

Foto 1 - Platelminto
Fotos: Armando de Luca

Foto 2 - Verme-de-Fogo

Foto 3 - Radíolos de poliqueta

Foto 4 - Tubo de poliqueta Sabelídeo em fundo lodoso

Foto 5 - Poliquetas em Natal
Tudo bem com o amigo-sub do 360 Graus? Estou de volta, agora para trazer para vocês outras informações do mundo submerso, procurando manter a simplicidade na abordagem dos temas, tornando-os compreensíveis por todos. Assim, vou falar de forma genérica de mais de um grupo zoológico, tratando-os por vermes devido a seu aspecto geral.
Um grupo pouco conhecido e muito pouco observado de vermes é o dos Platelmintos, que são vermes com o corpo achatado dorso-ventralmente (para referência, a solitária faz parte desse grupo) que podem viver de forma parasitária ou livremente. Nesse filo, existem três classes, sendo duas de espécies parasitas e a mais primitiva, Turbelária, é principalmente marinha e de vida livre, com corpo ovalado variando de 2 a 12cm de comprimento e cores variadas.
Uma curiosidade sobre algumas espécies marinhas, é o fato delas se alimentarem de pólipos de cnidários e os nematocistos (lembram-se das células urticantes de defesa?) não são digeridos instalando-se na parede do corpo do verme, que os usa como defesa.
Estou citando esses vermes porque tenho observado uma espécie durante os mergulhos na Ilha da Queimada Grande em São Paulo. Trata-se do Pseudoceros splendidus . Essa espécie também ocorre em áreas do Caribe e do Indo-Pacífico, sobre fundos rochosos ou coralinos e, ocasionalmente, pode ser observado na superfície nadando através de movimentos ondulatórios (foto 1).
Porém, para os mergulhadores, os vermes mais observados e também admirados por sua beleza, fazem parte do filo dos Anelídeos (têm o corpo cilíndrico e dividido em segmentos ou anéis). Nesse filo, onde as classes são diferenciadas pela presença de pequenas cerdas ao longo do corpo, encontramos os Aquetas (não têm cerdas) como as sanguessugas, os Oligoquetas (têm poucas cerdas) como as minhocas e os Poliquetas (têm muitas cerdas) que são as espécies marinhas que nos interessam.
Minhocas coloridas
A forma estrutural do corpo dos Poliquetas varia de acordo com o modo de vida adotado pela espécie em questão, mas de uma forma geral podemos dizer que apresentam uma cabeça com antenas e olhos e projeções carnosas nas laterais do corpo, chamadas parapódios, onde concentram-se as cerdas.
Os Poliquetas podem ser separados em dois grupos: os Errantes, que se movimentam livremente, e os Sedentários que de uma forma geral constroem tubos para se abrigar. Entre os Errantes encontramos as espécies que vivem no fundo arenoso, lodoso ou sob rochas, corais e conchas, ou até mesmo constroem tubos na areia (mas são livres para sair dos tubos).
Geralmente as espécies desse grupo apresentam conjunto de cerdas bem desenvolvido, hábito alimentar predador ou detritívoro e entre elas temos Hermodice carunculata ou “verme-de-fogo” (foto 2), muito conhecido pelos mergulhadores por sua coloração avermelhada e pronunciadas cerdas brancas nas laterais do corpo. Quase todos mergulhadores sabem que essa é uma das espécies cujo contato direto (mesmo com luvas) causa problemas, já que suas cerdas penetram em nossa pele causando inflamação.
Já os Poliquetas Sedentários podem variar seu padrão corpóreo e, entre aqueles que mais admiramos estão os pertencentes a duas famílias (Sabelídeos e Serpulídeos) que caracterizam-se pelas projeções anteriores em forma de penacho e chamadas de radíolos (foto 3), que estendem-se para fora dos tubos com a finalidade de capturar alimentos.
Os Sabelídeos geralmente constroem tubos pergaminosos com grãos de areia no fundo arenoso ou lodoso (foto 4), enquanto os Serpulídeos produzem tubos calcáreos que permitem sua instalação em substratos duros como rochas e corais (foto 5), destacando-se aqui os “vermes árvore-de-Natal” muito apreciados pelos fotógrafos sub.
Reprodução é iguaria para nativos
Um fato que chama a atenção entre os vermes, relaciona-se à família dos Eunicídeos, onde uma espécie do Pacífico (Eunice virides), mais especificamente da região da ilha de Samoa, tem um hábito reprodutivo interessante. Geralmente no mês de julho, entre o primeiro e terceiro quartos do ciclo lunar, os indivíduos saem de seus tubos e têm parte do corpo separada (chamada epitoco) e que vai para a superfície do mar.
Os epitocos correspondem ao segmento sexual do verme e aos primeiros raios solares da manhã seguinte se rompem liberando suas células sexuais. A fecundação acontece e o mar fica “coalhado” de ovos do verme. Durante essa noite, os nativos da região saem em canoas coletando os epitocos, que transformam-se em apreciada iguaria – é a Festa do Palolo, como o verme é conhecido entre eles.
Assim, espero que vocês tenham aproveitado mais essas informações. Não se esqueçam de manter contato enviando por e-mail suas críticas e sugestões.
Abraços molhados a todos,
Armando de Luca Junior.
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