
Jordi Calafat e Xabier Fernandez na perna 2
Foto: Gabriele Olivo/Telefonica
Blue/Volvo Ocean Race

Team Russia
Foto: Rick Tomlinson/Volvo Ocean Race

Ericsson
Foto: Dave Kneale/Volvo Ocean Race
Pela primeira vez na história da regata nenhum nome feminino aparece entre os listados das tripulações da Volvo Ocean Race. A presença feminina não é estranha em regatas de volta ao mundo tais como a Vendee Globe, Match Race ou nas classes olímpicas, mas as tripulações da VOR 2008/09 estão formadas exclusivamente por homens.
Desde a primeira edição da regata, em 1973, a presença feminina era constante, podemos destacar que a bordo do vencedor Sayulla II estava Paquita, esposa de Ramón Carlin. Embora a moça tenha desempenhado um pequeno papel isso não diminui sua importância na regata, embora sua função fosse servir alguns coquetéis no convés. Desde aquele momento as velejadoras ganharam respeito e 109 mulheres já fizeram parte da VOR.
A regata mudou vidas, como as de Clare Francis e Tracy Edwards, que fizeram nome na história da navegação com suas participações e tenacidade na regata. Na Edição de 1989/90 Maiden se transformou na primeira equipe compostas somente por mulheres, seguida dela houve o barco Heineken de Dawn Riley em 1993/94, o EF Education, de Christine Salen em 1997 e Amer Sports Tôo de Lisa Mcdonald em 2001.
O restante das mulheres que participaram da regata estavam em equipes mistas, como foi o caso da australiana Adrienne Cahalan, na edição anterior, a bordo do Brasil 1. Ela participou só da primeira etapa entre Vigo e Cidade do Cabo e, desde que a australiana desembarcou em terras africanas em dezembro de 2005, não houve mais mulheres participando da regata.
De acordo com o diretor geral da Volvo Ocean Race, Knut Frostad, não há razão nenhuma para que as mulheres não possam participar da prova. “Tudo que se necessita é uma mulher que entre em uma equipe, mas é complicado, porque não há muitas mulheres competindo a este nível e não há número suficiente para a formação de uma equipe completa. Há necessidade de ser muito competitivo, mas não há razão nenhuma para que elas não participem”, declarou o diretor.
“Com a limitação no número de tripulantes já é bastante difícil encontrar um lugar se é um homem, mas sem dúvida que estamos muito interessados em promover as mulheres para a próxima edição. Seria magnífico se Ellen MacArthur ou Sam Davies se envolvessem”, comentou Frostad que complementa: “As mulheres ampliam o aspecto da regata, que é muito importante do ponto de vista da comunicação além de acrescentarem mais cores e diversidade”
Confira o que as velejadoras das edições anteriores comentaram!
Christine Guillou (Christine Salen) que foi a comandante da equipe feminina EF Education na edição de 1993/94, e Lisa Mcdonald, comandante em 2001/02 da equipe de mesmo nome, seguem participando da regata devido a relação com seus maridos nesta edição.
De acordo com Christine, a explicação do desaparecimento da mulher entre as tripulações devem ser buscadas em 2004, quando se produziu a eleição do Volvo Open 70 para a competição. O veleiro tem dois metros a mais de cumprimento que o anterior Ocean 60 e 1000 quilos mais leve o que os deixa mais rápidos.
“A principal diferença das edições anteriores esta está no barco”, comentou Guillou. “O Volvo Ocean 60 era o máximo que uma tripulação feminina poderia controlar, mas o 70 é muito mais potente. A força é um fator determinante para navegar rápido e manter um bom ritmo. Uma vela do VO70 pesa mais de 100 quilos, sem estar molhada, e cada manobra é um dos quesitos mais exigentes da regata, o que tem ocorrido o tempo todo. Nem a mulher mais forte do mundo suportaria este ritmo e necessitaríamos ser umas 30 a bordo para estar no nível dos homens”, comenta Christine.
Lisa Mcdonald, que tentou formar uma tripulação mista para a edição anterior, depois de haver comandado o Amer Sports Tôo em 2001, é da mesma opinião que Christine. “Estes barcos são brutais, muito selvagens e potentes, e se não modificarem as regras será muito difícil imaginar uma mulher competindo a bordo”, declarou Lisa.
“É triste que não tenhamos mulheres, são duas edições seguidas em que perdemos a oportunidade de ganhar experiência a bordo”, diz Lisa.
A solução que Christine aponta seria a possibilidade de competirem com um Open 60, com tripulação de cinco ou seis pessoas.
» CICLISMO
» CAMINHADA





