
Regata Transat 6.50 França-Brasil
Foto: Divulgação/ transat650.org

Transat 6.50 França-Brasil
Foto: Divulgação/ transat650.org
Thomas Ruyant foi o primeiro velejador da regata Charante Maritme/ Bahia Transat 6.50 a chegar em terras brasileiras. Líder da tradicional regata solo, Ruyant chegou em Fernando de Noronha no dia 19 e já se dirige para Salvador, linha de chegada da regata.
Thomas Ruyant em seu Faber France desliza com boa velocidade e na boa direção… Ele vai começar a sentir os odores das terras brasileiras e se ele se animar verá também as luzes de Recife e dessa extremidade sul-americana onde todos sonham chegar.
Thomas desliza e contabiliza 54,87 milhas de vantagem sobre HP Schipman (Maisons de l’avenir Urbatys) e 74,26 milhas sobre Bertrand Delesne (Entreprendre durablement) que tirou o 3o lugar das mãos de François Cuinet (Plan Jardin).
Stéphane Le Diraison (Cultisol Marins sans frontières) em seu potente projeto Manuard se aproveita da situação para roubar a 4a. posição deixando o 5o. Lugar ao sulista que não pode fazer nada contra a potência de seus adversários. Stéphane está a 82 milhas do líder e François a 98 milhas. A potência dos novos protótipos fabricados entre 2006 e 2009 é inegável e os desenhos dos cascos fazem o resto nesse momento específico de final de prova. François é nitidamente incapaz… Agora a coisa mais importante a ressaltar é a mudança das condições de navegação que vai encontrar a flotilha. De fato, é hora de dizer adeus ao grande azul oceânico e de cumprimentar as extensas áreas de areia, barcos de pescadores mal sinalizados, as redes à deriva, os efeitos da costa e sem esquecer os OFNIs (objetos flutuantes não identificados), muito comum nesse tipo de navegação costeira.
Uma outra dimensão a ser observada nessa navegação, é que ao longo da costa brasileira podemos sofrer variações de vento e de pressão... É aí que mora a dúvida. As imagens d’Yves Le Blévec, vencedor na categoria protótipos da última Regata Charente-Maritime/Bahia Transat 6,50, em plena dúvida sobre uma eventual opção ao leste de seus adversários, ficaram gravadas nas memórias de todos.
A gente cai num buraco de vento, a gente procura otimizar a rota, a gente não tem muita água pela frente no oeste e aqui.... a gente reflete e diz : « talvez ele esteja passando por cima de mim ». É um fim de prova tenso em que a sorte pode acertar os ponteiros e definir os resultados...Sem falar de um problema técnico como aconteceu em 2003 com Sam Manuard e Jonathan Mc Kee.
Esse final de prova não é dos mais simples e a Baía de todos os Santos também poderá trazer surpresas no caso de uma navegação acirrada de match racing. Será que Thomas, nesse momento, pode optar por não se arriscar mais já que sabemos que sua margem de vantagem é limitada ? Não… Thomas deve continuar seu avanço e administrar essa vantagem, custe o que custar.
Charlie e a cavalaria
Incrível Charlie Dalin (Cherche sponsor-charliedalin.com) ! Estabelecido na rota direta e concentrado no curso do seu barco, Charlie deslizou ontem para a frente de Francisco Lobato (ROFF TMN) e continua a conquistar milhas. 30,98 milhas de vantagem na classificação das 15 horas… Sem comentários, Charlie acumula milhas da forma mais admirável possível e cada vez mais rápido.
A cavalaria atrás dele é conduzida pelo português que deve administrar os prejuízos mesmo se ele possui mais de 22 horas de vantagem, conquistadas na primeira etapa. Mais uma vez, nenhuma proeza se destaca nessa aproximação brasileira de todas as surpresas. Ricardo Apolloni (Ma Vie pour Mapei) tem motivos para estar feliz hoje
Em seguida estão Fabien Sellier (Surfrider Foundation) está no match racing com Mathis Prochasson (Manupoki-Avico), Giancarlo Pedote (Prysmian), Xavier Macair (Masoco Bay)… Se eles continuarem assim, a Baía de Todos os Santos vai vivenciar uma ebulição de Pogo 2. Tiramos o chapéu, de qualquer forma, para Matthieu Galland (Groupe Setec) que é 10o. colocado.
Literalmente voando
Reflexos suplementares do modo supervelocidade, ativado há 24 horas, pelos principais protagonistas da prova, em um vento de popa que não perde intensidade, sobre um mar cada vez mais alisado : os recordes de distância percorrida em 24 horas pelos solitários atingiram números impressionantes.
O líder Thomas Ruyant (Faber France) percorreu ontem 262,5 milhas a 10,5 nós de velocidade média. Stéphane le Diraison (Cultisol Marins sans frontière), que se aproxima do triunvirato que encabeça a flotilha, registrou no dia de ontem, 265 milhas, a 11 nós de média. HP Schipman (Maisons de l'avenir Urbatys) evolui na mesma esfera com 259,4 milhas percorridas a 10,08 nós. E François Cuinet (Plan Jardin) extrai nitidamente a quintessência de seu projeto Bouvet de 2002 em um belo dia com 240,7 milhas percorridas (10 nós). Bertrand Delesne (Entreprendre Durablement) e Nicolas Boidevezi (Défi GDE) continuam sendo os reis da prova com, respectivamente 273,1 milhas (11,4 nós) e 272,9 milhas (11,4 nós) percorridas no dia 17 setembro pelo primeiro e no dia 10 de outubro pelo segundo.
Os últimos do Pot
É impossível não pensar neles… Eles são 5 ainda nas garras grudentas do Pot au Noir. Eles navegam por rotas sinuosas e tortuosas... e as velocidades observadas não facilitam a busca do vento de sul, sinônimo de saída do Pot au Noir. Staale Jordan (Stormy) está a 3,9 nós de velocidade, Fabrice Germond (Stratus), 1,57 nó, Caroline Vieille (Fondation Jérôme Lejeune) 0,95 nó, Emmanuel Laurent (Domaine des Thomeaux) 0,32 nó e Maxence Desfeux (Matmut) 0,25 nó.
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