Entrevistamos o número 1 do Kitesurf brasileiro: Marcelo Cunha

Tema:kitesurf
Autor: Adriana Fernandes
Data: 15/10/2002

Marcelo Cunha, 24 anos, é atualmente o número 1 do kitesurf brasileiro. Ele é mineiro, mas mora no Rio de Janeiro. Competindo apenas há dois anos no esporte, Marcelo juntou-se ao seleto grupo de kitesurfistas que seguem o circuito mundial de surf e em pouco tempo já está entre os melhores do mundo no ranking da Professional Kite Riders Association.

Ele acabou de chegar da França (Hyéres) onde competiu na terceira etapa do Mundial "Kite Pró World Tour" (KPWT). Conforme nos disse: "Estou voltando pra casa amarradão com minha melhor colocação esse ano no Tour Mundial, fui 5º lugar no berço do Kitesurf, todos os melhores do mundo estavam lá e passei baterias muito fortes em primeiro lugar com Arnald Murcia (França), Muller (Israel), Richard Boudia (França), e só fui barrado na semi final numa bateria homem à homem com o melhor do mundo e mais uma vez campeão dessa etapa Mark Shinn(UK)".

Batemos um papo com Marcelo para que você conheça um pouco mais sobre sua história e sobre o kitesurf. Confira!!!


360 Graus - Mesmo o kite sendo um esporte novo o número de praticantes vem aumentando muito. Como vc está vendo essa evolução do esporte?
Marcelo Cunha - Muito rápida, mas isso é normal, porque realmente o Kite revolucionou os esportes, todos que se amarram em esportes radicais estão aderindo a esse esporte, a galera do surfe, skate, windsurf, wakeboard, asa-delta, enfim, todos que se amarram em adrenalina estão fazendo kite também... quem ainda não está fazendo está perdendo tempo...

360 Graus - Você é um dos poucos atletas brasileiros a correr o mundial. Quais as principais provas que participou esse ano e quais foram seus resultados mais expressivos?
Marcelo Cunha - Esse ano eu consegui bons patocinadores e estou amarradão com essa oportunidade, esse ano estou me adaptando às condições diferentes em todo os picos que estou indo, mas ano que vem vou brigar pelo título. Esse ano participei na Bélgica (KPWT), Margarita (Venezuela - PKRA) , Cabarete (Rep. Dominicana - PKRA), Turquia (Istambul - KPWT), acabei de ir para a França (Hyéres - KPWT), pretendo ir para New Caledônia (próxima etapa - KPWT) e finalizar o tour mundial em casa, em Araruama na etapa final do tour com minha melhor colocação se Deus quiser. Minha melhor colocação no Mundial de 2001 foi no Rio Kite Pro (Rio - Barra da Tijuca) fiquei em quarto lugar e esse ano foi em Cabarete, tinham 82 inscritos (recorde de inscrição) só 32 passaram o qualify e eu passei e fiquei em décimo segundo, os melhores do mundo estavam lá, foi irado, e agora com esse quinto lugar na França que acabo de conquistar estou subindo no ranking.

360 Graus - Nas competições internacionais, como está o nível dos competidores? Na sua opinião quem leva o título de campeão mundial?
Marcelo Cunha - O nível está muito forte e acho que esse ano o Mark Shin vai levar o título, ele está muito bem treinado e é difícil não levar os dois títulos tanto no Kite Board Pro Tour(KPWT) tanto no Professional Kite Riders Association (PKRA).

360 Graus - E em relação aos equipamentos? O que você viu de novidade?
Marcelo Cunha - Acabei de competir na França e uma grande marca no mundo da vela e das pranchas (RRD - Roberto Ricci Designs) da Itália me contratou. Isso eu realmente não estava esperando, foi uma grande surpresa, Roberto Ricci telefonou para o organizador do evento Fréderic e pediu para falar comigo e não tive como recusar a proposta e então estou voltando pra casa com um Quiver de todos os tamanhos dos novos Kites "RRD Super Type" e estou realmente espantado com a qualidade do material, agora estou louco pra cair na minha pista de testes em Araruama e testar esses foguetes italianos, também estou com as melhores pranchas do mundo (Brunotti) são da Holanda e estou sendo patrocinado por eles também.

360 Graus - Vi que você gosta muito de inventar manobras e até se inspira em jogos de computador para realização das mesmas. Fale um pouco sobre isso e nos diga qual a manobra que ainda não fez mas que está entre suas metas.
Marcelo Cunha - Gosto muito de criar manobras, e tiro algumas do skate e do vídeo game Playstation (Tony Hawk), o que eu mais gosto é voar muito alto e tentar radicalizar lá em cima, tirando a prancha dos pés e rodando, flips com rotações na prancha, estou com muitas idéias novas na cabeça é só treinar.

360 Graus - A questão da segurança é muito discutida no meio. Você já passou por algum apuro muito grande?
Marcelo Cunha - Essa questão de segurança realmente me preocupa, mas agora temos sistemas perfeitos para nossa segurança, o maior problema que passei foi em Cabarette (Rep. Dominicana), quando estava fazendo o catálogo 2003 das pranchas Brunotti com o shaper e os outros atletas, o kite do Wilson se enrolou no meu e ele largou a barra, então uma linha minha arrebentou e foram dois kites me levando em direção a areia e as árvores, tentei ejetar o kite que estava preso em mim pelo loop e o sistema de segurança que até então não era bom não se abriu e eu fui arrastado pela areia e só não bati nas árvores pq os kites bateram primeiro e então pararam, numa situação parecida com essa morreu uma competidora no meio de um campeonato esse ano, então todas as fábricas trabalharam muito nisso e agora temos bons sistemas de quick release.

360 Graus - Como está se preparando para a etapa do mundial no Brasil?
Marcelo Cunha - Estou treinando bastante nas competições e no intervalo delas, vou correndo para Araruama e fico treinando horas e horas, também faço uma suplementação alimentar com vitaminas, proteínas, carboidratos, aminoácidos, porque o kite desgasta muito e pra repor rápido só assim, o nutricionista da Body Lab, me passa o que eu preciso e eu sigo.

360 Graus - Quais seus objetivos dentro do esporte?
Marcelo Cunha - Meu maior objetivo era curtir esse esporte que realmente me apaixonei, mas sempre gostei de competir, acho que isso está no sangue, então hoje me profissionalizei, tenho bons patrocinadores, vivo 24 horas em função do Kite e agora quero correr atrás do título Mundial no ano que vem. Não nasci pra perder e tenho muita determinação, sei que não se faz milagres, por isso treino muito e peço a Deus que me dê saúde pra continuar treinando muito e muito, só muitas horas dentro da água para crescer nesse esporte.

360 Graus - Quem são seus patrocinadores hoje em dia?
Marcelo Cunha - Meus patrocinadores são: "Oi" (Telecomunicação celular), Prefeitura de Araruama, RRD, Brunotti Boards, Red Nose, Body Lab e Guaraná Mania.

360 Graus - E pra quem tá a fim de começar. Quais suas dicas?
Marcelo Cunha - Para quem quer começar a competir o mais importante é realmente amar o esporte, e treinar muito, muito, porque nada se faz por acaso.

Nesta reportagem:

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» Kitesurf - Como dominar o esporte



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