
Scheidt foi homenageado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso
Foto: Eduardo Grigaitis

Robert Scheidt planeja mudar de modalidade em 2005
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Hexacampeão é comparado a grandes nomes do esporte mundial
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Around Alone 2002/2003
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Mesmo após conquistar o inédito hexacampeonato mundial da classe Laser, no Hyannis Yatch Club, na cidade de Cape Cod, nos Estados Unidos, o velejador brasileiro Robert Scheidt ainda se emociona com a façanha.
Afinal, é o único atleta do país a ganhar seis títulos mundiais num esporte olímpico. Mesmo aproveitando um curto período de férias das competições (não tem treinado na água, mas faz exercícios físicos todos os dias), Robert revela detalhes de sua obstinação na busca dos títulos nesta entrevista.
Campeão olímpico em Atlanta, em 1996, e medalha de prata em Sydney, em 2000, ele elegeu o seu novo objetivo: conquistar a sua terceira medalha olímpica em Atenas, em 2004. A meta é tão clara para Robert que ele troca qualquer futura vitória do futuro pela emoção de subir ao pódio na Grécia. "Vou me preparar a partir de agora para chegar a Atenas na minha melhor forma física e técnica", diz o integrante da Equipe Permanente de Vela Olímpica Petrobras. "Quero velejar também o máximo possível na raia olímpica para dominar todos os seus segredos."
Num país de tricampeões mundiais, como Ayrton Senna, Nelson Piquet e Rodrigo Pessoa, como é ser hexa, ter mais títulos do que o Brasil já conseguiu no futebol?
Robert - Me sinto muito realizado pela conquista do hexa, já que é um feito que entrará para a história do esporte nacional. Mas não gosto de comparações com outros atletas. Não acho certo, já que cada esporte tem um
nível diferente de dificuldade.
De todos os títulos (95, 96, 97, 2000, 2001 e 2002), qual foi o mais difícil de conquistar? Por quê?
Robert - Todos os títulos tiveram dificuldades. Cada campeonato mundial tem uma história diferente. Este ano, a experiência e a regularidade me ajudaram a conquistar o título. Mesmo assim, considero que todas as conquistas tiveram as suas dificuldades.
Antes do Mundial, você não foi bem na Semana Pré-Olímpica de Atenas. Isso não te atrapalhou?
Robert - Não. Deu para perceber que o local em que o torneio de iatismo da Olimpíada vai ser disputado é muito difícil, com dificuldades de vento e de correnteza. Fiquei numa posição ruim, que foi o 12º lugar. Apesar disso, o torneio grego foi legal porque não era minha prioridade e me ajudou. Cheguei mais humilde no Mundial. Resolvi disputar regata a regata, e acabei ganhando a competição que era a mais importante desta temporada.
A Classe Laser é sempre muito competitiva. Já dá para apontar quais serão seus grandes adversários até as Olimpíadas?
Robert - A Laser possui uma renovação muito grande. Toda temporada surgem novos atletas fortes. Este ano, o inglês Paul Goodison, os suecos Karl Suneson e Daniel Birgmark e o sul-africano Garreth Blanckenbergen foram muito bem. Eles devem continuar dando trabalho nos próximos anos.
Você pretende se despedir mesmo da Laser nas Olimpíadas de Atenas?
Robert - Acho que vou continuar na classe até o Mundial de 2005, se ele realmente for confirmado para Fortaleza. Só vou fazer isso se a competição for realizada no Brasil. Minha intenção inicial era me despedir da classe
em Atenas, tentando a minha terceira medalha olímpica, em 2004. Antes dos Jogos da Grécia, terei o Mundial da Espanha, em 2003, e o Mundial da Turquia, em 2004. Mas a grande meta, repito, é a Olimpíada de Atenas. Quero
velejar o máximo possível nas raias oficiais. Como já disse, as condições locais são muito difíceis. Tenho muito tempo para me decidir em qual classe velejarei depois. Comprei um barco de Star na Itália, mas ainda não sei se
vou investir nele. Há o risco de a classe deixar o programa oficial olímpico.
O iatismo não está entre os esportes mais populares do Brasil. Isso atrapalhou ou dificultou sua carreira?
