Camille Rangel - campeã Mundial de Jet Ski

Tema:Jet-ski
Autor: Adriana Fernandes
Data: 13/8/2001

Jet-ski - Foto: Divulgação

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Ela tem apenas 21 anos e já acumula títulos como campeã brasileira, americana e até mundial de Jet Ski. Nas competições ela costuma ser a favorita em meio a 50 homens da sua categoria. Esta é Camille Rangel, uma paranaense que deixou de lado os galopes do hipismo para acelerar no mar.

O ano de 2000 foi extremamente positivo para a atleta. Para este ano os desafios são maiores; o objetivo é profissionalizar-se e tornar o esporte mais conhecido no Brasil. Camille demonstra uma grande preocupação quando o assunto é Jet Ski e, para ela, é preciso conscientizar as pessoas quanto ao uso correto do equipamento, já que muitos praticantes não respeitam a área dos banhistas.

Em uma entrevista exclusiva Camille nos contou um pouco mais sobre sua vida de atleta, suas conquistas e até deu dicas para quem quer começar a praticar a modalidade. Confira:


360 Graus: Em primeiro lugar, conte-nos o que representa para você ser a única mulher presente em uma competição que só terá adversários do sexo oposto?

Camille: Desde que iniciei nesse esporte, enfrento a realidade de ser a única mulher competindo. No começo, era difícil, mas ao longo dos anos fui me aperfeiçoando técnica e fisicamente, vencendo as dificuldades e superando essa diferença.

360 Graus: Você já sofreu muito preconceito por parte dos homens?

Camille: No Brasil infelizmente o preconceito contra as mulheres continua existindo, quase sempre de forma velada, não declarada. Mulher no comando é alvo, e mulher praticando esportes radicais, mais ainda. Só que o preconceito não costuma resistir à convivência, a troca constante de experiências, as pessoas começam a descobrir que preconceito parte da ignorância, de não conhecer, de não saber como é.

Eu sofri muito no início da minha carreira, descobri o que é ser vítima de preconceito. Mas nos últimos quatro anos isso tem mudado muito. Parece que as pessoas evoluíram bastante, e agora até as piadinhas foram esquecidas.

360 Graus: Acredito que o ano de 2000 foi o melhor na sua carreira, faça um balanço sobre as suas conquistas.

Camille: Foram três conquistas super legais. Conquistei o Campeonato Brasileiro na Categoria Superstock, um título que era inédito na minha carreira. Logo em seguida veio o Campeonato Americano, eu só esperava obter experiência para o Mundial e acabei vencendo!

E, após todo um ano de dedicação, conquistei o Campeonato Mundial, que foi a melhor de todas as vitórias!

360 Graus: Você foi morar nos Estados Unidos no ano passado. Qual sua opinião sobre a falta de reconhecimento do Brasil em relação a tantos esportes, inclusive o Jet Ski?

Camille: Acho lamentável a falta de incentivo e de reconhecimento de qualquer esporte. Às vezes dá a impressão de que o futebol toma tanto espaço da mídia brasileira que não sobra nada para os outros esportes.

Mas a tendência é de abertura das cabeças para todos os esportes. No mundo todo os veículos estão se especializando, cada dia surgem novos produtos e serviços especializados, para ocupar nichos de mercado. E há um nicho muito interessante para alguns esportes diferentes, que sejam divertidos e que provoquem muita adrenalina.

360 Graus: E patrocínios? Hoje em dia você tem ou já enfrentou barreiras por causa disso?

Camille: Entendo que barreira para patrocínio, até os melhores jogadores de futebol e pilotos de Fórmula 1 enfrentam. Quanto mais difundido o esporte, é lógico que mais fácil de fechar patrocínio, até porque a gama de produtos e de marcas corporativas que querem se associar é maior.

O meu esporte tradicionalmente atrai investimentos das fábricas e revendas de jet ski, bicicletas e todas as marcas ligadas a sol, praia, água, juventude e velocidade.

Meus empresários estão estudando inclusive propostas de empresas ligadas a produtos de crianças e adolescentes, que também são público de competições de jet e particularmente gostam muito de mim, sempre comparecem em massa pra me ver competir. Mas tudo isso é muito novo pra mim, pois até o final de 2000 eu contava só com “paitrocínio” e não tinha contratado serviços profissionais, pois cheguei até a pensar em largar as competições pra poder terminar meus estudos. Hoje eu concilio tudo, mas não acreditava que fosse possível.

