A três meses da largada para a maior regata transoceânica do mundo, continuo prestando informações que podem transmitir ao leitor um pouco do “ambiente” que cerca um dos maiores desafios do mundo esportivo.
O Brasil 1 , barco brasileiro comandado por Torben Grael, zarpou no dia 20 de agosto do Rio de Janeiro com destino a Cascais, Portugal, onde realizará forte programa de treinamentos. Esta primeira velejada longa é um teste para a tripulação que deve acostumar-se com os turnos alternados de quatro horas em vigília e quatro horas dormindo, comida desidratada e principalmente à convivência forçada entre 10 velejadores confinados no espaço reduzido do veleiro. É o momento no qual os egos devem ser esquecidos e a tolerância entre todos os componentes da equipe é fundamental. Neste período pode nascer uma equipe coesa, como também podem aparecer desistências em razão de incompatibilidades entre os componentes do grupo. É fundamental que a tripulação passe por este teste antes de iniciar a regata de volta ao mundo.
O Movistar, veleiro de bandeira espanhola comandado por Bouwe Bekking trocou cinco dos seus tripulantes após a primeira velejada de treino, na qual contornou meio mundo e quebrou o recorde de velocidade com 530 milhas náuticas navegadas em 24 horas. Dentre os novos tripulantes que ingressaram no barco estão Richard Clarck (ex Illbruck) e Mike Joubert (ex Assa-Abloy e Brunell Synergy). Em declaração à imprensa afirmaram que o Movistar é o barco que mais velejou em treinos, o que lhe dará condições de “competir” logo após a largada da Volvo, ao passo que os demais barcos apenas estarão “prontos para participar”. No afã de ampliar ainda mais o treino da tripulação o “Movistar” participou da famosa “Fastnet Race”. Foi com intenções de vencer e quebrar novos recordes de velocidade. Parece que esta previsão ousada irritou os deuses do vento que não colaboraram com as promessas do Movistar, deixando-o cruzar a linha atrás do ICAP Maximus, veleiro de 100 pés da Nova Zelândia.
Premier Challenge – Austrália. É a maior incógnita da Volvo Ocean Race. O barco foi desenhado e construído em Melboune, Austrália, por projetistas e engenheiros navais locais. É produto da perseverança do sonhador Grant Wharington. À parte o Governo do Estado de Victoria, que contribuiu com algum patrocínio, o resto é puro mistério. A obstinação de Grant Wharington é infinita. Quando ele, que é corretor de imóveis de profissão, construiu seu Maxi “Skandia – Wild Thing” e consumiu todas suas economias na empreitada, decidiu avisar sua esposa que estava vendendo a casa, onde a família morava, para financiar a construção do barco. A estréia foi na Regata Sidney-Hobart. Em alto mar perdeu a quilha, virou e ficou à deriva. Foi resgatado de helicóptero e o veleiro foi reconstruído não se sabe com que meios. Hoje compete pelo mundo com Grant no leme. Grant Wharignton, que nunca desiste, construiu seu barco Volvo 70 e estará na linha de largada da Volvo Ocean Race em Vigo em novembro próximo.
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