Robert - Tive problemas, mas hoje conto com patrocinadores muito fiéis, que me apoiam e incentivam. A BrasilPrev, o Bingo Augusta, a Varig e a Volvo me ajudam muito. Faço parte da Equipe Permanente de Vela Olímpica da Petrobras. Acho que os dirigentes do iatismo deveriam se preocupar em facilitar o acesso das competições ao público. No Mundial de Cape Cod, as regatas foram disputadas a cinco milhas náuticas da costa.
Quando você anda por aí, as pessoas sabem quem você é? Sua popularidade é maior lá fora do que aqui no país?
Robert - Tenho sido reconhecido cada vez mais, óbvio que depende do lugar em que vou. Mas tenho dado mais autógrafos nas ruas e em restaurantes. Na volta dos Estados Unidos para o Brasil, dei diversos autógrafos no vôo da Varig. Não tenho a popularidade de um Ronaldinho, mas estou feliz. Ainda posso fazer coisas normais como ir ao cinema e ao shopping.
Compararam-no a Jordan, a Pelé, a Senna e a Guga na dimensão do que você representa para o seu esporte. Com o qual deles você se identifica mais?
Robert - Tenho vários ídolos no esporte e é sempre uma honra ser comparado com atletas do nível de Jordan, Pelé, Senna e Guga. Quando criança, meu ídolo era Pelé. Depois, Ayrton Senna. O Torben Grael sempre foi uma referência no iatismo. Guga é meu amigo, um excelente atleta. O tênis, aliás, foi o meu primeiro esporte sério.
Como foi ter recebido a Cruz do Mérito Desportivo após a conquista do hexacampeonato mundial das mãos do presidente Fernando Henrique Cardoso?
Robert - Foi um reconhecimento importante por tudo que tenho conseguido no esporte. Estou passando pelo momento mais feliz de minha carreira e foi uma honra ser recebido pelo presidente no Palácio da Alvorada e ganhar a Cruz do Mérito Desportivo, uma distinção importantíssima.
Quanto mais experiente melhor? No ano passado, você foi eleito o melhor velejador do mundo pela Federação Internacional (Isaf) e o melhor atleta do Brasil pelo COB. E você se considera melhor ainda este ano?
Robert - Minha campanha este ano foi mais consistente do que a do ano passado. Além de ganhar o Mundial da Classe Laser, venci também o Mundial da Isaf e a Semana de Vela de Spa, na Holanda, uma das mais importantes do planeta. Foi duro chegar a ser o número um do mundo, mas é mais difícil ainda manter-se em primeiro.
Como você consegue motivação para continuar se superando num esporte tão competitivo como a vela?
Robert - O desafio me motiva. Quando entro na regata, esqueço de tudo o que passou e luto por mais uma conquista. Procuro lidar bem com a tensão e a responsabilidade. Em Cape Cod, por exemplo, acordava no meio da noite e ia para a rua ver se havia vento. Sentia aquele friozinho na barriga. As conquistas são melhores depois.
Você tem disputado competições de Vela Oceânica. Pretende se dedicar mais a este tipo de disputa?
Robert -Gosto muito de Oceano. É um trabalho interessante de grupo. Agora mesmo participei da Regata Recife-Fernando de Noronha no catamarã. Adrenalina Pura. Durante o Mundial de Laser de Cape Cod, o velejador Peter Fox me convidou para acompanhar em março, na Nova Zelândia, a disputa da America's Cup, a mais tradicional competição de Vela Oceânica do mundo. Faço questão de aceitar o convite, de ver de perto o trabalho das equipes num evento tão especial.
Se não fosse atleta, o que você seria?
Robert - Provavelmente, administrador de empresas, que é minha formação.
O que você está lendo?
Robert - "Intimação", de John Grishman. Um romance legal.
E música?
Robert - O bom rock. Ouço tudo o que é Rolling Stones, Led Zeppelin e Van
Halen.
Você tem ido ao cinema?
Robert - Gosto muito de cinema, mas não vou com a freqüência que gostaria. O
último filme que assisti foi "Cidade de Deus". É um bom filme, que mostra a
realidade brasileira.
Qual será a sua próxima competição?
Robert - Recebi esta semana um convite para velejar na França, mas não vou aceitar. Vou competir na Santos-Rio e no Circuito Rio, no final de outubro e começo de novembro. Acho que vou no Adrenalina Pura na Santos-Rio e no Odoyá no Circuito Rio.
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