Robert Scheidt comenta o longo percurso da Volvo Ocean Race

Tema:Iatismo
Autor: Robert Scheidt
Data: 23/6/2005

Quatro oceanos, cinco continentes, 33.000 milhas, adrenalina, medo, resistência, coragem, paixão. Não existe evento em nenhum circuito mundial de vela volta ao mundo no qual você força o barco ao limite como na Volvo Ocean Race. Sete embarcações confirmaram sua participação. Outras poderão vir.

O primeiro barco a ser lançado, o ABN AMRO Barco I da Holanda reporta que o barco, mesmo velejando com vela rizada, atingiu 27 nós. Seu comandante considera a performance simplesmente fantástica.

Telefônica Movistar, o segundo barco a ser lançado no mar, também iniciou os treinos, enquanto o Brasil 1, Premier Challenge (Austrália) e Ericsson Atlant (Suécia) serão lançados em curto prazo.

Treino sério
O VOR 70 – Movistar da Espanha completou 1.450 milhas náuticas na sua viagem inaugural saindo da Austrália e chegando em Wellington na Nova Zelândia. O time espanhol enfrentou condições meteorológicas duríssimas. Na próxima etapa a velejada será de Nova Zelândia ao Brasil, cruzando os mares da Antártica, passando pelo extremo sul da América (Cape Horn) e chegando ao Rio de Janeiro. Este treino foi programado para levar o barco e sua tripulação a limites extremos e prepará-los para a Volvo Ocean Race.

Medo do quê?
Nick Maloney da Austrália, veterano competidor de regatas volta ao mundo como da Whitbread, Vendée-Globe e Jules Verne, conta que a angústia da solidão, sabendo que não existem ponto de apoio por perto e o mais próximo competidor a 500 milhas de distância, faz brotar um sentimento de vulnerabilidade que às vezes desanda no humor. Recorda que estava velejando a 30 nós de velocidade, rasgando o mar com um fator de deslocamento e tensões enormes, quando comentou com o Paul Stanbridge sem perder a postura de machão “a barra esta ficando pesada”, ao que Paul retrucou “cara este negócio é apavorante”, ao que ambos riram pra valer.

Velejadores brasileiros no exterior
Não é só no futebol. Nossos velejadores Lucas Brun e André Mirsky vão reforçar o barco da Holanda. Após seleção mundial, ambos foram escolhidos para velejar com um grupo jovem, multinacional, que participará da Volvo Ocean Race a bordo do ABN AMRO Barco II.

Mulher a bordo
A Australiana Adrienne Calahan, que fazia parte do Trimaran Cheyenne quando este bateu o recorde mundial de volta ao mundo, vai juntar se à tripulação do Brasil 1. A experimentada navegadora será a única mulher a participar na Volvo Ocean Race 2005-2006 até o momento. Embora Adrienne seja advogada formada em Sydney, sua carreira na vela é admirável. Se não bastasse, em 2003 formou-se mestra em Ciências Meteorológicas na Universidade de Reading, na Grã-Bretanha, e defendeu tese sobre meteorologia do Hemisfério Sul. Será navegadora do Brasil 1. Para quem não sabe, o navegador indica o rumo que o barco deve seguir. Que boa aquisição!

O bicampeão olímpico e heptacampeão mundial da classe Laser Robert Scheidt vai realizar uma série de artigos especiais e exclusivos sobre a regata Volvo Ocean Race para o 360 Graus. O velejador é porta-voz oficial do evento no país, e comentará mensalmente o histórico da competição e os preparativos para a disputa. A Volvo Ocean Race é uma das mais tradicionais – e difíceis – regatas de volta ao mundo. A edição 2005 do evento terá largada no dia 05 de novembro, de Sanxenxo, na Espanha. A partir de então, os artigos de Scheidt se tornarão quinzenais, trazendo todas as emoções da disputa.

Nesta reportagem:

» Scheidt estréia série de artigos sobre a Volvo Ocean Race no 360 Graus
» Robert Scheidt comenta o longo percurso da Volvo Ocean Race
» Faltam 131 dias para a largada da Volvo Ocean Race
» Volvo Ocean Race, uma regata de campeões



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