Comprando o primeiro barco III

Autor: André Homem de Mello
Website: www.andrehm.com.br
Data: 1/6/2008

Uma das principais considerações ao comprar um barco a vela deverá ser:
- O que você deseja fazer com ele?
A resposta compreende pelo três diferentes tipos de uso, ou seja, regata, lazer ou cruzeiro.

Um barco projetado e construído para regata leva em conta uma relação peso x desempenho muito diferente de um barco construído para cruzeiro. Veja bem que o barco de cruzeiro a que me refiro aqui é um barco feito para viajar longas distancias, atravessar oceanos, ancorar em locais de difícil acesso (dentro de recifes de corais, pequenas baias e perto da praia) e na maioria das vezes com pouca tripulação. É comum vermos pessoas criticando um determinado tipo de barco de cruzeiro pelo mau desempenho em relação a velocidade e ao ângulo de orça. Barcos de cruzeiro não são feitos para “andar” rápido, bem como, seu casco, não é projetado para velejar com ventos de proa e sim de popa. As rotas mais tradicionais de volta ao mundo são planejadas em função da direção dos ventos, ou seja, durante uma viagem ao redor do mundo, na maior parte do tempo você encontrará ventos de través e popa, seguindo os ventos alísios, acima e abaixo da Linha do Equador.

As principais características e qualidades de um barco de cruzeiro estão na sua capacidade de armazenar combustível, água, mantimentos e equipamentos, no conforto interno (cabines, banheiros, cozinha e salão) e na facilidade de manejo (área vélica menor) com a maioria das manobras sendo realizadas de dentro do cockpit.

É importante salientar que a maior parte do publico que está fazendo uma volta ao mundo, é formada de casais, sem filhos – formados e já encaminhados – e com uma certa idade. Engana-se aquele que vai dar uma volta ao mundo e acha que vai encontrar muita gente jovem ao longo do caminho. A maioria dessas pessoas optaram por um estilo de vida diferente do que elas tiveram durante suas vidas em terra firme e por isso, não tem pressa. Outra consideração importante é a dificuldade de se conseguir tripulação nas diversas ancoragens e marinas ao longo do caminho. Não que não haja. Há sim muita gente querendo fazer parte da tripulação de um barco fazendo uma viagem volta ao mundo, mas muitas vezes selecionar um tripulante e acertar na escolha não é uma tarefa tão fácil como parece. Na maioria dos casos de problemas a bordo, a tripulação é responsável por gerar as maiores preocupações aos seus comandantes e por isso, fazer a viagem com pouca, mas uma confiável tripulação é, na maioria das vezes, mais recomendado. Barcos de regata, por outro lado, são projetados para ter o melhor desempenho possível, ou seja, área vélica maior, mastreação mais alta e fina, pouco conforto e conseqüentemente pouco peso.

Uma das principais características de um barco de regata é o tipo de quilha que eles usam. Elas são geralmente finas e longas (alto calado) e muitas vezes possuem um bulbo na sua extremidade.

Outra concepção relativamente nova, no mercado mundial de barcos a vela, é a do “cruzeiro rápido”. Estes barcos procuram mesclar as características de um barco regata com um barco de cruzeiro para que uma travessia oceânica seja feita mais rápida, mas com conforto e segurança. É importante frisar, entretanto, que com um barco desse tipo você precisara de uma boa tripulação a bordo para manejar o barco com a agilidade que ele requer.

Compreendido os dois extremos, vamos ao que está no meio, ou seja, os barcos produzidos para lazer. É importante frisar aqui que este é o meu entendimento do mercado atual de barcos a vela. Entendo como lazer tanto o barco para regata como o para cruzeiro. Qualquer pessoa pode querer curtir uma regatinha, como também um cruzeiro nos finais de semana e feriados. Esses barcos são projetados para ter duas versões (regata/cruzeiro) que o proprietário irá escolher na hora da compra, ou seja, uma versão para regata, com quilha, mastro e área vélica maiores e uma versão para cruzeiro com quilha, mastro e área vélica menores. Ambas versões satisfazem o seu público alvo, mas tenha em mente que com um barco desse tipo você nunca irá ganhar um campeonato importante ou fazer um cruzeiro ao redor do mundo, com conforto e segurança. Não que não seja possível. Possível é desde que você tenha uma tripulação e os equipamentos adequados, mas se você é um sério regateiro ou um sério cruzeirista procure um barco dentro das características para que você irá usa-lo.

Bons ventos.

André Homem de Mello

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