Desafios voltam a testar competidores da regata Transat 6.50

Tema:Iatismo
Autor: Redação 360 Graus
Data: 13/10/2009

A Regata Charente-Maritime/ Bahia Transat 6,50, no final de uma belíssima semana de alisios propicios à grandes deslizadas, mais ou menos controladas, no abafamento africano, entra em sua fase atormentada, complicada, restrita, com o enfraquecimento dos fluxos de nordeste e o aparecimento de vastos setores de instabilidade, indicadores da área de convergência Intertropical.

As velocidades atingidas pelos líderes da prova, na chegada dos 12-13 graus de latitude Norte, confirmam o enfraquecimento do alisio, enquanto as trajetórias começam a traduzir a busca exacerbada de uma pressão cada vez mais fugaz, nas velas dos competidores. Desaparecendo de forma bastante brutal, em toda a área caboverdiana sul, o alisio, impede ao mesmo tempo, qualquer recuo na classificação.

Bertrand Delesne (Entreprendre Durablement) o indomável líder da semana, não parece se sentir imediatamente ameaçado pelas substituições em seu oeste de Le Diraison (Cultisol-Marins sans frontières), Avram (Cap Monde 2) ou Boidevezi (Défi GDE). É bem do lado de Ruyant (Faber France) e Schipman (Maisons de l'avenir Urbatys) que ele deve observar uma rígida marcação e tentar alcançar a todo preço, e primeiro, os alísios do Sudeste para decolar rumo à Bahia. É isso que estará em jogo nas próximas (longas) horas.

Uma travessia sem obstáculo

Nesse domingo a noite, mais da metade da flotilha da regata La Charente-Maritime/Bahia Transat 6,50 terá atingido ou atravessado o obstáculo constituido pelo arquipélago do Cabo Verde. Uma travessia efetuada, como já podíamos imaginar em alguns pontos, com o grande canal ventilado entre Sal e São Nicolau, tendo os favores de uma grande parte dos marinheiros solitários e Bertand Delesne puxando a fila. O alísio bem calçado no nordeste não quis acompanhar os Minis 6,50 além das ilhas. 20/25 nós ao norte de Sal, 8/10 nós no arquipélago, e 5/6 nós no sul.

Mudança de regime à bordo. Momento de reflexão e perguntas. E no topo da lista das interrogações, a leitura certa do caminho do famoso Pot au Noir (ZCIT). Uma leitura que já é bem incerta para os terráqueos que, com a ajuda de satélites podem vê-lo se mover para o Noroeste, mas que se torna, no meio do atlântico, para os navegadores solitários, uma questão de instinto, perspicácia e de experiência.

Nesse último terreno, Bertrand Delesne com certeza não é o menos preparado, graças a suas experiências recentes que ele divide com o jovem de Dunquerque, Thomas Ruyant. Henri-Paul Schipman é, nesse ponto, um iniciante. Mas o rapaz é inteligente e sua capacidade de adaptação impõe respeito. Ele está fixado ao painel traseiro de Faber France para manobras alternativas à sombra do Pot au Noir que se anuncia épico. Os 10 primeiros são como um lenço de bolso na escala do oceano, 54 milhas entre Delesne e Franck Colin (Loukkoummama). Milhas essas que os caprichos da área mais tortuosa do percursos parece, às vezes, dar um valor infinito.

Ainda Dalin …

A aproximadamente 100 milhas do líder dos protótipos, há 48 horas, o líder dos barcos de série, o velejador de Havre, Charlie Dalin (cherchesponsor-charliedalin.com) se afasta, essa noite, aproximadamente 80 milhas, o que nos leva a destacar a tranquilidade com a qual ele driblou as armadilhas do arquipélago, multiplicando as cambadas para evitar as garras das ilhas de de Sal, Boa Vista, São Tiago e Fogo. Com um mimetismo admirável o italiano Ricardo Apolloni (Ma vie pour Mapei) quase não o largou, diminuindo sua desvantagem para menos de 10 milhas.

Esses dois homens cruzarão essa noite, cerca de 40 milhas, diante das proas de um quarteto faminto, liderado por Henri Meyniel (Beveac Consulting), o italiano Luca Del Zozzo (Corradi), e mais à oeste, o português Francisco Lobato (ROFF TMN) e o francês Xavier Macaire (Masoco Bay). A prova do apetite desses quatro famigerados perseguidores, são as 241,2 millhas percorridas sexta-feira, 9 de outubro pelo italiano Del Zozzo a 10 nós de média!

Mindelo, aqui vamos nós!

Entre alísio em processo de adormecimento e as inúmeras e inevitáveis avarias de importância mais ou menos graves que afligem os solitários, as velocidades dos concorrentes nas proximidades das ilhas, caíram e deixam um impressão de statu quo no seio do pelotão.

O arquipélago do Cabo Verde, retomando a bela analogia do Diretor da prova, Denis Hugues, constitui mesmo a última estação antes da estrada. Muitos competidores estão sériamente considerando necessário fazer uma parada no box, última chance de injetar um sangue novo nos Minis cansados antes da grande travessia rumo a América Latina. Uns doze competidores, todos vítimas, em diferentes níveis, do vigor dos alísios, também sinalizaram sua intenção de efetuar um « Pit Stop ».

Sébastien Stéphant (Dephemerides) deve fazer uma inspeção exaustiva em seu protótipo Finot vítima de uma série de danos consideráveis. Bertand Castelnérac (bcombio.com) precisa resolver problemas de energia. François Amaury (Groupe Qualitel) perdeu um leme, o mesmo problema de Brice Aqué (CNTL-Scube Sails). O americano Jesse Rowse (Reality) lamenta uma problema no cabo de mastro (forestay). Emmanuel Laurent (Domaine des Thomeaux), Mathieu Verrier (Zygomar) e Maxence Desfeux (Matmut)... informaram aos barcos de escolta que pretendem parar para reparar diferentes avarias.



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