
Scheidt e Prada
Foto: Thomas Scheidt

Brasil 1 chegando ao Rio de Janeiro
Foto: Hector Echebaster

Brasil 1
Foto: Brasil 1
Depois de 20 dias de incrível performance pelos mares Antárticos, a flotilha de veleiros VO70 aportou no Rio de Janeiro (RJ). Navegaram 12.000 km nesta perna e surpreendentemente chegaram quase juntos. Cada barco traçou sua própria rota interpretando informações meteorológicas, escolheu dentre as 11 velas disponíveis aquelas que lhes pareciam otimizadas para cada situação, e no último trecho, navegando ao longo da costa brasileira, alguns conseguiram ter contato visual com outros competidores ou passaram a perseguí-los através das posições dos veleiros fornecidos pela organização.
A angústia era navegar na calmaria e no calor, após 15 dias circulando o pólo sul com ventos de 50 nós, aterrorizantes ondas gigantes e frio de 20 graus negativos. O simples fato do Brasil 1 ter participado e ter chegado a salvo no Rio de Janeiro é um enorme feito. Se havia a chance de chegar em posição melhor não lhe tira o mérito. São heróis, vencedores da epítome da vida ao extremo. Parabéns amigos. Vocês escreveram a mais importante página da vela oceânica brasileira.
Durante esta quarta perna situações de perigo foram se repetindo a cada momento, culminando com a mensagem do barco espanhol Movistar, informando que estava afundando. O Brasil 1 imediatamente ficou em alerta e iria mudar seu curso para resgatar a tripulação espanhola. Não foi necessário pois o experiente marinheiro Chris Nicholson já tinha mergulhado na água gelada que invadia o porão, prendeu um cabo de bateria nas bombas submersas e as fez funcionar, salvando o barco.
Por sorte a capacidade delas de esgotar o veleiro era maior do que a entrada de água pela quilha, permitindo que o Movistar navegasse até Ushuaia na Terra do Fogo (Argentina), para receber socorro mecânico. Reparado, seguiu na competição com um atraso de aproximadamente 1.200 milhas náuticas em relação à flotilha e chega ao Rio de Janeiro com cinco dias de atraso.
A montagem do Cape Horn pelo Brasil 1 ficou registrada em foto antológica da tripulação e comemorada com bebida e charutos, como manda a tradição. A inovação correu por conta da garrafa, que ao invés de rum ou whisky, continha legítima cachaça brasileira.
A boa notícia é que os barcos desenhados pelo escritório Farr, em especial o Brasil 1, superaram seus problemas de quilha e após 20.000 milhas náuticas, ou seja 2/3 da regata, tiraram a vantagem inicial dos velozes ABN I e ABN II (que iniciaram os treinos bem antes dos brasileiros) e poderão nas próximas pernas recuperar a vantagem de pontos da “dobradinha holandesa”.
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