
Robert Scheidt
Foto: Thomas Scheidt

Robert Scheidt
Foto: Gilles Martin Raget

Robert Scheidt
Foto: Thomas Scheidt

Robert Scheidt
Foto: Richard de Jonge/ Divulgação ZDL

Robert Scheidt
Foto: Ari Gomes/ ZDL

O velejador Robert Scheidt
Foto: Ari Gomes/ ZDL
Robert Scheidt é bicampeão olímpico e heptacampeão mundial da classe Laser, foi eleito o melhor velejador do mundo pela Federação Internacional de Vela (ISAF) em 2001 e 2004 e recentemente foi escolhido o esportista brasileiro mais confiável na 4ª edição do Prêmio Marcas de Confiança. O que mais se pode falar de um dos mais completos e famosos atletas brasileiros? Muito!
O velejador que hoje é motivo de orgulho nacional iniciou-se no esporte ainda criança e começou a velejar por influência do pai. Seu talento era inegável, e com apenas 11 anos sagrou-se campeão sul-americano de Optimist, em Algarrobo, no Chile. Venceu novamente no ano seguinte e foi convocado para representar o Brasil no Mundial de Optimist em Rosas, Espanha. A partir daí, não parou mais de brilhar. Com o peso e tamanho excedendo o recomendado no Optimist, ingressou no Snipe e seguiu colecionando vitórias. Já em 1990 sagrou-se vice-campeão brasileiro júnior de Snipe e campeão brasileiro júnior de Laser, classificando-se para o Mundial Júnior de Laser na Holanda, categoria em que se manteve até os dias atuais.
Em 2004, o velejador venceu as 10 competições que disputou na classe Laser, incluindo as Semanas de Kiel, na Alemanha, e Hyères, na França, o Mundial de Bodrum, na Turquia, e o bicampeonato olímpico em Atenas. Neste ano, ele já foi campeão brasileiro pela 11ª vez, bicampeão do Suunto Match Race e campeão da Europa Cup, na Holanda. Hoje, o paulistano de 32 anos e 1,87 metros de altura acumula 118 títulos e 149 pódios, e seu nome é sinônimo de campeão.
Para 2005, o atleta está se preparando para enfrentar o Campeonato Mundial da classe Laser, que será realizado em Fortaleza (CE) em setembro. Ele também será mais uma vez o porta-voz brasileiro da Volvo Ocean Race, a mais tradicional regata de volta ao mundo (ele desempenhou a mesma função na edição de 2001-2002), e terá a missão de explicar ao público como funciona a competição. Nesta entrevista exclusiva, o velejador fala sobre a Volvo Ocean Race, o Mundial de Laser no Ceará, disputas, carreira e planos para o futuro. Confira!
360 Graus - Como porta-voz da Volvo Ocean Race no Brasil, quais são suas funções, atributos e maiores preocupações?
Robert Scheidt - Minha principal função como porta-voz da Volvo Ocean Race é aproximar esta regata volta ao Mundo do público brasileiro, seja atendendo a imprensa ou escrevendo artigos sobre a regata. Quando os jornalistas quiserem falar com alguém da Volvo Ocean Race não vão precisar ligar para alguém na Inglatera, eu estou aqui para isso. Mais do que isso, vou tentar passar para o público, de uma maneira simples, tudo o que acontece numa competição de volta ao mundo. O grande público ainda não está familiarizado com muitos termos náuticos e as estratégias usadas pelos barcos durante uma regata.
360 Graus - Essa é uma atividade nova para você? Como você fará o acompanhamento do evento?
Robert Scheidt - Essa é a segunda vez que atuo como o porta-voz da Volvo Ocean Race. A primeira vez foi na edição de 2001-2002. Eu adorei o trabalho, e acho que a Volvo também, dando continuidade a esta parceira.
Para acompanhar a regata, recebo informações enviadas diretamente pelo escritório central, na Inglaterra e das próprias equipes. Também muita coisa chega até a mim direto pelos velejadores, que encontro quando participo dos campeonatos internacionais. Conheço a maioria dos velejadores, o que facilita a obtenção de informações de bastidores, e mais ligadas ao aspecto humano também, que é o que o público brasileiro mais curte. Nesta edição, também quero mostrar ao público que o avanço tecnológico permite acompanhar a regata facilmente através do site oficial, www.volvooceanrace.org, que sempre tem informações atualizadas.
360 Graus - Você prefere acompanhar uma regata como esta assim, ou preferia estar competindo?
Robert Scheidt - Dá uma vontade... Sei que um dia terei que mudar para barcos maiores e acho que até vou participar de uma volta ao mundo, mas no meu momento atual, optei por priorizar as competições nas classes olímpicas, de Laser e Star. Este ano minha prioridade será o Mundial de Laser em setembro em Fortaleza. Não daria para estar a bordo de um barco da Volvo, porque nesse momento todos já estão treinando para a largada em Novembro. Nesse contexto, ser porta-voz da regata é a melhor maneira de participar, porque durante as paradas vou ter contato com todos os grandes velejadores e aprender muito com a experiência deles.
360 Graus - Durante a regata, as tripulações têm de combinar velocidade e resistência, enfrentando icebergs, tempestades e até a possibilidade de colisão com baleias. Para você, quais são os fatores que tornam essa regata tão difícil?