360 Graus: O que te levou a praticar a modalidade?

Camille: Aos 11 anos de idade eu praticava hipismo, e dois anos depois, ganhei um jet sentado. Era muito divertido porque comecei fazendo movimentos parecidos com os que eu praticava com o meu cavalo. Quando eu percebi que poderia aliar o que eu sabia com alta velocidade, água e sol, ou seja, tudo que eu e sempre tive paixão, ninguém mais me segurou!

360 Graus: Como é a sua rotina de treinamentos?

Camille: Treino o físico todos os dias em uma academia, acompanhada de meu personal trainner. Tecnicamente treino duas vezes semana, quase sempre nos fins de semana, de duas a três horas por dia.

360 Graus: Você segue alguma dieta balanceada e faz exercícios paralelos ao esporte?

Camille: A dieta é um pouco rígida, me esforço muito pra segui-la ao máximo, mas de vez em quando não consigo resistir a um chocolatinho.

360 Graus: Fora você, quais atletas - masculino e feminino - destacaria no cenário nacional de jet ski como promessa para este ano?

Camille: Nós temos alguns pilotos que ano passado já surpreenderam no mundial, e que continuam treinando e melhorando suas técnicas, entre eles o Paulo Kinoshita, o Márcio Santana Vaz e o Célio Vinícius.

360 Graus: Quais são suas metas para este e os próximos anos?

Camille: Meu objetivo é me profissionalizar no esporte, e tornar o jet ski um esporte mais conhecido e admirado. Para os próximos anos, quero poder ensinar noções básicas para a pilotagem desta máquina. Me preocupo com a redução do número de acidentes nas praias e nos locais de prática desse esporte aquático.

360 Graus: O Jet Ski não é um esporte barato, ok? Que dicas você daria para uma pessoa que está a fim de iniciar-se no esporte? Fale dos custos, picos para a prática, competições, busca de apoio.

Camille: Quem está a fim de começar deve preocupar-se antes de tudo com os locais para prática. Primeiro verifique se há lagos, represas ou rios perto de onde mora, depois consulte a secretaria do meio ambiente ou a prefeitura da cidade para que eles autorizem a utilização dessa área. Claro que se sua cidade é litorânea fica mais fácil. Mas o mais importante, que não posso deixar de mencionar: a área dos banhistas fica da beira da praia até 500 metros para o fundo e deve ser respeitada!

Com relação aos custos para a prática do jet ski, o mais caro é o equipamento.

Nós temos categorias “stock” onde só é permitido o uso de máquinas originais, portanto o gasto é com a aquisição de um jet ski. Há vários modelos com preços entre R$ 7.000 até R$ 18.000. Nos anúncios classificados é possível encontrar jets usados em ótimas condições, e há também alguns consórcios. Uma dica importante: além de respeitar a área dos banhistas, nunca esqueça dos coletes salva-vidas!

360 Graus: Você tem site ou usa bastante a Internet? Que sites sobre Jet gosta de ver?

Camille: Estamos criando meu web site, acho que logo todos poderão visitar. E adoro navegar na internet. Os sites que eu acho mais legais são:

  • os nacionais www.bjsa.com.br, (site da Associação Brasileira de Jet Ski)

  • os internacionais www.ijsba.com (site da Associação Internacional) e o www.watercraftracing.com (site da revista americana Wate Craft)

    360 Graus: Agradeço a sua atenção e desejo desde já boa sorte nas competições que te esperam. Agora é a sua vez de deixar um recado para a galera do 360 Graus

    Camille: Para a galera do 360 Graus, gostaria de convidar aos interessados nesse esporte que assistam as competições e acompanhem os resultados sempre que tiverem oportunidade. A quarta etapa do Campeonato Brasileiro, Final, acontecerá nos dias 24 e 25 de março em Paulínia SP.

    E também quero agradecer o espaço que vocês abriram para que eu pudesse esclarecer um pouco mais sobre o mundo do Jet Ski.

    Obrigada e torçam por mim!



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