Velejador francês é primeiro a chegar a Salvador na Transat 6.50

Tema:Iatismo
Autor: Redação 360 Graus
Data: 23/10/2009

Thomas Ruyant (Faber France) atravessou a linha de chegada da segunda etapa da regata La Charente-Maritime/Bahia Transat 6,50. Ele fez o percurso Funchal/Bahia em 18 dias 20 horas e 16 minutos com uma velocidade de 6,92 nós de média.

Francisco Lobato, Ricardo Appoloni e Henri-Paul Schipman ainda estão no páreo disputando o segundo lugar. Izabel Pimentel, a única brasileira a competir na Transat, ainda está distante da linha de chegada. A brasileira velejou durante 8dias 21h 26min29s, percorrendo mais de dois mil quilômetros (aproximadamente 1.200 milhas náuticas) entre a saída, na França e Funchal, que é a primeira etapa da competição. Na segunda etapa, Izabel teve problemas com sua embarcação, e completa a fase com cuidado.

Os tempos e os resultados oficiais deverão ser divulgados pela organização do evento neste final de semana.

A regata

Uma regata clássica de 7.800km (4.200 milhas náuticas) entre Charante-Maritime, na França, até Salvavador (BA), no Brasil, passando pela Ilha da Madeira, em Portugal. Essa é a regata Charante-Maritime/ Bahia Transat 6.50, disputa solo que teve sua 17ª edição disputada a partir do dia 13 de setembro.

A regata contou com a participação de 84 velejadores – sete deles mulheres – provenientes de 12 países. Participam da competição duas classes de embarcações: os protótipos e os barcos de séries. No percurso, os competidores (que velejam sozinhos e sem nenhum barco de assistência) terão que enfrentar uma rota difícil e muito técnica, cruzando a Baía de Biscay, as calmarias e os ventos traiçoeiros do hemisfério sul.

A Regata Transat 6.50, ou Mini-Transat, é uma aventura fantástica. A competição é uma disputa em alto-mar lendária: um homem, um barco de 21 pés (6,5 metros) e o oceano Atlântico. A corrida tem duas etapas, totalizando 4.500 milhas. A primeira perna é de Charante-Maritime, na França, até a Ilha da Madeira, em Portugal. Daí, a segunda perna parte para o Brasil, para a cidade baiana de Salvador, seguindo os ventos da Ilha de Cabo Verde. É um desafio tático e de resistência.

Etapas

A regata é dividida em duas etapas. A primeira perna da disputa atravessaá a Baía de Biscai. Essa perna pode ser tranqüila, se as condições de tempo forem favoráveis. No entanto, se os ventos não ajudarem, eles serão obrigados a mudar de curso para o norte para encontrar ventos mais favoráveis – uma situação clássica nesse golfo. Ao longo de Portugal, se os competidores pegarem os constantes ventos portugueses, eles poderão ganhar muita velocidade. Mas se os velejadores pegarem fortes ventos contrários – também comuns na região - então a descida de Portugal será bem difícil.

A rota é bem próxima da costa e o solo do mar varia de 4.000m a 100m em distâncias bem curtas. Essas mudanças abruptas faz com as ondas sejam muito perigosas, especialmente se o tempo não estiver bom. Os participantes chegarão ao leste da Ilha da Madeira para evitar a falta de vento da ilha - especialmente à noite o vento fica bem fraco – antes de chegarem ao sul. A chegada será muito interessante e também muito estressante para os velejadores.

A segunda etapa da regata, que começa 03 de outubro, trará a flotilha para o hemisfério Sul. Para tanto, eles descerão as Ilhas Canárias, podendo aproveitar boas oportunidades de vento forte, o que aumentará a velocidade das embarcações. Mas é preciso muito cuidado para não perder esses bons ventos e acabar em calmarias.

Os competidores então velejam em ventos constantes até Cabo Verde. Aqui, o posicionamento dos barcos ao cruzar o arquipélago vai determinar sua direção ao chegar nas calmarias. Haverá um ponto de cruzamento entre a Ilha de Maio e a Ilha de São Antão, que permitirá a flotilha uma parada para averiguar a segurança. Nessa parada, os competidores decidirão qual o melhor posicionamento para enfrentar as calmarias, a zona de convergência inter-tropical onde os ventos no hemisfério Norte encontram os do hemisfério Sul. Essa é uma zona traiçoeira onde os barcos podem ficar por várias horas sem ventos, e então pegarem repentinamente ventos fortes de 50 nós. Essa travessia exigirá muita atenção e tática dos participantes.

Depois de cruzar o Equador, os competidores encontram ventos sudeste constantes, que os levarão até Salvador (BA). A melhor opção é velejar o máximo possível a oeste do equador e nas calmarias sair mais a leste. Uma situação difícil porque os ventos no hemisfério Sul são predominantemente leste e sudeste. Na edição de 2003 da regata houve muitas surpresas três dias antes da chegada das embarcações à capital baiana. Alguns líderes perderam várias posições por causa da falta de vento.



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