Robert Scheidt - Dar a volta ao mundo é um grande desafio, mas quando você faz isso sozinho, não tem a mesma pressão de uma corrida como a Volvo. Além de ter que enfrentar todos os perigos que você citou, ainda tem que ficar de olho no barco adversário, tentar chegar antes dos outros. Isso te obriga a navejar no limite 24 horas por dia. E como nesse ano os barcos ficaram maiores e mais rápidos, enquanto a tripulação diminuiu, o desgaste a bordo será muito maior.
360 Graus - Serão oito meses velejando pelos sete mares, com paradas em cinco continentes. Que tipo de preparação os velejadores precisam fazer para enfrentar uma regata como essa?
Robert Scheidt - Muita preparação física para ganhar bastante massa muscular, porque se perde muito peso a cada perna, ops, perna é como chamamos cada trecho da regata, por exemplo, a perna entre a Espanha e a África do Sul. É um trabalho contínuo. Em cada parada o trabalho de preparação física é retomado para recuperar o que foi perdido. Além disso, numa tripulação todos são meio polivalentes, e bota valente nisto, mas cada um tem suas especialidades e responsabilidades específicas. Tem ainda o treinamento específico em primeiros socorros, em reparo de velas, conserto do casco, em mergulho, em escalada do mastro de 30 metros, de cinegrafista, etc.
360 Graus - Em relação à última regata, a edição 2005 terá menos escalas e barcos maiores e mais velozes. Como isso afetará a disputa?
Robert Scheidt - O primeiro reflexo é que com barcos mais rápidos e menos escalas a regata será terminada em oito meses, antes eram nove. O fato de os barcos serem maiores e mais rápidos e as tripulações menores, acarreta num desgaste muito maior da tripulação. Isso dificultou a participação de um barco de tripulação 100% feminina, como tivemos nas duas últimas edições anteriores. Desta vez a única mulher será a navegadora Adrienne Cahalan, do Brasil 1.
360 Graus - Esta é a primeira vez que o Brasil vai participar da competição com um barco nacional, o Brasil 1. O que você acha dessa iniciativa? Isso dará mais destaque mundial ao país dentro do esporte?
Robert Scheidt - No mundo da Vela, o País já tem certo destaque devido aos inúmeros títulos mundias e medalhas olímpicas conquistadas por nossos atletas, mas no caso do Brasil 1, dar a volta ao Mundo em condições extremas é para ´gente grande´, até para o mais bravo e experiente velejador é um desafio enorme. Com certeza vai alavancar a visibilidade do esporte no Brasil, e do Brasil no Mundo, ainda mais que temos campeões olímpicos a bordo.
360 Graus - Em relação às outras equipes que participarão da Volvo Ocean Race, como você compara a equipe do Brasil 1?
Robert Scheidt - O Brasil 1 é umas das equipes mais fortes, tem um velejador experiente e consagrado que é o Torben Grael como capitão e o projeto é da Farr Yacht, que projetou seis dos oito barcos vencedores da volta ao mundo.
O barco espanhol MoviStar é muito forte também, é um projeto da Farr e tem a vantagem de estar na água treinando desde fevereiro. Já bateu o recorde mundial de velocidade.
O sueco Ericsson é um projeto Farr também e tem como capitão o Neal McDonald, que ficou em segundo na regata passada, perdendo só na última perna.
Posso destacar também o barco da Disney, Black Pearl, que além de ser um proejeto da Farr Yacht será comandado por Paul Cayard, que venceu a regata de 1997-1998, e dizem que o Kostecki, que venceu a última edição no comando do Illbruck também irá participar.
360 Graus - Agora, falando um pouco de sua carreira, como está a temporada 2005?
Robert Scheidt - Depois da conquista do ouro olímpico na Classe Laser em Atenas, eu me permiti uma diversificação e um pouco de diversão na vela. Disputei o Sul-americano da Classe Star em janeiro, em Buenos Aires, com o Bruno Prada, meu amigo de infância, e fomos vice-campeões, uma bela experiência. Troquei de barco, e no finalzinho de janeiro venci mais um Campeonato Brasileiro da Classe Laser em Ilhabela. No começo de fevereiro, voltei para Buenos Aires para o Mundial da Classe Star, com os maiores ferões como o Torben e Marcelo, que foram vice, e a gente ficou bastante feliz com o quinto lugar, até regata a gente venceu!
Mas depois eu resolvi focar de novo na Classe Laser, pois o Mundial será no Brasil, e quero muito conquistar o meu oitavo título Mundial na Laser em casa, já pensou na festa?! Estou me preparando o melhor possível, mas posso lhe garantir que a moçada que vem aí está super-craque, não vai ser moleza não!
360 Graus - Você fez seu nome na classe Laser, mas nos últimos tempos tem competido na classe Star. Como foi essa mudança de classes? Você decidiu em qual vai ficar?
Robert Scheidt - Eu tenho este meu jeito pragmático, focado e planejado. Mais do que fazer o nome na Laser, eu ainda tenho prazer nesta velejada, não enjoei, por isso só vou decidir depois do Mundial mesmo.
360 Graus - Quais são seus planos para este ano?
Robert Scheidt - Meu principal objetivo este ano é o Mundial da Classe Laser em Fortaleza. Depois irei para a largada da Volvo ocean Race em Vigo, na Espanha.
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