país que reúne, organiza e incentiva o mercado de aventura nacional e é uma das maiores feiras de esporte e turismo de aventura da América.

Durante este período, ele captou recursos e negociou contratos de patrocínio com grandes empresas nacionais e estrangeiras de diversos setores, levando-as a enxergar grandes oportunidades de negócios, a estabelecerem parcerias de longo prazo e a investirem milhões no segmento da aventura.

Hoje ele não mais exerce sua função de diretor comercial, mas se dedica a desenvolver palestras e livros com o intuito de examinar e repensar as negociações humanas – não só profissionalmente, mas também pessoalmente. Em entrevista exclusiva, Rogerio Ribeiro fala sobre seu livro “O Despertar do Negociador Humano” (Editora Novo Século, 2008), analisa o mercado de esportes outdoor e ecoturismo no Brasil, e ainda dá dicas de como captar patrocínio para iniciar um negócio no ramo ou realizar uma expedição. Confira!


360 Graus- Por nove anos, você assumiu a direção comercial da Adventure Sports Fair, feira pioneira no Brasil que reúne e fomenta o mercado de aventura nacional. Qual você considera ter sido a maior lição aprendida neste período?
Rogerio Ribeiro - Que o desafio de qualquer projeto não é estabelecer uma parceria, mas sim ter a sabedoria de perpetuá-la, que não existem projetos tão maravilhosos e perfeitos que se bastem por si só, é necessário sonhar e encontrar parceiros que somem seus talentos e com isso nos ajudem a atingir nossos objetivos.

360 Graus- Como você avalia a importância da Adventure Sports Fair e do mercado de aventura como um todo, no Brasil?
Rogerio Ribeiro - Antes da feira acontecer em 1999, existiam várias empresas, grandes aventureiros e trade, porém ninguém sabia disso, era algo “implícito”. Graças à Adventure o mercado pôde olhar para si mesmo e conseguimos todos nos organizar melhor e mostrar a que viemos de forma profissional. O Brasil evoluiu bastante no mercado de aventura nestes dez anos, temos certificações, entidade de classe e até mesmo um ministério que dá uma “olhadinha” por nós, porém sob a ótica empresarial precisamos de mais incentivos (financiamentos e impostos), necessitamos de mais pontos de distribuição em todo o país e não apenas no sul e sudeste. Há ainda, no meu ponto de vista, a necessidade de ampliarmos a camada consumidora do segmento e para isso deveríamos ter uma campanha institucional do tema aventura veiculada nos meios de comunicação: TV aberta, rádios e revistas de grande circulação e uma linha de produtos para iniciantes com preços mais acessíveis.

360 Graus - A aventura ainda é muito “cara” – dificilmente uma pessoa consegue com seus próprios recursos, por exemplo, bancar uma grande expedição. O que deve ser feito para conseguir captar patrocínio e realizar essas expedições?
Rogerio Ribeiro - Primeiramente os proponentes devem perceber que nem sempre eles, os idealizadores, são os melhores negociadores do projeto. Em seguida, devem se atentar para a geração de subprodutos do mesmo, subprodutos estes que perdurem na mente do grande público por pelo menos um ano após sua conclusão. É necessário que o projeto tenha desdobramentos no futuro, pois existe uma tendência das empresas patrocinadoras buscarem projetos com perpetuação. É possível criar uma miscigenação de produtos, uma expedição de cunho histórico pode também pode ter um subproduto cultural e artístico. E por fim, é necessário buscar novas empresas para prospecção, empresas que ainda não dispõem de tradição de investimento no mercado de aventura, pois é exatamente aí que temos grandes possibilidades de investimentos.

