Projetista dos veleiros da classe Dingue explica sobre o barco no Brasil

Tema:Iatismo
Autor: Redação 360 Graus
Data: 8/11/2006

Quando teve a idéia de projetar e construir o Dingue, em 1978, o engenheiro naval Miguel Pomar, hoje com 69 anos, tinha apenas uma coisa em mente: fazer um barco capaz de suprir as necessidades de sua família e que, de quebra, pudesse ser transportado sobre um fusca, o carro mais popular àquela época.



— Eu tinha uma casa em Angra e vários barcos para coisas diferentes: uma lancha para pescar, um bote inflável para locomoção rápida, um Optmist para os filhos e um Laser que eu velejava. Dava uma trabalheira danada manter todos eles — conta.



Miguel, então, partiu para uma tarefa que parecia impossível: desenhar e construir uma embarcação multifuncional. Foi assim que surgiu o Dingue: um barco estável, fácil de velejar, que pode ser usado por crianças, adultos e idosos, e que, entre outras coisas, pode ser movido a motor de baixa potência.



— A primeira coisa que pensei foi na segurança. A segunda, foi limitar o tamanho, para que todos pudessem transportá-lo com facilidade, inclusive sobre o carro, sem a necessidade de reboque — conta.



O Dingue, assim, ganhou peso, área vélica reduzida, pontal alto, boca larga, popa planejada para o eventual uso de motor, área de flutuabilidade maior que os barcos de mesmo porte existentes até então e muita, muita estabilidade.



Em 1985, Miguel vendeu a fábrica e em 1993 o barco deixou de ser produzido para ressurgir em 1998, construído pela Holos. O sonho do projetista, porém, não acabou aí. Orgulhoso de sua criação, Miguel, que agora navega de veleiro Oceano, comemora a retomada da Classe Dingue: hoje são mais de 4.3 mil destes simpáticos barquinhos espalhados pelo País.



O engenheiro naval não esconde a felicidade ao ver gente de diferentes idades e de ambos os sexos participando do Campeonato Brasileiro 2006, no Clube Naval Charitas, em Niterói, onde fez questão de comparecer para prestigiar:



— É incrível saber que tantas pessoas se identificam com o barco e que velejam com prazer, independente de estarem competindo. Olhar para o mar e ver todas aquelas velas juntas na raia é uma emoção muito grande. Uma massagem no coração — revela.



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