Como você analisa o projeto Brasil 1?
Torben Grael - Ele certamente vai ser um marco no nosso esporte. Tornar realidade um projeto tão ousado quanto uma equipe brasileira na volta ao mundo, e ainda chegar ao final com um resultado tão expressivo, é prova de que atingimos todos os nossos objetivos. É importante ressaltar também o trabalho maravilhoso do Alan e do Enio para conseguir os patrocinadores para essa aventura. Sem eles, não estaríamos aqui. Fico contente de poder dar a essas empresas esse excelente resultado e ter feito o máximo possível do investimento.
Quais foram os pontos fortes e os pontos fracos da equipe?
Torben Grael - O ponto forte, com certeza, foi a união da equipe. Tivemos um ambiente maravilhoso a bordo e com o resto da equipe. Acertamos em nossas escolhas. Mas, como eu já disse, precisamos ainda melhorar a preparação para a regata. Temos de ter tempo para treinar e ter o barco pronto para a competição bem antes dela começar.
Quais foram os melhores e piores momentos desta edição?
Torben Grael - O pior momento para a nossa equipe, sem dúvida, foi a quebra do mastro na segunda perna e a regata local de Melbourne, que estávamos liderando e terminamos em quinto lugar. Os melhores momentos aconteceram a partir de Fernando de Noronha, na quinta etapa, quando começamos a velejar muito bem e ultrapassamos o Ericsson quase na chegada a Baltimore e ficamos em quarto. Depois disso tivemos uma seqüência de grandes resultados e só ficamos fora do pódio uma vez. Quero destacar o pódio em Nova York e a vitória na Holanda e o segundo na regata em Roterdã.
Você acaba de completar uma volta ao mundo. Embarcaria na segunda?
Torben Grael - Não posso falar nada com tanta antecipação. Ainda não temos certeza do formato da próxima. Outra dúvida é se vamos conseguir fazer uma participação realmente forte numa futura oportunidade. Essa participação foi coroada de êxitos. Esse terceiro lugar é um grande sucesso. Para uma nova aventura como essa, eu teria de embarcar com chances de ir ainda melhor. É claro que é uma competição e você nunca pode ter certeza do resultado, mas teria de ter os meios para melhorar. Se isso for possível, gostaria de participar. Fazer outra simplesmente para participar, eu acho difícil.
Qual a diferença do Torben que anunciou o projeto Brasil 1, em 2004, para o Torben de hoje, após a Volvo?
Torben Grael - Primeiramente, estou mais velho e ganhei muitas rugas novas com todas essas aventuras. Para mim, particularmente, foi uma experiência fantástica. Não somente pelo lado esportivo, mas como no lado humano. Aprendi muito sobre relacionamento com as pessoas a bordo, cresci nesse aspecto e agradeço muito a todos que me ajudaram nesse processo por isso, principalmente a tripulação.
Depois de medalhas olímpicas, disputar a America’s Cup e completar uma Volvo, o que você ainda precisa realizar na vela?
Torben Grael - Acho que ainda tenho muita coisa para fazer. Parto agora para outra America’s Cup (já na segunda-feira ele se junta, em Valência, na Espanha, ao time italiano Luna Rossa), vou tentar mais uma vez a vaga nas Olimpíadas (na classe Star, ao lado de Marcelo Ferreira). Mas, se tivesse que parar aqui, estaria plenamente realizado, com certeza.
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