360 Graus- As grandes empresas ainda não enxergam o mercado de aventura como uma grande oportunidade de negócio. Em sua opinião, por que isso ocorre?
Rogerio Ribeiro - Creio que esta realidade vem mudando bastante em comparação há quinze anos. Durante minha gestão na Adventure Sports Fair, conseguimos mostrar para empresas que nunca ouviram falar de nosso segmento grandes oportunidades de negócios e tivemos por quase uma década, o patrocínio de Companhias como: Coca Cola TAM Viagens e a Fiat que, aliás, tem uma linha de produtos que leva o nome da feira do segmento e do mercado em si. Quanto a outras empresas também investirem na aventura, precisamos formar profissionais negociadores-humanos, focados na captação de recursos, precisamos aprender a ser pró-ativos na captação e isso significa, dentre outras coisas, aprendermos a mostrar efetivamente oportunidades de negócios dentro do nosso projeto para os patrocinadores objetivados. É necessário ainda compreendermos que não estamos concorrendo apenas com o nosso próprio mercado pela verba, mas sim com o do marketing esportivo em geral e também com o cultural.

360 Graus - O que pode ser feito para mudar este quadro e dar mais visibilidade ao mercado de aventura?
Rogerio Ribeiro - Vejo apenas um caminho para ampliarmos os investimentos no segmento e ele passa pela utilização dos veículos de comunicação de massa como meio de popularizar a aventura. Precisamos que o menino e a menina do interior de todos os estados brasileiros sonhem em fazer parte deste nosso mundo. É necessário ter uma série de TV que vá ao ar toda semana, não com reportagens, mas sim com roteiro e atores conhecidos do grande público, já propus uma vez e repito, precisamos entrar no enredo na novela das oito, para mostrar que todos podem fazer parte do mercado. Com isso, teremos mais moda, músicas, filmes e o desejo das pessoas de conhecerem cada vez mais este universo. Creio que só a partir disso é que conseguiremos a tão sonhada consciência ambiental, pois quando almejamos fazer parte de um novo “mundo” despertamos para os valores do mesmo.

360 Graus- Qual a importância do mercado de aventura, não apenas para o turismo e a economia, mas para a preservação do meio ambiente e conhecimento de novas culturas?
Rogerio Ribeiro - Acredito que o principal objetivo do nosso mercado é “derrubar” fronteiras e isso significa as sociais, antropológicas e culturais. É através deste movimento que poderemos ter acesso a conhecimentos e tecnologias de gestão, como por exemplo, a de tornar os destinos e parques nacionais sustentáveis e, portanto, muito mais preserváveis. É globalizando nossos pontos de vistas e conhecimentos que poderemos um dia ser realmente um destino mundial de aventuras, preservação e cultura.

360 Graus- Sempre que se fala de marketing e de negociações, a primeira idéia que surge é no nível profissional, e até mesmo, “monetário”. Mas você aponta, em seu livro, que as negociações também acontecem no dia a dia, pessoalmente, e sem esse retorno financeiro. Poderia explicar isso?
Rogerio Ribeiro - O ato de negociar é algo que está implícito no “bicho homem”, fazemos isso tendo consciência ou não desde que adentramos nesta dimensão. Em um relacionamento amoroso, se não tivermos a capacidade de negociar, não teremos longevidade do mesmo, pois neste caso específico, não podemos fazer as coisas do “meu” jeito ou do “seu” jeito, mas sim, do nosso jeito. Isto é pura negociação, apenas não nos atentamos para isso, por não envolver recursos monetários. O livro “Despertar do Negociador Humano” chama a atenção exatamente para isso, pois não importa quanto o meu produto ou projeto seja bom, invariavelmente dependeremos de seres humanos para a viabilização e não apenas de logomarcas. Negocio há vinte e cinco anos e já o fiz com produtos, serviços e projetos que necessitavam de patrocínios e o que todos possuem em comum é que em todos os momentos sobre todas as circunstâncias, foram os seres humanos com quem negociei que aprovaram o projeto e não apenas suas logomarcas.

360 Graus- Você afirma que as negociações não são apenas exatas, e que é preciso humanizar o processo. Como isso pode ser feito?
Rogerio Ribeiro - Quem deseja negociar melhor e atingir seus objetivos, deve começar a se interessar por seres humanos, pois no final, negociar significa conhecer o ser humano, seus anseios, receios e sonhos, é através deste processo que pode ser aprendido e desenvolvido, que alcançaremos sucesso em qualquer negociação, inclusive e principalmente na captação de patrocínios.



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